Minha tristeza crepuscular

(antes de começar a ler esse texto, você deve clicar aqui)

Tem um tipo de tristeza com a qual eu me identifico que só aparece ao cair da noite. Quando o sol vai se pondo. Quando as luzes do dia vão embora. Quando a noite vem se aproximando. É ali que ela mora.

Se for domingo, então, a angústia, o vazio, o medo e as inseguranças inflamam ainda mais dentro de mim. Meu instante de grande solidão.

A angústia do domingo à noite é a nossa consciência tentando, de maneira inarticulada, nos despertar para fazermos mais de nós mesmos.

Essa tristeza afeta, principalmente, os que são reféns do amanhã e do ontem, como eu. Sinto uma nostalgia imensa e fico derramada num lugar de saudade que nem consigo explicar.

O teólogo, pedagogo e escritor Rubem Alves, o qual faleceu em março deste ano, fala sobre ela, a tristeza do entardecer (renomeei por livre e espontânea vontade para “tristeza crepuscular”), definindo-a como a simples constatação de que tudo aquilo que a gente ama na vida necessariamente se vai com o fluxo do tempo.

Um dia, segundo ele, estava andando pelo seu apartamento quando contemplou uma foto dos seus filhos pequenos. Naquele exato momento, sentiu uma tristeza. Nada tinha acontecido com os filhos, eles estavam bem e crescidos. Tudo estava certo. Não havia uma notícia ruim, um evento trágico.

Ele simplesmente sentiu tristeza porque lembrou-se de um momento belíssimo da sua vida, da sua família e da infância dos seus filhos.

Como escrevi, não é uma tristeza fruto de um evento trágico. Ela advém no momento em que temos noção da passagem do tempo, do ciclo da vida seguindo o seu curso, das coisas que se vão.

E por que eu a chamo de crepuscular?

Quando chega o crepúsculo, começa a haver transformações rápidas no céu. Rapidamente, as cores vão se alterando, o azul fica verde, o verde fica amarelo, o amarelo fica abóbora, tudo fica roxo e logo o céu está mergulhado na escuridão. A percepção é que a hora de partir está chegando.

O crepúsculo é essa consciência de que o tempo passa rapidamente, a vida passa rapidamente.

De alguma forma o tempo leva tudo embora.

Por outro lado, o tempo nos traz paciência (para lidar com aquilo que não temos controle) e contemplação da vida, como menciona o trecho abaixo do livro bíblico Eclesiastes:

Para tudo há um tempo determinado;
Há um tempo para toda atividade debaixo dos céus:
Tempo para nascer e tempo para morrer;
Tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou;
Tempo para matar e tempo para curar;
Tempo para derrubar e tempo para construir;
Tempo para chorar e tempo para rir;
Tempo para lamentar e tempo para dançar;
Tempo para jogar fora pedras e tempo para ajuntar pedras;
Tempo para abraçar e tempo para evitar os abraços;
Tempo para procurar e tempo para dar por perdido;
Tempo para guardar e tempo para jogar fora;
Tempo para rasgar e tempo para costurar;
Tempo para ficar calado e tempo para falar;
Tempo para amar e tempo para odiar;
Tempo para guerra e tempo para paz.

Para tudo tem seu tempo, e o tempo não é o nosso, e, sim, do Pai.

As coisas acontecem no tempo certo, tudo tem o seu tempo e há coisas que levam tempo.

Deixa a vida fluir e vá desfrutando do presente.

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sentadas, criança, sapatos e atividades ao ar livre

Você é Deus?

(escrevi esse texto no começo deste ano)

Pergunto isso porque o senhor brota, do nada, nos lugares em que estou.

Pergunto isso porque te ver me acarreta uma sensação boa, de paz.

Pergunto isso porque eu admiro-o, mesmo sem te conhecer.

Você está sempre sozinho, mas bastante atuante.

Ora o senhor está lendo jornal na biblioteca do Complexo Argos, ora perambulando com mochila nas costas pelas ruas do centro.

Já o vi comendo maçã na calçada perto de casa; de calça e camisa jeans no shopping da Nove. Já o vi, inclusive, na Oficina de Costura e na aula de Recorte e Colagens, ambas no Sesc.

Parece que o senhor tem uma vida produtiva, rica em conhecimento. O senhor deve ser um pessoa culta, do bem, moderna, apesar dos fios brancos em sua cabeça.

Não o vejo como um senhor solitário, pois está sempre bem acompanhado: seja pelos livros, jornal, maçã, mochila ou tesoura.

Hoje o senhor esta sentado à minha frente: de camisa polo azul, chuteira vermelha Adidas e calça de capoeira; cabelo bem penteado; mochila ao lado na cadeira; celular carregando na tomada.

Tenho a sensação de que o senhor está rejuvenescendo a cada dia que passa. Gostaria de saber por que razão tanto vê o celular. Será que faz parte de um grupo? Turma da Leitura, Amigos do Sesc, Grupo da Argos, Colegas da Melhor Idade, Galera da Ginástica. Será que o senhor lê artigos de educação, culturais, notícias sobre política, economia?

NOTA: O que o senhor tem feito nesta quarentena? Tem lido jornais, como? Tem conversado com os colegas pelo whats? Aliás, o senhor tem Instagram?

(Foto: Umplash)

Em tempos de coronavírus, coisas inteligentes para fazer

(Foto: Aron Visuals/ Unsplash)

Em casa sim, parada nunca.

A rotina e os bons hábitos produzem equilíbrio em meio aos desafios do momentos.

Neste tempo entre parênteses – expressão usada com tremenda felicidade pelo escritor e jornalista Sérgio Rodrigues para definir estes dias de isolamento -, preencher os dias livres com coisas úteis aumenta a nossa energia e o nosso sentimento de realização.

Manter-me ocupada diminui as possibilidades de perder o ânimo.

Segundo a consultora Marina Carli de Moraes, os pilares físico, mental e espiritual nos auxiliam a investir o nosso tempo com mais sabedoria.

De acordo com a especialista, para manter um equilíbrio e ganhar qualidade de vida precisamos fazer exercícios, consumir conteúdos de qualidade e cuidar da nossa espiritualidade.

O que eu tenho feito durante a quarentena:

Para o CORPO

– Aula de ioga da Bionathus

Link: https://bit.ly/39hTRXz

– Aula de body balance
Links: https://bit.ly/2UGdnaP e https://bit.ly/3aqUcbI

Práticas que estimulam o centramento e o enraizamento, reduzindo a ansiedae.

Para a MENTE

Quarentena Literária

“Se eu estudo, o único aprendizado que procuro é aquele que me diz como conhecer a mim mesmo”, filosofou o escritor francês Michel de Montaigne.

Uma plataforma gratuita para escritores e amantes da leitura, com conexão e literatura para os dias de isolamento.

Encontros literários gratuitos com autores do Grupo Editorial Record, editores e críticos literários. Fique em casa e aproveite para ler e debater com escritores consagrados. 

Casa do Saber

Descola

Para o ESPÍRITO

– A importância da rotina e de bons hábitos

Nesta live você aprenderá a importância e o efeito que a rotina e os hábitos têm na sua vida. Um tema fundamental para períodos em que as pessoas devem ficar em casa ou têm mais tempo para refletir sobre a vida.

Link: https://bit.ly/3aqddv9

– Fórmula para saúde e felicidade

Saúde e felicidade é algo que todos buscam. Mas é possível alcançá-las? Nesta live aprenda o passo a passo para atingir este objetivo.

Link: https://bit.ly/2JgYZ3P

– Mantenha sempre a esperança

A fé em Deus é algo fundamental para manter a esperança em tempos difíceis. Nesta live você aprenderá como fazer para acreditar num futuro brilhante mesmo em meio às adversidades.

– As leis de Aço – parte 2

Segunda parte da série sobre o livro As Leis de Aço escrito pelo Mestre Ryuho Okawa.

– Liberte-se da ansiedade

Como parar de sofrer em meio a tantos pensamentos negativos ou medos? Nesta live você aprenderá como fazer para se libertar disso.

– A Mente inabalável

Nesta live aprenda como desenvolver uma mente inabalável que não se desespera mesmo perante às dificuldades da vida.

– Poder de cura

O poder de cura está dentro de você. Através do controle dos pensamentos e das emoções é possível viver uma vida feliz, saudável e tranquila.

Para os OUVIDOS

Podcasts são boa companhia para os dias de isolamento.

Um Milkshake Chamado Wanda (sempre escuto para caminhar)

Notícias, fofocas, opiniões e bom humor sobre o mundo do entretenimento e a da cultura pop servem de munição para as doses semanais deste podcast . Toda quinta-feira, às 13:17, Phelipe Cruz, Samir Duarte e Marina Santa Helena comentam os acontecimentos mais legais do showbiz.

Filhos da Grávida de Taubaté (comecei a escutar há pouco tempo)

Podfalar

Um podcast com bacharelado em happy hour, mestrado em séries e livros e PhD em palpites e pitacos.

Mamilos

Um podcast semanal que busca nas redes sociais os temas mais debatidos (polêmicos) e traz para mesa um aprofundamento do assunto com empatia, respeito, bom humor e tolerância. Apresentam os diversos argumentos e visões para que os ouvintes formem opinião com mais embasamento. Vai ao ar todas as sextas final do dia.

É Noia Minha?

Podcast sobre noias de @cafremder e convidados. 

Café da Manhã

Estamos bem

Durma com essa

Ouça sobre o fato mais instigante do dia — e que pode continuar a ecoar por aí. De segunda a quinta, no fim da tarde, começo da noite, este podcast traz a notícia de um dia que não acaba aqui.

Fora da Curva

Bobagens Imperdíveis
O podcast de Aline Valek, de Brasília, carrega na construção da narrativa uma cadência literária apaixonante. Vale como conteúdo curioso e também para observar a maneira como ela compõe a história. Ela traz temas curiosos, entrevista pessoas e amarra tudo isso de uma maneira singular. Ao ouvi-la, o sentimento é de estar escutando um amigo contando algo muito interessante, que você não interrompe e faz questão de acompanhar até o final. E assim ela conta, por exemplo, sobre um fotógrafo de tubarões. Mas tudo, através dela, ganha ares de saga. E é isso que, pra mim, torna esse podcast tão bacana.

45 do primeiro tempo
Idealizado e apresentado pelo jornalista Patrick Santos, o podcast nasceu a partir do livro de mesmo nome. Na obra, Patrick conta sobre seu período sabático, um tempo para repensar a própria vida e as escolhas de um jeito singelo e simples – ele não fez uma viagem pelo mundo, mas se redescobriu caminhando pelas ruas do bairro e percebendo o que, antes, era invisível para seus olhos. O podcast traz conversas com pessoas inspiradoras, da executiva que precisou se redescobrir depois de uma demissão ao profissional do mercado financeiro que redefiniu sua vida por meio da meditação. 

Para VER

– Provocações

Comandada por Marcelo Tas, revisita o formato de entrevistas, porém com mais interatividade e tecnologia. O programa conta com quadros inéditos e com forte participação do público por meio das redes sociais.

Roda Viva

O programa proporciona reflexões não só da realidade brasileira e mundial, como do próprio jornalismo e dos jornalistas, por meio da apresentação de ideias, conceitos e análises sobre temas de interesse da população, em um espaço raro na televisão.

Combo do dia #07 – Procrastinação

Um texto + uma música + um prato

Meu sobrenome é procrastinação

Photo by Kate Stone Matheson on Unsplash

Movimento gera movimento. Deixar o corpo parado faz mal à saúde.

Eu tenho preguiça. Eu tenho preguiça de tudo. Até quando estou a fazer nada, eu tenho preguiça.

Descobri que, para combater a preguiça, precisamos agir. Simples assim. Tá com preguiça de ir? VÁ! Tá com preguiça de fazer? FAÇA!

Tá com preguiça de ler? LEIA. Tá com preguiça de escrever? ESCREVA! Tá com preguiça de trabalhar? TRABALHE!

O hábito de “transferir para outro dia” entra num círculo vicioso, do qual é difícil se libertar. Portanto, a procrastinação constante não está ligada à má gestão do tempo – ela nada mais é do que uma estratégia do cérebro para lidar com as emoções negativas. Sendo assim, é preciso aceitar o problema e entender o que está por trás dele para começar a superá-lo.

Depressão, outra mola propulsora do adiamento ou do atraso frequentes. Quem apresenta essa condição sofre com pensamentos negativos, sensação de inutilidade e sentimento de culpa. Qualquer tarefa se torna incômoda ou complicada. O depressivo não tem vontade nem energia para agir.

A escritora Ruth Manus ressalta: “Todos se sentem absolutamente devedores de si mesmos. Entramos numa lógica cruel que funciona mais ou menos assim: praticamente não importa o que a gente fez de bom, só importa aquilo que ficou faltando. Tudo o que ficou faltando grita dentro da nossa cabeça como se estivesse escrito em caixa-alta”.

“O que me parece necessário é pararmos de sentir tanta culpa. Não somos máquinas e nunca funcionaremos com perfeição”.

  • Pare de reclamar e comece a produzir, ninguém tem culpa pelos seus resultados, sucessos ou fracassos, é uma perspectiva individual. Assuma responsabilidades, assuma o leme da sua vida.
  • Foque em uma área da sua vida que você quer desenvolver, concentre-se em uma habilidade e torne-se excelente nela.
  • Selecione melhor em que você investirá o seu tempo livre.
  • Converse sobre boas ideias e não sobre pessoas, não perca tempo falando daquilo que não te acrescentará em nada.

Música:

E o prato do dia foi…

  • Legumes recheados