Você é Deus?

(escrevi esse texto no começo deste ano)

Pergunto isso porque o senhor brota, do nada, nos lugares em que estou.

Pergunto isso porque te ver me acarreta uma sensação boa, de paz.

Pergunto isso porque eu admiro-o, mesmo sem te conhecer.

Você está sempre sozinho, mas bastante atuante.

Ora o senhor está lendo jornal na biblioteca do Complexo Argos, ora perambulando com mochila nas costas pelas ruas do centro.

Já o vi comendo maçã na calçada perto de casa; de calça e camisa jeans no shopping da Nove. Já o vi, inclusive, na Oficina de Costura e na aula de Recorte e Colagens, ambas no Sesc.

Parece que o senhor tem uma vida produtiva, rica em conhecimento. O senhor deve ser um pessoa culta, do bem, moderna, apesar dos fios brancos em sua cabeça.

Não o vejo como um senhor solitário, pois está sempre bem acompanhado: seja pelos livros, jornal, maçã, mochila ou tesoura.

Hoje o senhor esta sentado à minha frente: de camisa polo azul, chuteira vermelha Adidas e calça de capoeira; cabelo bem penteado; mochila ao lado na cadeira; celular carregando na tomada.

Tenho a sensação de que o senhor está rejuvenescendo a cada dia que passa. Gostaria de saber por que razão tanto vê o celular. Será que faz parte de um grupo? Turma da Leitura, Amigos do Sesc, Grupo da Argos, Colegas da Melhor Idade, Galera da Ginástica. Será que o senhor lê artigos de educação, culturais, notícias sobre política, economia?

NOTA: O que o senhor tem feito nesta quarentena? Tem lido jornais, como? Tem conversado com os colegas pelo whats? Aliás, o senhor tem Instagram?

(Foto: Umplash)