Escreva uma carta

‘Cartas de Amor aos Mortos’, de Ava Dellaira, foi o último livro que eu li. Porque eu adoro cartas. Porque eu adoro livros que contêm cartas. Porque eu escrevo cartas as quais nunca enviei.

Tudo começa com um tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para:

  • Kurt Cobain
  • Janis Joplin
  • Amy Winehouse *
  • Heath Ledger
  • River Phoenix
  • e outros que já se foram

O que parecia uma simples lição de casa logo se transforma na maneira de Laurel lidar com seu primeiro ano em uma escola nova e com a família despedaçada depois da morte de sua irmã.

Inteligente, linda e extrovertida, May era tudo o que Laurel gostaria de ser, sua verdadeira inspiração, principalmente depois de os pais das duas se separarem. Com a morte de May, a outra se muda de escola para evitar os olhares curiosos dos colegas e acaba na mesma escola de Sky, um garoto misterioso, e de Hannah e Natalie, duas amigas inseparáveis que se aproximam de Laurel. A garota se apaixona, arranja novos amigos e tenta seguir com a vida, mas a dor da perda insiste em atormentá-la.

Uma história brilhante sobre a coragem necessária para continuar vivendo depois que nosso mundo desmorona. Uma celebração comovente do amor, da amizade e da família.

Sempre me interessei por cultura pop, filmes, músicas, livros e o significado deles para pessoas que enfrentaram traumas ou apenas as dificuldades do dia a dia. Acredito que eles proporcionam um senso de pertencimento ou algo a que se ater. Eu perdi minha mãe pouco antes de começar a escrever o livro. Estava no processo de luto, e como as cartas ajudaram Laurel a superar sua perda, escrever Cartas de Amor aos Mortos fez algo similar por mim – Ava Dellaira.

Ela tinha talento, tinha dinheiro, tinha personalidade. Ela só não tinha quem secasse suas lágrimas e, por isso, sentia como se não tivesse nada. No fundo somos todos um pouco Amy Winehouse.

Escrever me ajudou quando eu perdi a minha mãe. Depois de lançar meu livro, eu criei uma área em meu site na qual as pessoas podem postar suas próprias cartas de amor aos mortos e me surpreendi com o resultado – recebemos muitas mensagens, todas intensas e diferentes. Sinto que muitas pessoas estão fazendo isso porque simplesmente precisam escrever, dizer o que sentem de alguma forma. Essa é uma prova do poder da escrita no processo de superação. Não é algo instantâneo, você não coloca algo no papel e logo está curado, mas é uma forma de se conectar com o que está sentindo e expressar esses sentimentos – Ava Dellaira.

* A verdade nua e crua das músicas de Amy Winehouse não eram confortáveis. Incomodavam, entristeciam, mas, ao mesmo tempo, libertavam muita gente da obrigação de dizer “está tudo bem”. Às vezes não está e precisamos falar sobre isso.

Ela foi para a sua nuvenzinha

A Flávia foi embora. Partiu para a sua nuvem.

Nós conversávamos muito sobre ela: a morte. Nós conversávamos muito sobre tudo. Teve uma vez em que eu fui vistá-la na sua casa, em Jarinu. Cheguei logo depois do almoço e saí de lá quase meia-noite. Durante todo esse tempo, ficamos sentadas na mesa da sala tagarelando enquanto o Keko (seu marido) limpou o quintal, limpou a piscina, limpou a cozinha, levou o Gabriel (seu filhote) na casa do amigo, foi à padaria, buscou o Gabi.

Naquela tarde, nós comemos um bolo e um pacote de bolacha cream cracker inteiro com geleia de morango, bebemos três xícaras de chá, duas de café e um copo de suco. Assunto e apetite não nos faltavam. Não porque éramos duas jornalistas famintas, mas sim porque tínhamos uma conexão incrível e uma fixação por cachorro-quente (mesmo eu sendo vegetariana, às vezes) e torrada com alho às 8h da manhã.

Nós éramos capazes de ficar por horas falando sobre ela: a vida. Tanto que, naquela noite, ao chegar em casa, eu enviei esse trecho de um artigo da Folha a ela:

Eu tenho mania de apagar tudo, mas esse print se manteve intacto na minha galeria.

Eu a amei desde o primeiro dia em que a vi.

Ela era a boneca Barbie da Viúva Porcina e eu adorava isso. Havia a Flávia versão country (que eu chamava de Barbie Rodeio), versão praiana (a Babie Havaí), versão executiva (a Barbie CEO), versão gala (a Barbie Festa). Tudo o que ela colocava tinha a ver com o tema do dia: dos pés à cabeça. Uma Barbie de carne e osso, com colar de pérolas, delineador gatinho e batom vermelho, com roupas da Itália (de Jarinu rs).

Como eu disse lá no começo, nós conversávamos muito sobre ela: a morte. Sempre de forma leve, bem-humorada, mas nem por isso eu deixava de acreditar em suas palavras. Ela costumava dizer que quando chegasse ao céu haveria uma nuvem só para ela, espaçosa e luxuosa. Quando alguém agia de forma ríspida, a loira mandava essa: “Olha que eu não te recebo na minha nuvenzinha!”.

Imagino a nuvenzinha da Flávia toda forrada de animal print, com todos os seus móveis que ela adorava, TV ligada no canal E!, wi-fi bombando, petiscos e bons drinks para as visitas. Hoje, a nuvem da Flá deve estar mega movimentada, um auê danado, enquanto nós, daqui debaixo, sentimos sua partida com uma tristeza sem tamanho.

Na última vez em que trocamos mensagens, eu falei para a Flávia ficar no seu quentinho. A resposta virou até post (de longe, o melhor texto que eu já escrevi). Ela me respondeu com um eu te amo + três corações verdes. Hoje, eu falo para a Flávia me esperar na sua nuvenzinha e te mando, daqui debaixo, um eu te amo pra sempre + infinitos corações verdes.

Quer sorte eu tive em te ver assim, de pertinho, em tantas terças-feiras de manhã. Ah, essa foto eu peguei de um texto do jornalista Thiago Godinho.

Renata: Miga, tô com medo.
Flávia: Medo do quê?
Renata: De morrer…. Não quero morrer e ter que passar pelo túnel escuro!
Flávia: Miga, a ressurreição é algo maravilhoso! Você vai ver quando chegar a hora… E eu vou estar lá te esperando…
Renata: Promete?
Flávia: Prometo! 💚💚💚

Ah! Não consigo falar da Flávia sem pensar em duas pessoas que eu conheci por causa dela: Neide, você é o meu presente da vida! Lili, você é a versão morena da loira. Eu a vejo em você, sabia?

Numa noite de julho
Para Flávia Fernandes

Virando pó, pozinho
Sozinho e sem direção
Nada muda nessa vida
A não ser esse medo
Da solidão

Virando só, sozinho
Poeira varrida no chão
Da sala oriunda do ar
Varanda aberta ao léu
Caminho da rua
Imensidão do céu

Virando nada, nadinha
Coisa maluca essa de morrer
De deixar coisas desencontradas
Não ver mais as pessoas
Com tantos livros a ler
E filmes a assistir
Canções a conhecer
Para cantarolar na imensidão

Virando saudade, imensa
Coisa que ficou engasgada
Notícia tão importuna
Nessa noite de julho
Onde as estrelas brilham
Aquecem e chamam nossa atenção
E num rabo de cometa
Um brilho azul acena
À Terra
Estou logo ali
Num piscar de olhos
Num instante esperança
Nos corações atentos
Uma doce lembrança…

Homenagem do Marcio Martelli da Editora Inn House para a Flávia (a nossa Flavinha)

Só por hoje

Só por hoje, estarei determinada a FOCAR e a INVESTIR em meu bem-estar físico, mental, intelectual, espiritual e profissional. Para isso:

– Só por hoje, comerei de forma saudável (muito verde, muita água, muita fruta; menos industrializados, meno fast foods, menos carboidratos, menos doces, menos frituras, menos batata-palha, menos lactose);

– Só por hoje, estudarei (lendo jornal e matérias da internet com propósito);

– Só por hoje, não perderei tempo com pensamentos e atitudes que não me acrescentam e só me desanimam, evitando assim a inveja, a fofoca, o desânimo, o impulso, a comparação e a perda de tempo;

– Só por hoje, serei grata e entenderei que “tudo tem seu tempo”;

– Só por hoje, não irei proferir palavras negativas, sem reclamações;

(devemos abandonar a fala negativa por amor aos outros e a nós mesmos)

– Só por hoje, não irei reclamar (de novo), falar mal, e nem fazer comparações;

– Só por hoje, escutarei;

– Só por hoje, acreditarei que o melhor está por vir. Confiarei nos planos de Deus;

– Só por hoje, controlarei minha mente para isso!

E, sempre que minha mente desviar para pensamentos negativos, eu farei o esforço de recalcular a rota e rever meus preceitos: ser saudável, dedicada e estudiosa. Tudo isso será recompensado para ter um corpo saudável, uma mente equilibrada e positiva, ser bem-sucedida no trabalho e na vida pessoal.

*** A força de vontade é a capacidade de resistir à gratificação de curto prazo em busca de metas ou objetivos no longo prazo. ***

*** O desejo de equilíbrio, que sempre invoquei ao avistar a primeira estrela no céu, e que a vida inteira pareceu tão inatingível, agora está ao alcance da mão. ***

Só uma observação

Tudo certo com querer alguma coisa – mas querer é também não ter. Portanto, cuidado com as coisas que queremos, para que elas não abram buracos demais dentro da gente. Querer é estar insatisfeito.

Quanto mais queremos, mais vamos escorrer de nós mesmos.

(Foto: Unsplash)

Corajosa ela

“Quando peço para aprender a ser mais corajoso, a vida não me torna corajoso de repente. Ela me coloca em uma situação na qual a coragem vai ser exigida. E aí eu posso aprender a usar essa virtude, ou posso permanecer no mesmo lugar fazendo do mesmo jeito”, menciona Gu Tanaka, colunista da revista Vida Simples.

No verão passado, eu trabalhei numa loja da Farm, em Cambury, litoral de São Paulo. Foram três meses de “Olá, como posso te ajudar?”.

A coragem não tem nada a ver com as funções que desempenhei como vendedora temporária, uma vez que já tinha feito isso antes. No verão de 2016, trabalhei como balconista na Cacau Show de Boiçucanga, em São Sebastião. Foram outros três meses de “Quer uma ajudinha?”.

Mas você é jornalista, né? Sim. E fez pós na Cásper Líbero, né? Sim. E já esteve em Nova York? Ah, sim. E não foi você que ganhou um prêmio de “jovem talento” no Estadão? Sim, sim! Um celular da @TIM e uma mochilinha.

Na verdade, nunca deixei de ser jornalista. Eu sempre vou ser jornalista, aliás. Mas, ao longo da minha vida, tive a coragem de assumir outros papéis. Além disso, nunca gostei de ficar sem trabalhar.

Ah! Sou “cara” também. Para pagar os meus gastos, só pegando no batente.

Eu, que já tive uma vaga reservada na garagem de um prédio comercial em Alphaville, me vi sentada sozinha no ponto mais deserto da rodovia Rio-Santos, por várias noites, aguardando meu busão chegar. Eu, que já fiz parte da plateia VIP do TEDx Campinas, me vi num depósito minúsculo carregando pilhas de caixas empoeiradas e mofadas. Eu, que já fui dona de um crachá de coordenadora, me vi sendo chamada de novata.

E você fez tudo isso por amor, rebeldia, necessidade?

Fiz tudo isso porque eu tive coragem e porque não existe vida sem perrengue.

Sinto orgulho do quanto que aprendi. Do quanto eu pude amadurecer. Da fé que me reconstruiu.

Senti e ainda sinto Deus segurando as minhas mãos. Vejo Ele cuidando de tudo com muita perfeição.

Compreendo as lições que absorvi na dor. O amanhã só chega para quem sobrevive.

E quanto mais eu me conheço, sei do que preciso para poder resistir, com coragem.

Hoje, aceito que cada fase tem suas dificuldades e belezas, e tiro sempre o que ela tem de mais positivo.

Porque a vida não é um conto de fadas.

(Foto: Bernard Hermant- Unsplash)

Oração escrita por Edgard Abbehusen

Deus não decepciona. Ele cuida, ampara e tira do seu caminho o que te atrapalha para alcançar Seus planos. Por isso, fé e tranquilidade. Serenidade diante das tempestades. Se você pudesse perceber as pegadas na areia, saberia que nunca esteve só. Não se desespera. Não se limite a pensar que existe um fim, quando na verdade existem diversas possibilidades que podem te ajudar a recomeçar de novo quantas vezes for necessário.

Quando a gente escreve, se mostra!