10 fragmentos de Nova York

Resolvi escrever sobre um dos #tbts que mais mexe comigo: a minha viagem para Nova York. Eu me vejo engolida por uma onda de sentimentos cada vez que o Facebook relembra as fotos e publicações postadas em abril de 2013, data em que visitei Manhattan. Tenho a sensação de que essa trip aconteceu em outra época, vivida por uma outra Renata.

(E não foi?)

Por muito tempo fiquei sem olhar as fotografias de lá. Se não fossem o Facebook e as lembranças que veem à tona por parte da minha querida prima, quem me acompanhou e me aturou nessa aventura, essa viagem estaria guardada num cantinho secreto escondido bem lá no fundo de minha memória.

(E não está?)

Hoje tomei coragem e revi algumas fotos. Ao fazer isso, resgatei do meu HD particular 10 fragmentos curiosos, os quais quero dividir com vocês:

1- Na época, eu estava fascinada pela cantora Alicia Keys e por “Empire State of Mind”, canção que gravou com Jay Z em homenagem à cidade de Nova York. Eu imprimi a letra e levei-a comigo, mas tive que deixar as folhas na gaveta do quarto do hotel ao vir embora, pois minha mala estava abarrotada de panfletos, mapas e guias. Trouxe tudo quanto era papel de cada lugar por onde eu passei. Depois de alguns anos, foram todos para o reciclável. A música continua sendo uma das minhas preferidas.

Pianista de formação clássica, a cantora Alicia Keys 

2- Eu queria muito conhecer a catedral de St. Patrick, a histórica igreja da Quinta Avenida. Mas bem naquele ano o local estava em reforma e o que eu vi foi um monte de andaime. Mesmo assim, entrei e agradeci. Agradeci muito a Deus por estar realizando um grande sonho, após vários perrengues vividos no ano anterior.

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A histórica e charmosa St. Patrick’s Cathedral 

3- A primeira compra que fiz em NY foi a de um Iphone 5 branco, no cubo de vidro da Apple Store. Demoramos umas duas horas na loja SÓ para conseguir cadastrar a senha, mas valeu a pena cada segundo. Vale lembrar que o dólar custava R$ 2. Por um bom tempo, fui feliz com ele. Depois, só dor de cabeça! Perdi as contas de quantos carregadores precisei comprar para essa belezinha.

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Juro que não me reconheço nessa foto!

4- Claro que eu visitei a FAO Schwarz, a icônica loja de brinquedos do filme “Quero Ser Grande”, e claro que eu pulei no famoso piano gigante usado por Tom Hanks no filme. A coordenação não foi a mesma, mas eu tentei.

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A loja de brinquedos do filme “Quero Ser Grande”

5- Assistir ao musical Mamma Mia! na Broadway era uma das certezas que eu tinha. Sou fã desde o dia em que meu pai comprou o CD ABBA Gold: Greatest Hits, uma coletânea de músicas do grupo. Só que eu não consigo lembrar nadinha do espetáculo daquela noite, apenas que fui e me realizei. Devo ter ficado tão fascinada, que uma parte de mim permanece sentada na poltrona do teatro até hoje. Também me recordo do casacão off white, o qual emprestei de uma amiga com a intenção de usá-lo no dia reservado para Mamma Mia! Dito e feito.

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Mamma miahere I go again / My my, how can I resist you 

6- A primeira vez que comprei uma calça Diesel foi em NY. Aliás, a primeira vez que tive acesso a marcas como Diesel, Calvin Klein, Tommy Hilfiger, Kipling, Smashbox e tantas outras foi lá. Ao longo dos anos, as roupas made in big apple foram perdendo a graça, o uso e o brilho de tê-las no meu armário. A bolsa da foto, por exemplo, deixou de ser objeto de desejo no dia em que a minha cunhada falou: “Você sabia que essa bolsa é de maternidade, né?”.

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Reconhecem essa paisagem?

7- Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, eu estava indo para a faculdade. Cursava o primeiro semestre de jornalismo. Quase todos os meus trabalhos tiveram como tema os ataques às Torres Gêmeas. Visitar o 9/11 Memorial & Museum foi bastante tenso. Eu não conseguia tirar fotos (achava desrespeitoso), mas queria documentar tudo que estava vendo: os objetos resgatados, os depoimentos dos sobreviventes, os painéis com os nomes das vítimas. Olhar para aquele local me fez lembrar das centenas de matérias que li e assisti. Foi o dia mais estranho da viagem, porque não era um passeio turístico. Lembro-me de termos saído de lá mudas.

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As “piscinas” com cascatas simbolizam as lágrimas pelos que se foram

8- O melhor domingo da minha vida foi no Central Park! Passei uma manhã inteira caminhando e tirando fotos do cenário que tanto tinha visto (e continuo vendo) nos filmes e nas séries. Sem destino, sem mapa. Apenas andei, sentei na grama e nas pedras, vi e vivi.

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Tranquilidade e um belo cenário 

9- Um dos arrependimentos que eu tenho foi não ter conhecido de perto a ponte do Brooklin. “É só uma ponte!”. Não, não é! Também não visitamos o parque Luna Park em Coney Island, no Brooklyn (uma das atrações mais tradicionais da cidade, pelo menos entre os americanos); o bondinho que vai para Roosevelt Island; o ginásio Madison Square Garden; e os bairros Soho, TriBeCa e Greenwich. Fica para a próxima!

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Quero atravessar a Brooklyn Bridge apreciando a vista para linha do horizonte de Nova York

10- Eu adoro contar esse episódio porque ele sempre me faz rir. Estávamos perambulando pela região de Lower Manhattan, quando avistei bem grande “National Museum of the Indian”.

– Ah! Eu quero ir! Vamos, prima?

– Renata, é índio americano, tá?

OPS!

Eu desisti de vistar o museu. Acreditava piamente que fosse ver cocares e zarabatanas tupiniquins. Na verdade, eu topava qualquer coisa. Mas viajar demanda tempo, planejamento, money, disposição e muita organização.

NY cansou meus pés, me fez gastar tudo e mais um pouco, mas não me tirou a certeza de que voltarei um dia para:

  • Caminhar pelo Central Park e visitar alguns dos pontos mais icônicos, como o memorial “Strawberry Fields”, a fonte Cherry Hill, o Bethesda Terrace e a estátua de “Alice no País das Maravilhas”.
  • Apreciar Manhattan do alto do Empire State Building. Observar a Big Apple do alto do mais famoso de seus arranha-céus é um programa imperdível!
  • Visitar o Metropolitan Museum of Art (ou Met, para os íntimos) e caminhar pelo “Great Hall” (a entrada principal do prédio), pelo “Charles Engelhard Court” (com suas inúmeras esculturas) e pelo “Templo de Dendur” (paraíso de amantes da história do Egito Antigo), entre outros. 

Boa parte dessas atrações pode ser encontrada no site Virtual NYC, criado pelo NYC & Company, órgão de promoção turística da cidade, especialmente para esse período de quarentena e restrições de viagem. 

Em nota:

Assisti recentemente ao último filme de Woody Allen, “Um Dia de Chuva em Nova York”, uma verdadeira carta de amor do cineasta à cidade de Nova York.

Rodado quase inteiramente em Manhattan, o filme retrata dois namorados, Ashleigh (Elle Fanning), uma atrapalhada estudante de jornalismo, e Gatsby (Timothée Chalamet), um jovem bon vivant e pedante.

Duvido muito você não ter vontade de conhecer NY depois de ver esse longa.

Aprendi a dizer adeus

Eu não queria ter saído da casinha branca e vermelha na Rua Francisco Leitão aos prantos. Mas saí.

Eu não queria ter deixado a redação de muro laranja após ter brigado com a minha ex-chefe. Mas deixei.

Eu não queria ter ido embora carregando um monte de caixas de revistas quando me despediram. Mas fui.

Eu não queria ter pego aquele avião de volta ao Brasil. Mas peguei.

Eu não queria ter subido naquele ônibus de volta a Jundiaí. Mas subi.

Eu não queria ter entrado naquele carro. Mas entrei.

Eu não queria ter descido naquele metrô. Mas desci.

Eu não queria ter virado aquela esquina. Mas virei.

“A vida é uma longa despedida de tudo aquilo que a gente ama”, disse sabiamente o poeta francês Victor Hugo.

E para isso temos braços longos, para os adeuses.

Não foi nada fácil dizer adeuses. Foram tantos tchau, até logo, obrigada por tudo, não se esqueça de mim, valeu, que perdi as contas.

Mas aprendi, a duras penas, que é necessário desapegar.

Foi preciso, a duras custas, me despedir de pessoas queridas para poder ajustar a rota e seguir adiante.

Foram-se os amores, as amizades, os empregos.

As vontades, os sonhos e os planos escapuliram-se das minhas mãos.

Viver é um interminável deixar ir para deixar vir. Ciclos se fechando, outros se abrindo. Numa dança ininterrupta.

Perceber que um ciclo se finda para outro começar, cheio de possibilidades, faz parte da jornada.

Sobre recomeço e novos rumos

Viver é se reinventar.

Novos caminhos chegam para que a vida se renove.

Só que o desconhecido assusta, dá medo, e por isso, apesar das frustrações, quase todos recorrem ao que já conhecem.

Ao longo da vida, fazemos essa travessia (de mudança) incontáveis vezes.

O útero materno vira uma bolsa apertada demais para a nossa necessidade de correr o mundo; o trabalho, que um dia nos fascinou, deixa de nos desafiar; o relacionamento, que antes nos preenchia, não faz mais nossa alma saltitar. E assim por diante.

Na verdade, ansiamos por terra firme, quando “quer estejamos consciente ou não, o chão está sempre se movimentando”, nos lembra a monja budista tibetana Pema Chödrön no livro A Beleza da Vida: A incerteza, a mudança, a felicidade (Gryphus).

A paralisia é contra o pulsar da vida. E o que não se move, congela. Sem movimento, não há mudança e nem renovação. Se percebemos a vida dessa forma, podemos vivê-la com naturalidade.

A vida em nós pedindo mais vida e solicitando nossa participação ativa, o que requer estofo emocional para bancarmos escolhas que podem alterar bastante o nosso jeito de viver e se relacionar.

Baques que fazem doer

A dor da perda é imensurável. Raivosa. Suaviza ao longo dos dias, graças às atividades do dia a dia, mas não desaparece nunca (será?). A gente apenas aprende a viver com ela.

Tem uma hora – e dizem que essa hora sempre chega – que para de doer. A parte chata é que, até parar de doer, parece que não vai parar de doer nunca.

Algumas “perdas” são livramento. Mas isso é assunto para outro post.

A vida é um eterno: rasgar-se e remendar-se!

Eventually time will take the sting away

PODEMOS PERDER MUITA COISA NESSA INTENSA CAMINHADA, MAS O QUE NÃO DEVEMOS NUNCA PERDER É A FÉ!

Não te rendas!

O pior dos temporais aduba o jardim. Sérgio Sampaio.

(Foto: Fineas Anton/ Unsplash)

Abra-se para as mudanças – Por Zack Magiezi

Mudar

De casa

De roupa

De caminho

De certezas

Mudar

De carreira

De meias

De cabelos

De amores

Mudar

De cidade

De calçada

De óculos

De hábitos

Mudar

É deixar com que os lugares

Sintam a nossa falta

Mudar é ir

Ir para uma parte desconhecida

Da nossa própria Geografia

Mudar

para continuar sendo

A versão mais verdadeira

De quem somos.

Reportagem da Ilustrada mostrou recentemente que quando as pessoas passam por separações amorosas, começam a curtir músicas que jamais tinham ouvido antes – não só canções, mas gêneros musicais inteiramente novos.

Não é apenas a “dor de corno” que reabre nosso gosto para o novo. Mudar de um emprego que se tornou parte de sua personalidade tem um impacto tão grave quanto. São rupturas que dão uma espécie de choque neuroestético, que funciona como um “control-alt-del”: “reseta” o sistema operacional de nosso cérebro e deixa a mente aberta a novidades, quase como uma mente que “saiu de fábrica”, por assim dizer.

“Eu me esforço para viver cada dia como se fosse uma vida completa.”
Sêneca

Em momentos de crise, nosso futuro é obscuro. Não podemos mais viver na expectativa sobre coisas melhores que virão. A chave para a realização está em aceitar a incerteza: lidar com um dia por vez e aprender a valorizar cada momento de prazer que ele contém.

Jornada da Escrita Afetuosa + 3 textos

Sempre quis fazer o curso de Escrita Criativa e Afetuosa, da jornalista e escritora Ana Holanda. O curso é um mergulho profundo no processo de escrita.

Nos últimos dias, participei do projeto “jornada da escrita afetuosa”, comandado por ela. Foram cinco encontros online com orientações para que consigamos escrever sobre o momento em que estamos vivendo e, assim, lidar com isso com mais sanidade, equilíbrio e até mais humanidade. 

Ana fala sobre o medo de escrever, de se expor, de parecer piegas. Um encontro que me deu a coragem necessária para colocar minhas palavras, finalmente, no mundo.

Como ela diz: “A palavra nos salva”.

A diferença entre escritores reais e pessoas que sonham em se tornar escritoras é apenas uma: coragem.

Foto: Cathryn Lavery/ Unsplash

Quadrinho

Olho para um pequeno quadro sem moldura e não-terminado no quarto do meu namorado. Sob a tela, estão pintados um mar azul, uma areia dourada e uma cesta de piquenique com frutas vermelhas e toalha azul de bolinhas brancas. E, rascunhados a lápis, um guarda-sol e duas esteiras de deitar.

Fico pensando: quem pintou este quadrinho? Por que começou e não terminou, e por que eu nunca falei dele ao meu namorado? Frequento este quarto há quase cinco anos. Aqui, perdi a conta de quantas vezes já dormi e acordei. Aqui, chorei, ri e emoções eu vivi. Aqui, falei sobre assuntos diversos: da piada do pintinho à doença da minha vó. Mas nunca, nunquinha, perguntei sobre o quadro mal acabado e a sua autoria.

Eu só reparei de verdade nele hoje, porque colocamos uma mesinha bem de frente. Assim, posso usar o computador enquanto passo a quarentena no quarto do meu namorado. E, desse jeito, ficou inevitável ignorá-lo.

Eu poderia escrever sobre como ver a imagem de uma praia me lembrou dos inúmeros momentos em que vivi com os pés na areia (porque, sim, foram muitos!). Mas, confesso: não sou muito fã de praia. Sinto-me a pior das criaturas ao abordar este assunto. Porém, como escrever é um ato de coragem, digo a todos em alto e bom som que praia e queijo não fazem parte da minha lista de coisas preferidas da vida. Agora estou pronta para ser apedrejada.

Se tem a chata da comida, a chata da escola, a chata da família, a chata da academia, a chata da limpeza, a chata do passeio, a chata das compras, a chata do relacionamento, por que eu não posso ser a chata da praia?

Tenho a minha cadeira de deitar e o meu guarda-sol. Não entro no mar, não tomo sol. Não gosto de vento, de correr e de reaplicar protetor solar.

Gosto de sombra, milho e biscoito de polvilho.

Gosto de caminhar, ler e observar o cenário.

Gosto de conversas amenas e cochiladas esporádicas.

Voltando ao quadrinho.

Meu namorado acaba de entrar no quarto. Poderia perguntar a ele, neste exato momento, sobre o tal objeto. Ele poderia me responder: “Ah, este quadro foi pintando pela minha tia. Sei lá porque não está terminado. Dever ter acabado a tinta ou enjoado de pintar”. Prefiro ficar quieta.

Desculpe-me, leitores. Mas não quero saber quem o fez. Imagino que quem os fez escolheu deixar assim, para que possamos refletir sobre coisas que não têm fim, apenas começo e meio, como histórias inacabadas, na qual não sabemos como tudo termina.

Odete

Eu pedi a minha mãe o WhatsApp da Odete, sua prima que mora em outra cidade. Ela me perguntou o porquê e respondi dizendo que gostaria de enviar a ela fotos do nascer e do pôr do sol. Simples assim.

Começamos a trocar mensagens: eu e Odete. Não escrevemos quase nada, no máximo “bom dia” e “boa noite”. Apenas enviamos uma a outra, de forma espontânea, fotos bonitas.

Eu adoro ver o laranja do pôr do sol. Sempre acho que Deus está ali presente.

A primeira vez que avistei Odete foi numa casa de repouso, onde uma tia nossa estava internada. Odete apareceu reluzente: loira, cabelos esvoançantes, olhos azuis, bochechas rosadas e fartas.

Depois, encontrei-a numa festa de aniversário da minha mãe. Odete sempre foi muito simpática comigo. Em nosso último encontro, eu estava bastante triste. Ao me ver, ele disse: “Renatinha, linda como sempre”.

Percebo que Odete, assim com as suas fotos de céu, aparecem na hora certa. Neste tempo duro no qual estamos vivendo, o gesto de Odete me afaga, mesmo à distância e sem palavras.

Foto: Mario Purisic/ Unsplash

O que eu aprendi na quarentena

Aprendi na quarentena a ser mãe de pet.

Nos últimos anos, eu quis ter um gato peludo branco, cujo nome seria Sushi ou Shoyu, ou um cachorro peludinho, fofinho, super comportado, o Ulisses.

Não movi uma palha para tê-los.

Na última semana, um vira-lata caramelo e branco, orelhudo, de dentes tortos e patas longas e finas, apareceu na minha vida. Eu e meu namorado herdamos o Pascal, Pacal, Paquito, Pasca, Pac, Paquí, Quiquito, Quito, Quí, Mozão Piludo, Píqui, Piquí, Pí.

Primeiramente, aprendi que cachorros soltam pelos por toda a casa. Cachorros lambem a gente quando estão felizes. Cachorros querem comer tudo o tempo todo. Cachorros fazem suas necessidades onde der na telha. Cachorros têm hora para dormir e para acordar (a dele). Cachorros querem brincar em momentos inoportunos. Cachorros têm seus brinquedos preferidos, e geralmente são os mais xexelentos. Cachorros precisam ter as patas lavadas antes de entrar em casa – e eles odeiam isso. Cachorros às vezes aparecem cheirando a carniça. Cachorros precisam tomar banho – e eles odeiam isso. Cachorros deixam a casa cheirando a cachorro. Cachorros sabem fazer cara de dó quando querem alguma coisa. Cachorros demandam money. Cachorros levam o dono para passear, e não o contrário. Cachorros levantam-se rapidamente quando você vai para a cozinha. Cachorros querem atenção.

O combinado era deixar o Pascal lá fora, mas – aos pouquinhos – ele foi para a sala, para o quarto ao lado, até que, numa noite, eu o vi na beirada da cama.

Aprendi que ele quer ficar juntinho e, quando não está, eu o quero por perto.

Aprendi que quem cuida se torna potente.

Os animais de estimação têm sido o paradigma da companhia perfeita, afinal, eles nos são fiéis e nunca discordam.

(Foto: Unsplash)

Domingo de Páscoa

Eu nunca desejei tanto um churras familiar como no dia de hoje.

Quero entrar na casa com ares de Disney da Tia Eliana, estreando meu vestido parcelado da Farm.

Quero ver o Tio Fernando ao lado da churrasqueira, segurando o espeto numa mão e a cervejinha na outra.

Quero cumprimentar meus tios “gente boa”, Tiozão e a Vanda. Quero escutar as risadas do Tio Cláudio intercaladas com a sua expressão italiana preferida: “Dio Madona!”.

Quero ouviu meu pai contando uma história engraçada, muitas vezes por influência da caipirinha, ao mesmo tempo em que Fernanda e Nicolas estão mais interessados nas carnes nobres que saem dos espetos.

Quero rir com os meus queridos primos Du e Lari, e relembrar dos causos em Cambury.

Alerta de spoiler: quando finalmente o Du se preparava para usufruir da sua cadeira de sol, de frente para o mar, uma forte onda o atingia levando sua esposa, seus dois jornais e todo o resto. O jeito foi espalhar as páginas dos jornais no quarto e esperar secar para poder lê-los no dia seguinte. Por favor, imaginem a cena. É do Du que estamos falando.

Quero rever Murilo e Amandinha, presenças VIPs que sempre abrilhantam os eventos familiares!

Opa! Biel, Tami e Lulu estão chegando.

A pequena já anda pela casa e fala algumas palavras. Muita fofura para quem tem menos de um metro de altura.

Vejo minha mãe colocando a maionese na mesa de madeira enquanto Tia Elenice termina de mexer o “risóto” sabor moela no fogão. Tio Tutinho e Tia Selma se oferecem para ajudar; Matheus e Felipe, para servir.

Diego está feliz de pé (por que ele nunca senta? Por que ele nunca tá borocoxô?). Ao seu lado, Millene tenta decorar mentalmente nossa árvore genealógica e entender em qual galho entram Nene, Tio Gerardo, Fina e, claro, Ada.

Um pouco atrasados, chegam Alex, Flávia, Bella e Vicenzo, o qual some na mesma hora para jogar bola com o Dani. Bella vem carregada de coisas: toalha para piscina, jogo Detetive e livro de pintar.

Este último chama a atenção da Bárbara, que adora desfrutar de momentos artísticos nos almoços de domingo. Eli também está ali, sempre disposto a cochilar no sofá da sala.

Então, a chegada mais esperada de todas finalmente acontece. Paula, Yuri e Raul. Pela primeira vez, o nosso ursinho sai de casa para passear. Ele está dormindo em seu bebê-conforto, usando macacão novo com cheiro de amaciante Fofo. Todo mundo quer ver, pegar no colo e palpitar sobre as suas feições. Até a Clarinha quer conhecer o novo membro da família.

E a ? A vó Santina permanece sentadinha, observando o ambiente e pensando: “Que paiaçada!”.

Sim, vó, nossos churras são sempre uma paiaçada: começa com falação, parte para a comida e termina com mais falação e mais comida ainda. Mas é uma paiaçada deliciosa e tá fazendo falta!

Paiaçada! (Foto: Cristian Newman/ Unsplash)

Em tempos de coronavírus, coisas inteligentes para fazer

(Foto: Aron Visuals/ Unsplash)

Em casa sim, parada nunca.

A rotina e os bons hábitos produzem equilíbrio em meio aos desafios do momentos.

Neste tempo entre parênteses – expressão usada com tremenda felicidade pelo escritor e jornalista Sérgio Rodrigues para definir estes dias de isolamento -, preencher os dias livres com coisas úteis aumenta a nossa energia e o nosso sentimento de realização.

Manter-me ocupada diminui as possibilidades de perder o ânimo.

Segundo a consultora Marina Carli de Moraes, os pilares físico, mental e espiritual nos auxiliam a investir o nosso tempo com mais sabedoria.

De acordo com a especialista, para manter um equilíbrio e ganhar qualidade de vida precisamos fazer exercícios, consumir conteúdos de qualidade e cuidar da nossa espiritualidade.

O que eu tenho feito durante a quarentena:

Para o CORPO

– Aula de ioga da Bionathus

Link: https://bit.ly/39hTRXz

– Aula de body balance
Links: https://bit.ly/2UGdnaP e https://bit.ly/3aqUcbI

Práticas que estimulam o centramento e o enraizamento, reduzindo a ansiedae.

Para a MENTE

Quarentena Literária

“Se eu estudo, o único aprendizado que procuro é aquele que me diz como conhecer a mim mesmo”, filosofou o escritor francês Michel de Montaigne.

Uma plataforma gratuita para escritores e amantes da leitura, com conexão e literatura para os dias de isolamento.

Encontros literários gratuitos com autores do Grupo Editorial Record, editores e críticos literários. Fique em casa e aproveite para ler e debater com escritores consagrados. 

Casa do Saber

Descola

Para o ESPÍRITO

– A importância da rotina e de bons hábitos

Nesta live você aprenderá a importância e o efeito que a rotina e os hábitos têm na sua vida. Um tema fundamental para períodos em que as pessoas devem ficar em casa ou têm mais tempo para refletir sobre a vida.

Link: https://bit.ly/3aqddv9

– Fórmula para saúde e felicidade

Saúde e felicidade é algo que todos buscam. Mas é possível alcançá-las? Nesta live aprenda o passo a passo para atingir este objetivo.

Link: https://bit.ly/2JgYZ3P

– Mantenha sempre a esperança

A fé em Deus é algo fundamental para manter a esperança em tempos difíceis. Nesta live você aprenderá como fazer para acreditar num futuro brilhante mesmo em meio às adversidades.

– As leis de Aço – parte 2

Segunda parte da série sobre o livro As Leis de Aço escrito pelo Mestre Ryuho Okawa.

– Liberte-se da ansiedade

Como parar de sofrer em meio a tantos pensamentos negativos ou medos? Nesta live você aprenderá como fazer para se libertar disso.

– A Mente inabalável

Nesta live aprenda como desenvolver uma mente inabalável que não se desespera mesmo perante às dificuldades da vida.

– Poder de cura

O poder de cura está dentro de você. Através do controle dos pensamentos e das emoções é possível viver uma vida feliz, saudável e tranquila.

Para os OUVIDOS

Podcasts são boa companhia para os dias de isolamento.

Um Milkshake Chamado Wanda (sempre escuto para caminhar)

Notícias, fofocas, opiniões e bom humor sobre o mundo do entretenimento e a da cultura pop servem de munição para as doses semanais deste podcast . Toda quinta-feira, às 13:17, Phelipe Cruz, Samir Duarte e Marina Santa Helena comentam os acontecimentos mais legais do showbiz.

Filhos da Grávida de Taubaté (comecei a escutar há pouco tempo)

Podfalar

Um podcast com bacharelado em happy hour, mestrado em séries e livros e PhD em palpites e pitacos.

Mamilos

Um podcast semanal que busca nas redes sociais os temas mais debatidos (polêmicos) e traz para mesa um aprofundamento do assunto com empatia, respeito, bom humor e tolerância. Apresentam os diversos argumentos e visões para que os ouvintes formem opinião com mais embasamento. Vai ao ar todas as sextas final do dia.

É Noia Minha?

Podcast sobre noias de @cafremder e convidados. 

Café da Manhã

Estamos bem

Durma com essa

Ouça sobre o fato mais instigante do dia — e que pode continuar a ecoar por aí. De segunda a quinta, no fim da tarde, começo da noite, este podcast traz a notícia de um dia que não acaba aqui.

Fora da Curva

Bobagens Imperdíveis
O podcast de Aline Valek, de Brasília, carrega na construção da narrativa uma cadência literária apaixonante. Vale como conteúdo curioso e também para observar a maneira como ela compõe a história. Ela traz temas curiosos, entrevista pessoas e amarra tudo isso de uma maneira singular. Ao ouvi-la, o sentimento é de estar escutando um amigo contando algo muito interessante, que você não interrompe e faz questão de acompanhar até o final. E assim ela conta, por exemplo, sobre um fotógrafo de tubarões. Mas tudo, através dela, ganha ares de saga. E é isso que, pra mim, torna esse podcast tão bacana.

45 do primeiro tempo
Idealizado e apresentado pelo jornalista Patrick Santos, o podcast nasceu a partir do livro de mesmo nome. Na obra, Patrick conta sobre seu período sabático, um tempo para repensar a própria vida e as escolhas de um jeito singelo e simples – ele não fez uma viagem pelo mundo, mas se redescobriu caminhando pelas ruas do bairro e percebendo o que, antes, era invisível para seus olhos. O podcast traz conversas com pessoas inspiradoras, da executiva que precisou se redescobrir depois de uma demissão ao profissional do mercado financeiro que redefiniu sua vida por meio da meditação. 

Para VER

– Provocações

Comandada por Marcelo Tas, revisita o formato de entrevistas, porém com mais interatividade e tecnologia. O programa conta com quadros inéditos e com forte participação do público por meio das redes sociais.

Roda Viva

O programa proporciona reflexões não só da realidade brasileira e mundial, como do próprio jornalismo e dos jornalistas, por meio da apresentação de ideias, conceitos e análises sobre temas de interesse da população, em um espaço raro na televisão.

Diário de um confinamento

Sim, estamos vivendo uma crise mundial! O maior desafio de saúde do século. Parecem inacreditáveis as notícias com as quais nos deparamos por todos os lados.

O mundo todo está sofrendo com os impactos causados pelo COVID-19, o coronavírus, que pode durar semanas, ou mesmo meses, não sabemos.

O que, no começo, parecia distante da gente, agora nos faz perceber que não existe aqui e nós e eles. Estamos todos conectados, interligados, juntos.

Existem correlações entre todos nós. Não importa de que países provimos, que língua falamos e qual é a cor da nossa pele. Todos, igualmente, contraímos doenças, sentimos o mesmo medo e morremos do mesmo jeito.

Uma frase de Buda já dizia, há 2.600 anos: “Não há nada seguro neste mundo.” Não precisamos entrar em pânico, a vida sempre foi assim. É tempo de reflexão e responsabilidade coletivas.

O isolamento é difícil. Para mim, estar em casa é sinônimo de desemprego, doença ou férias. A incerteza é assustadora, mas nós superaremos mais essa. Sempre, importante lembrar, juntos.

Vamos aproveitar essa pausa forçada para cuidar da gente. Para alimentar nossa alma, recuperar forças, encontrar sentido. 

“Estar em casa é a oportunidade de voltar para dentro de você, um autoconhecimento que é libertador”, filosofou Monja Coen.

#Dia 1

Hoje é quinta-feira, 19 de março de 2020. Desde segunda, estou trancafiada em casa, seguindo as orientações dos especialistas em saúde pública para evitar o contágio do vírus.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit e fui caminhar na avenida.

Eu precisava sair, ouvir podcast, ver rua, ver gente. Afinal, “o escapismo é o que mantém em nós algum entusiasmo”. Foi uma experiência estranha, confesso.

Não havia quase ninguém na rua.

Eu me senti mal por estar fazendo um exercício físico ao ar livre. Vias as pessoas me encarando e apontando: “Olha essa daí, desrespeitando a lei”. Na verdade, era a minha consciência gritando: “Você é uma irresponsável!”.

Havia poucas pessoas caminhando. Quando avistava algum idoso perambulando pela rua, tinha vontade de mandá-lo embora para casa. O shopping e alguns comércios estavam fechados, mas os ônibus circulando.

Fui à farmácia e saí de lá com uma sacolinha, o que me fez sentir melhor: “Pronto, gente! Eu não vim andar a esmo, vim à farmácia”, tentei enganar a mim mesma.

Não há restrições específicas sobre atividades físicas ao ar livre, mas a recomendação básica é para sair de casa apenas quando necessário.

Dia #2

Hoje é sexta-feira, 20 de março de 2020. Desde segunda, estou confinada em minha residência.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Acredito que TUDO SEMPRE PASSA! Seja qual for a crise ou o problema, não irá durar para sempre.

Sim, vai passar, mas vai deixar rastros.

Dia #3

Hoje é sábado, 21 de março de 2020.

Acordei às 8h30. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Acabei de ler: “A pandemia vai passar, até lá, tente não se desequilibrar”.

O que eu estou fazendo para não me desequilibrar?

Estudando e investindo tempo em conhecimento.

Shakyamuni Buda ensinava que quando você investe no seu aprendizado e desenvolvimento isso se torna amor para as pessoas ao redor. Num primeiro momento, o estudo árduo pode parecer egoísmo, porém o aprendizado pode ser compartilhado com outras pessoas e isso se torna um ato de amor.

Criei uma rotina de estudos para manter a MENTE em movimento:

Além da rotina de exercícios físicos e ioga para manter o CORPO em movimento.

Em tempos de confinamento contra o novo coronavírus, especialistas lembram que é preciso se exercitar dentro de casa para evitar outros problemas de saúde. 

Quarentena não é o momento de ficar parado, é apenas para ficar em casa. O exercício auxilia no relaxamento do corpo, na liberação de toxinas produzidas nos momentos de estresse. 

Sobre ficar offline

A overdose de informações pode ser sufocante para muita gente. Então, por que não fazer coisas que não envolvam a internet?

Dá para passar o tempo lendo, colorindo um livro de desenhos. Eu resolvi montar um quebra-cabeça.

Escreva, cante, pinte, grave vídeos. Perceba como ao invés de passar seu tempo de forma passiva consumindo conteúdos, você pode ser um produtor deles.

“Esta quarentena será o que fizermos dela. Ela será uma para quem fica matando o tempo e outra se você não matar e sim nascer com o tempo”, escreveu o publicitário Nizan Guanaes.

Dia #4

Hoje é domingo, 22 de março de 2020.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit e fui caminhar pelo quarteirão.

O bairro? Mudo, deserto, fantasmagórico.

O cenário todo está uma coisa meio distópica, de ficção científica.

Mas, como disse uma amiga: “Tudo isso serve para aprendemos a desacelerar. Estamos sempre no futuro. Como ele não existe, o lance é aproveitar ao máximo cada dia”.

Foque os dias.

O dia é a única unidade de tempo em que tenho que fixar minha cabeça. O dia tem um ritmo. O sol nasce. O sol se põe. Eu consigo lidar com um dia.

“Um dia de cada vez. Parece tão simples. Na verdade é simples, mas não é fácil: requer uma enorme persistência e uma estrutura cuidadosa”, apontou o ator Russell Brand.

Por aqui, um passo de cada vez.

Dia #5

Hoje é segunda, 23 de março de 2020.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Sem mais.

Dia #6

Hoje é terça, 24 de março de 2020.

Acordei às 10h. Fiz aula de ioga online.

O historiador Leandro Karnal reflete sobre a solidão sempre ser vista com desconfiança, lembrando que “o pior castigo da penitenciária é a solitária”⁣.

Por outro lado, na dose certa, a solitude, nome que Karnal dá ao lado bom da solidão, é produtiva e essencial.

O historiador cita a Bíblia, em que Deus teria dito: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e corresponda”.⁣

Mesmo que considere que somos seres sociáveis e de bando, Karnal reforça que a solitude é de suma importância para o autoconhecimento e essencial para a existência.⁣

Para mim, solidão é bom quando tem hora para acabar.

Isolamento é uma coisa, solidão é outra.

“A solidão é uma das nossas características existenciais, sentida de diferentes maneiras por cada um. Aceitar isso talvez seja o primeiro passo para relacionamentos amorosos mais ricos, longe da expectativa de que o outro nos livre da condição de seres solitários”, mencionou a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins.

Dia #7

Hoje é quarta, 25 de março de 2020.

Acordei às 10h. Fiz aula de body balance.

“A pandemia deixa claro que não estamos todos no mesmo barco. Ou estamos, mas tem gente remando e tem gente tomando sol na proa”, registou o escritor Gregorio Duvivier.

Dia #8

Hoje é quinta, 26 de março de 2020.

Fui ao supermercado usando luvas de látex, as quais me incomodaram um pouco.

Um clima de normalidade estranha pairava no ar. Pouquíssima gente usando máscaras. Confesso que a máscara me dá angústia com o bafo quente circulando.

Dia #9

Hoje é sexta, 27 de março de 2020. Tive uma pequena crise de ansiedade durante a manhã.

Precisei tomar um remédio (receitado por um médico) e repetir várias vezes para mim mesma que estava “apenas” ansiosa.

Dia #10

Hoje é sábado, 28 de março de 2020.

Dei três voltas pelo quarteirão ouvindo podcast.

Dia #11

Hoje é domingo, 29 de março de 2020.

Ninguém viveu, ou nem sequer imaginou viver, época como esta. É tudo novo. Inusitado. Absurdo.

A covid-19 nos mostra que “um por todos e todos por um” não é clichê – é só sobrevivência.

Dia #12

Hoje é segunda, 30 de março de 2020.

Mais um dia confinada em casa, como parte dos cuidados contra o coronavírus.

Às vezes, eu me desligo da realidade. Sem pensar em mais nada.

Dia #13

Hoje é terça, 31 de março de 2020.

Estamos vivendo tempos estranhos. Nunca estivemos tão conectados, mas ao mesmo tempo nunca nos sentimos tão solitários.

Dia #14

Hoje é quarta, 1º de abril de 2020.

“Sinta prazer em sua sua própria companhia”, elaborou Monja Coen.

Dia #15

Hoje é quinta, 02 de abril de 2020.

O tempo marcha num passo estranho. Todos os dias parecem iguais.

A quarentena lembra o roteiro de “Feitiço do Tempo”, filme em que o personagem de Bill Murray fica preso em um detestável dia de inverno.

Dia #16

Hoje é sexta, 03 de abril de 2020.

Estou isolada em casa fazendo muito pouco.

Dia #17

Hoje é sábado, 04 de abril de 2020.

É praticamente o mesmo dia após dia.

Dia #18

Hoje é domingo, 05 de abril de 2020.

Tenho vivido dias de pouca vontade e de pouca esperança. Estou cada vez mais conectada e dependente das redes sociais.

Dia #19

Hoje é segunda, 06 de abril de 2020.

Leio (mais uma vez) Leandro Karnal, historiador e um dos maiores pensadores contemporâneos no Brasil:

“Quando você não fala e o mundo ao seu redor não fala, você escuta coisas novas sobre você mesmo. Muda um pouco nossa percepção do mundo, de nós e assim por diante”.

Para a psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP, Carmita Abdo, “estamos tendo oportunidade de ouro para aprendermos sobre nós no isolamento”.

Dia #20

Hoje é terça, 07 de abril de 2020.

Há um mês meu sobrinho nasceu. Raul é nosso bebê “coroner”.

Dia #21

Hoje é quarta, 08 de abril de 2020.

“Infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer”. Lá nos anos 80 o Guilherme Arantes cantou isso aí e ele estava tão certo que a gente repete até hoje.

Dia #22

Hoje é quinta, 09 de abril de 2020.

Tenho passado os dias quieta. Não sei quem vai surgir da porta para fora quando tudo isso passar.

“A melhor maneira de se esquecer do tempo é usá-lo”, disse o poeta francês Charles Baudelaire.

Dia #23

Hoje é sexta, 10 de abril de 2020.

É preciso manter a mente e o corpo sãos.

“Agora em casa, a gente está tendo tempo e silêncio para ouvir a nossa voz de dentro. Ouvir nossos desejos, questionar nossas decisões e as decisões das pessoas a nossa volta. E muita gente está sentindo que a voz interior delas está falando o oposto do que a vozes exteriores querem dela. Seja no trabalho, nos relacionamentos, em qualquer esfera da vida”, escreveu o roteirista M.M. Izidoro.

Dia #24

Hoje é sábado, 11 de abril de 2020.

Esta semana estive sem nenhuma ideia do que escrever. O medo do incerto é real.

Dia #25

Hoje é domingo de Páscoa, 12 de abril de 2020.

A Páscoa mais estranha das nossas vidas. Da minha vida, pelo menos.

O momento nos exige sacrifício.

O cenário é incerto. Não tem como voltarmos a sermos como éramos antes (enquanto não for desenvolvida uma vacina).

Dia #26

Hoje é segunda, 13 abril de 2020.

Estamos assim: um dia de cada vez.

Participei do Café Online “Manual Prático de Autocuidado”, com a professora Desirée Cassado, da The School Of Life. Foi muito bom! Clap-clap-clap!

Dia #27

Hoje é terça, 14 de abril de 2020.

Niver da minha sobrinha Isabella. A Shirley, a Jéssica, a Jennifer. A Tchu, a Tchuca, a Twelves.

Niver do meu primo Murilo.

Dia #28

Hoje é quarta, 15 de abril de 2020.

Niver da minha amiga Juby, a Juca.

Vim para Boiçucanga, um mix de retiro espiritual com spa. Um lugar seguro para viver esses dias assustadores.

Em um de seus últimos contatos com a editora Nova Fronteira, sua atual casa editorial, o escritor Rubem Fonseca confirmou que continuava ativo.

“Todo dia eu leio, todo dia eu escrevo”, disse à editora num dos últimos contatos.

Dia #29

Hoje é quinta, 16 de abril de 2020.

Niver do meu primo Diego.

Essas citações me deram um nó na garganta:

“Sim, pode ser somente uma gripe para alguns. Mas para outros custa a vida. Quando é só estatística, a gente só observa … Mas quando falamos de um familiar, no caso uma prima minha, dói na alma. Uma jovem com todo futuro pela frente… Que Deus nos console (…) Acreditem, esse vírus mata“, publicou a parente de Kamylle Ribeiro, de 17 anos – vítima mais nova de Covid-19 no Rio de Janeiro.

“Esse vírus não é brincadeira. Eu sou uma vítima do coronavírus, minha filha também. Eu já estou em casa, minha filha continua no respiradouro no hospital. Vamos orar por todos que estão internados, entubados e precisando de oxigênio, antibióticos e cuidados no hospital”, postou a mãe, uma semana antes de a filha falecer.

Sou um ser humano, sinto as dores do outro, jamais poderia me sentir plena enquanto o mundo trava uma guerra contra um vírus.

O medo da morte se mistura, então, ao medo do futuro. “O que vai ser quando a grana acabar? Quando vou conseguir um novo trabalho? Quem contrata em tempos de recessão? Difícil não entrar em pânico”, escreveu a jornalista Lia Bock.

Livro “Walden”, ou “A vida nos bosques”

Em 1854, buscando distanciar-se de uma sociedade cada vez mais complexa, H. D. Thoreau retira-se para a propriedade de um amigo às margens do lago Walden, por dois anos e dois meses. Na pequena cabana na floresta, adapta as suas habitações e constrói seus móveis, planta os alimentos que consome e os prepara, faz descobertas espirituais. Por meio de uma vida simples e autossuficiente, cria sua utopia.

Ainda que seja uma crítica à vida urbana do século 19, Walden ainda é capaz de suscitar importantes reflexões sobre nosso modo de vida. Em mais de um século de existência, tornou-se uma referência para movimentos libertários, ecologistas e todos os que buscam uma vida mais harmônica.

Essa obra traz ensinamentos úteis a quem enfrenta uma quarentena. Thoreau decidiu viver deliberadamente, confrontando os fatos essenciais da vida e criticando a forma mesquinha como vivemos, com desejos que serão sempre impossíveis de saciar.

Simplifiquem

Há tantas inutilidades que fomos acumulando sem propósito que só servem para acumular pó em excesso.

O filósofo Mario Sergio Cortella diz que “muita gente tem muita coisa e isso agora de nada serve (…) A noção de riqueza terá de ser alterada. É o velho dilema que muitas vezes a gente conversa na filosofia: você, atravessando o deserto, precisa de um gole de água. De nada adianta que você tenha muitos diamantes em sua bolsa, que você tenha muito ouro pendurado no seu corpo. O que precisa é de água. Portanto, a noção de riqueza terá de ser alterada”.

Thoreau ensina: NÓS SOMOS A NOSSA PRIMEIRA COMPANHIA.

“Se não a suportarmos agora, se a tememos, se a desprezamos, dificilmente seremos boa companhia para alguém”, diz.

Se essa quarentena não servir para visitarmos o nosso reino abandonado, para abrir as janelas, para podar o jardim, servirá para quê?

Quando perdemos o temor da solidão, a própria solidão deixa de ser solidão. E o silêncio deixa de ser silêncio porque passaremos a escutar “tudo que o vento traz”.

“Dirige teu olhar para dentro de ti/ E mil razões encontrará ali/ Ainda ignotas (desconhecidas). Percorre tal via/ E mestre serás em tua cosmografia”, registrou Thoreau.

Temos que aprender a passar tempo com nós mesmos. Não devemos transferir a responsabilidade da nossa alegria para outras pessoas. Isso não significa se isolar ou ser antissocial, mas, como diria Jean-Paul Sartre, “se você se sente só quando está sozinho, é porque está em má companhia”.

Que utilizemos esses tempos difíceis para aprendermos a conviver com nós mesmos. Só assim conseguiremos desfrutar da nossa própria companhia e de outras pessoas quando tudo isso acabar.

Dia #30

Hoje é sexta, 17 de abril de 2020.

Niver do meu primo Biel.

Passados 30 dias em quarentena, já não lembro mais como é usar maquiagem e sapatos. 

Que problemão, hein, princesa? 

Leio Tati Bernardi: “Eu tenho motivos pra estar angustiada e louca e sofrendo? A maioria das vozes da minha cabeça dizem que não, porque sou privilegiada. Eu tenho que fazer doação e cuidar dos velhos da família”.

Obviamente, a vida continua, só que num ritmo completamente diferente.

“Permanecemos em casa lendo livros e assistindo a séries, mas na realidade nos preparamos para uma grande batalha pela nova realidade que nem sequer conseguimos imaginar, percebendo, aos poucos, que nada será como antes“, citou Olga Tokarczuk, polonesa que venceu o Nobel de literatura.

Dia #31

Hoje é sábado, 18 de abril de 2020.

Assisto ao noticiário monotemático, atualizo o número de mortos e infectados, acompanho a curva da pandemia e, temerosa, aguardo o pico e o porvir. Em tempos de pandemia, buscar informações de qualidade e bem acurada é imprescindível.

Desde que o vendaval da Covid-19 começou, a doença é o tema diário da imprensa.

Assisti também a Nada Ortodoxa, uma minissérie em quatro episódios, recém-lançada pela Netflix.

Dirigida pela alemã Maria Schrader, é baseada na história de Deborah Feldman, que em 2012 publicou um livro relatando a vida em uma comunidade de judeus ortodoxos em Nova York e a sua fuga e “renascimento” em Berlim.

Falada em iídiche e inglês, a minissérie descreve a situação da protagonista Esther “Esty” Shapiro (Shira Haas) dentro do grupo religioso. É um universo em que o rabino é um líder com amplos poderes sobre a comunidade, os casamentos são arranjados, os bons homens se dedicam ao estudo e as mulheres cuidam do lar.

Ainda que sobre um universo específico, “Nada Ortodoxa” reflete sobre temas bem atuais e universais, como mecanismos da opressão de gênero.

Dia #32

Hoje é domingo, 19 de abril de 2020.

Vida normal. Não são férias. Quando voltará ao normal? Ninguém sabe ao certo.

Não saber é uma das angústias desta peste. Não sabemos quantas pessoas morrerão. Se teremos parentes e amigos que morrerão. Se contrairemos a doença.

Dia #33

Hoje é segunda, 20 de abril de 2020.

Niver da vó Santina.

Acordei antes das 7h. Levei o dog para caminhar ouvindo podcast. Fiz um pouco de abdominais. Tentei montar quebra-cabeça. Não deu certo. Estou no computador desde então.

“A vida depois do coronavírus será diferente”, disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Dia #34

Hoje é terça, 21 de abril de 2020. Keep a routine.

Acordei antes das 8h. Fiz aula de body balance. Almocei muito bem: arroz integral, feijão carioca, iscas de peixe empanado e salada.

Estou trabalhando num ateliê de ideias.

Cheguei à conclusão de que Leandro Karnal é a melhor pessoa do mundo!

Dia #35

Hoje é quarta, 22 de abril de 2020.

Este momento, de crise e incertezas, em que estamos vivendo requer paciência e sabedoria — como tudo na vida.

Ninguém tá gostando de ficar em casa.

Dia #36

Hoje é quinta, 23 de abril de 2020.

Fiz uma prática de ioga com o aplicativo Down Dog. A dica veio da Bruna Cosenza, do blog Para Preencher. Gostei bastante!

Se a doença me assusta (e ela assusta!), é porque eu tenho amor a vida!

Dia #37

Hoje é sexta, 24 de abril de 2020.

Aparentemente o tédio dá fome. Nossas emoções estão à flor da pele; realmente, dá mais vontade de comer.

Li a receitinha abaixo e adorei:

* Quando bater a bad ou se pegar um pouco insegura, dá uma ligada para alguém que te faça sentir bem. *

Dia #38

Hoje é sábado, 25 de abril de 2020.

Estou aprendendo a viver um dia por vez, a olhar de forma amorosa e gentil para mim e, principalmente, acolhendo-me durante os processos.

Dia #39

Hoje é domingo, 26 de abril de 2020.

O que será de maio?

O que vai ser o novo normal?

O vírus vai continuar circulando.

Dia #40

Hoje é segunda, 27 de abril de 2020.

Tenho buscado me alimentar de equilíbrio e de coragem para não sucumbir ao pânico e à depressão. 

Querido, diário

Paro hoje de escrever sobre o meu dia a dia e as minhas aspirações durante a quarentena. Mas, antes de ir, deixo um recado para você, Renata:

Movimente-se, faça exercícios, dance, deixe as energias fluirem através de você e a seu favor.

Estimule também a sua mente. Leia um livro, se inteire sobre as notícias, participe de conversas interessantes.

Parar trará inquietação e acúmulo de energia, o que você deve evitar.

Torne-se interessante aos seus próprios olhos. Invista em suas habilidades, faça da sua luz interna uma tocha acesa.

Viver é um projeto de consciência e de conhecimento. Melhore!

Combinado?!

PS: A gente vai ter de inventar um jeito novo de fazer as coisas.

I keep a diary for many reasons, but the main one is: It helps me pay attention to my life. By sitting down and writing about my life, I pay attention to it, I honor it, and when I’ve written about it long enough, I have a record of my days, and I can then go back and pay attention to what I pay attention to, discover my own patterns, and know myself better. It helps me fall in love with my life.Austin Kleon 

Para a psicanalista e filósofa Viviane Mosé, autora de “Nietzsche hoje” (Vozes, 2018), a filosofia de viver o dia se encaixa perfeitamente no contexto de pandemia. “O vírus é parte da vida, da natureza. Estar isolado devido a uma doença é parte da vida. Viva o seu dia, viva o isolamento, viva o estar sozinho. Viva a angústia, o medo, o momento de euforia. Viva da melhor maneira possível. Viver o seu dia é a melhor referência que nos posiciona no tempo, no instante e no agora. Fugir do instante, planejando projetos e futuros que podem nunca se concretizar, é viver em uma bolha”, analisa.

Duas de mim

(Foto: Abigail Low/ unsplash)

Tem uma Renata que se acha independente, forte e empoderada. Tem uma Renata calada e perdidamente apaixonada.

Tem uma Renata que adora uma mesa de trabalho bagunçada. Tem uma Renata que gosta de uma cama desarrumada.

Tem uma Renata que quer falar sobre bullying, homofobia, feminismo, racismo, veganismo. Tem uma Renata que quer se calar diante tudo isso.

Tem uma Renata com ambição. Tem uma Renata com coração.

Tem a Renata racional. Tem a Renata animal.

Tem a Renata que foca e decide. Tem a Renata que enrola e desiste.

São duas Renatas diferentes. A de calça jeans e a de shorts jeans. A de cabelo solto e a de cabelo preso.

A corajosa e a medrosa.

A confiante e a meliante.

A carente e a crente.

A gata e a rata.

A charmosa. A amorosa. A dengosa.

A desastrada. A perturbada. A sensata.

Tem a Renata sonhadora. Tem a Renata usurpadora.

A carismática e a asmática. A bem-humorada e a emburrada.

Tem duas de mim.

Duas ao mesmo tempo. Duas em tempos separados.

Duas que se fundem. Duas que se opõem.

Duas que se vêm. Duas que se vão.

Você cuidar de si?

Gostar de si é a base do cuidado que podemos dedicar a nós mesmos e aos outros

A falta de conhecimento de si é um grande problema que vivemos enquanto sociedade que, ao mesmo tempo em que se pensa conectada, está mais desconectada do que nuca.

O Sol, o céu, a Lua, somos cercados por poderosas forças para contemplar e mergulharmos em nós mesmos para conhecermos o fundo de nosso próprio mar.

“Cuidar de si mesmo é a forma de tomar seu poder pessoal de volta”, escreveu Tadashi Kadamoto.

“Cuide de si mesmo como você cuidaria de alguém que você ama”, complementou.

Ser gentil com a gente mesmo é poderoso.

(Foto: Boris Smokrovic / Unsplash)

Já nos ensinou a escritora Audre Lorde que o autocuidado é revolucionário e buscar algo que nos eleve a alma é antídoto contra a dor.

“O autocuidado é revolucionário em seu poder curativo e transformador – quando nos nutrimos, nos tornamos o tipo de pessoa que aspiramos ser, revolucionando as próprias vidas”, escreveu Susy Reading, autora do livro Self-Care Solution: Smart Habits & Simple Practices do Allow You to Flourish (Solução de autocuidado: hábitos inteligentes e práticas simples para permitir que você floresça, em tradução simples).

“O autocuidado é uma arte porque nossas necessidades estão sempre mudando e é preciso uma percepção real para checar, perceber e depois tomar a ação apropriada e amorosa que nutre não apenas no momento, mas também a pessoa que estamos nos tornando”, disse Suzy.

Para mim, autocuidado é uma jornada diária de tentar entender cada vez mais o que me faz bem e mal. E sinto que faz muita diferença quando consigo respeitar minhas necessidades.

O autocuidado vira uma porta de entrada para nos conectarmos com quem somos e olhar nossas verdadeiras necessidades.

“A gente vive num mundo que nos chama o tempo todo. E uma dica é visitar a solidão que traz uma conexão mais profunda e delicada com a gente mesma”, falou a psicóloga Myrna Coelho.

“E se cuidar também é aceitar a vulnerabilidade”.

Cuidar de si é uma jornada de se enxergar, de nutrir um amor por você.

Cuide-se

Não se abandone

Permaneça

Supere as dificuldades

Admire o ser humano que você é

Zack Magiezi, poeta

Lembre-se: você tem uma resiliência – capacidade de se adaptar ou de se recuperar facilmente – muito maior do que imagina!

Se Deus criou o homem, uma parte de Deus reside em cada ser humano.

Mas, o que é Deus? Deus é luz. Deus é a própria luz, e uma parte dessa luz reside dentro de você; portanto, tenha mais confiança em si mesmo.

“Você abriga em si muito mais potencial do que já se deu conta. Você tem uma grande força interior capaz de modificar a si mesmo”, expressou Mestre Ryuho Okawa, da Happy Science.

Seja uma garota rebelde

É preciso conhecer o caminho percorrido por aquelas que nos antecederam. Aprender com mulheres que desafiaram seu tempo e construíram um legado e chão batido para que outras pudessem caminhar.

O livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes, das autoras Francesca Cavallo e Elena Favilli, reúne biografias de mulheres que provam a força de um coração confiante.

Ao ler esta obra, tudo o que podemos sentir é esperança e entusiasmo pelo mundo que estamos construindo.

Um mundo onde gênero não define quão alto você pode sonhar nem quão longe você pode ir.

Para as garotas rebeldes de todo o mundo:

“Você é a promessa

Você é a força

Não dê um passo atrás.

E, assim, todo mundo vai avançar”.

Sobre Eleanor Rooselvelt

  • Soube pensar, ser livre e independente.
  • Como primeira-dama, Eleanor fez discurso, viajou por todos os estados e tornou-se defensora dos direitos humanos. Ela acreditava que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, e estava determinada a promover esses direitos em todo o mundo.
  • Eleanor foi nomeada a delegada da ONU. Ela se tornou a presidenta da Comissão de Direitos Humanos e liderou a criação de um dos documentos mais importantes do século XX: a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  • Este belo documento inspirou governos a aprovarem leis que protegem a vida humana e encorajou cidadãos a tomarem providências quando seus direitos fundamentais lhes fossem negados. Graças a Eleanor – e ao incansável trabalho de muitos representantes de todo o mundo – liberdade, igualdade, dignidade, respeito e segurança se tornaram objetivos comuns para todas as pessoas em todas as nações.

“Todos os dias, faça uma coisa que te assuste”.

Sobre a ultramaratonista Lowri Morgan

  • Nasceu no Reino Unido, em 1975.
  • “A maior glória não está em nunca cair, mas no modo como nos levantamos”.
  • “Adoro olhar para trás, para o vale da montanha, e pensar ‘uau, não acredito que cheguei tão longe’”.

Sobre a mergulhadora Johanna Nordblad

  • Se não fosse pelo acidente, Johanna talvez não descobrisse o prazer de mergulhar no gelo. Ela diz que, às vezes, uma maldição na verdade pode ser uma benção disfarçada.

Sobre a empresária Madam C. J. Walker ( a série “A Vida e a História de Madam C.J. Walker” está na Netflix)

  • A primeira mulher nos Estados Unidos que, tendo começado do zero, tornou-se milionária.
  • “Não estou satisfeita em ganhar dinheiro só para mim, eu me esforço para oferecer emprego a centenas de mulheres negras”.

Sobre a ginasta Nadia Comãneci

  • “É preciso descobrir sozinha seu próprio destino e a rota para chegar lá, pois ninguém mais sabe o caminho”.

Sobre a ativista Ruby Nell Bridges

  • “Não siga o caminho. Vá onde ainda não há um caminho e comece uma nova trilha”.

Sobre a relojoeira Corrie Tem Boom

  • Nasceu na Holanda/ 1892-1983.
  • “A medida da vida, afinal, não é sua duração, mas sua doação”.

Sobre a revolucionária Anita Garibaldi

  • Nasceu no Brasil.
  • 30/08/1821 – 04/08/1849.
  • “Não tenha medo de viver, de correr atrás dos sonhos. Tenha medo de ficar parada”.

Sobre Audrey Hepburn

  • 04/05/1929 – 20/01/1993.
  • “Conforme você cresce, vai descobri que tem duas mãos: uma para ajudar a si mesma e outra para ajudara os outros”.

Sobre a escritora Chimamada Ngozi Adichie

  • Nasceu na Nigéria em 15/09/1977.
  • “Algumas pessoas dizem que as mulheres devem ser subordinada aos homens porque é assim na nossa cultura Mas a cultura está sempre mudando! Cultura não faz as pessoas. As pessoas é que fazem a cultura!”.
  • “O racismo nunca deveria ter acontecido, então você não vai ganhar um parabéns por ajudar a reduzi-lo”.

Sorria, por Charles Chaplin

Photo by Edo Nugroho on Unsplash

Toda vez que estou meio borocoxô releio este poema. De mim para mim mesma:

“Ei! Sorria… Mas não se esconda atrás desse sorriso…

Mostre aquilo que você é, sem medo.

Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.

Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.

Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.

Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!

Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.

Procure o que há de bom em tudo e em todos.

Não faça dos defeitos uma distância, e sim, uma aproximação.

Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.

Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.

Ei! Olhe… Olhe a sua volta, quantos amigos…

Você já tornou alguém feliz hoje?

Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?

Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.

Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.

Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.

Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.

Ei! Ouça… Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.

Suba… Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo.

Mas não se esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.

Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.

Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.

Ei! Você… Não vá embora.

Eu preciso dizer-lhe que… Te adoro, simplesmente porque você existe.”.