Minha mente salada de cores

(Foto: Alex Paganelli – Unsplash)

Eu já falei sobre as minhas tristezas, despedidas, amigas, profissões e crises de ansiedade. Agora, vou falar de algo que acontece na minha mente desde sempre.

Quando penso em segunda-feira, penso na cor azul bebê. Para mim, terça é amarela, tom de ovo; quarta é vermelha; quinta é verde escura; sexta é branca e embaçada, como uma nuvem; sábado tem “cara” de cor pastel; e domingo, azul índigo.

Números, nomes, cidades, datas e estações do ano também têm cores para mim. Eu enxergo Renata, por exemplo, amarelo dourado; Paula, vermelho quente; e Bete, salmão. Se ouço um repórter falar de Brasília, me vem o verde bandeira à mente. Verão é sempre laranja. Duas relações bastante óbvias, né.

Será que só eu enxergo os dias, os números, os nomes, o MUNDO, dessa forma?

Será que eu possuo um tipo de sinestesia – um distúrbio neurológico que faz com que o estímulo de um sentido cause reações em outro, gerando uma mistureba de sensações?

Segundo Sean Day, professor na Universidade de Ohio (Estados Unidos) e presidente da Iasas (Sigla inglesa para Associação Internacional de Sinestetas, Artistas e Cientistas), há várias pessoas no mundo com as formas mais diversificadas de sinestesia. Enquanto para mim as letras e palavras transbordam cores, para alguns são os sons e gostos que tomam frente aos sentidos.

Mas o que acontece no cérebro de um sinestata?

Para a maioria das pessoas, os estímulos externos recebidos no cérebro são processados paralelamente e em uma rota específica. Ou seja, nenhum cruza com o outro, e eles são interpretados separadamente.

Porém, no cérebro de um sinesteta, as trilhas se cruzam, criando uma verdadeira salada sensorial entre visão, audição, paladar, tato e olfato. Isso faz com que uma pessoa possa sentir gosto em sons ou enxergar cores em palavras, entre tantas outras misturas possíveis para cada indivíduo sinesteta.

Por favor, não me julguem como louca ou sem noção!

Pesquisadores e neurologistas ao redor do mundo garantem que as reações sinestésicas não são loucura nem uma alteração no estado de consciência.

A sinestesia é simplesmente uma outra forma de ver e sentir a realidade.

Por aqui, o cantor Lulu Santos enaltece a cor azul: “Tudo azul, todo mundo nu. No Brasil sol de norte a sul. Tudo bem, tudo zen, meu bem”. Já nos states, se alguém diz que está blue ou feeling blue, significa que a pessoa está triste, melancólica.

Esse significado provavelmente evoluiu do gênero musical blues e das diversas expressões tristes atreladas a ele: sing the blues, por exemplo, pode tanto ser “cantar blues” quanto “reclamar”.

Lembro-me, então, da música do Elvis Presley Blue Christmas (“I’ll have a Blue Christmas without you / I’ll be so blue just thinking about you”). Mais sad e deprê do que isso, impossible.

By the way, sempre associo as cores preta e branca aos Elvis. Mas há uma explicação: eu o vejo na minha mente vestindo o icônico macacão branco com topete e costeletas negras.

Elvis Presley, o Rei do Rock
Imagem do Elvis em… Preto e branco!

Também guardo gostos e cheiros na memória

Outro dia, ao comer uma bolacha específica da Nestlé, fui levada para a creche que ia quando criança. O gosto me fez voltar para os anos em que derramávamos um monte de groselha nas mesas, para o desespero das tias que cuidavam de nós.

Já o cloro que usei para limpar o piso do banheiro me transportou para a rampa que eu e minhas irmãs descíamos e subíamos para chegar até a piscina de Suarão.

E, na última vez que passei pela marginal Tietê e senti o cheiro de esgoto, lembrei-me do único passeio de Maria Fumaça que fiz pelo Playcenter.

Para mim, bastam apenas poucos segundos para que os aromas me façam reviver experiências – sejam elas boas ou ruins.

Fontes: Sean Day, doutor em linguística pela Universidade de Purdue e presidente da Iasas (sigla inglesa para Associação Internacional de Sinestetas, Artistas e Cientistas); Julia Simner, especialista em linguística e psicologia pelas Universidades de Toronto e Seussex; Patricia Duffy, mestre em artes pela Columbia University, autora do livro “Blue Cats e Chartreuse Kittens: How Synesthetes Color Their Worlds”, cofundadora e consultora da Associação Americana de Sinestesia.

Minha tristeza crepuscular

(antes de começar a ler esse texto, você deve clicar aqui)

Tem um tipo de tristeza com a qual eu me identifico que só aparece ao cair da noite. Quando o sol vai se pondo. Quando as luzes do dia vão embora. Quando a noite vem se aproximando. É ali que ela mora.

Se for domingo, então, a angústia, o vazio, o medo e as inseguranças inflamam ainda mais dentro de mim. Meu instante de grande solidão.

A angústia do domingo à noite é a nossa consciência tentando, de maneira inarticulada, nos despertar para fazermos mais de nós mesmos.

Essa tristeza afeta, principalmente, os que são reféns do amanhã e do ontem, como eu. Sinto uma nostalgia imensa e fico derramada num lugar de saudade que nem consigo explicar.

O teólogo, pedagogo e escritor Rubem Alves, o qual faleceu em março deste ano, fala sobre ela, a tristeza do entardecer (renomeei por livre e espontânea vontade para “tristeza crepuscular”), definindo-a como a simples constatação de que tudo aquilo que a gente ama na vida necessariamente se vai com o fluxo do tempo.

Um dia, segundo ele, estava andando pelo seu apartamento quando contemplou uma foto dos seus filhos pequenos. Naquele exato momento, sentiu uma tristeza. Nada tinha acontecido com os filhos, eles estavam bem e crescidos. Tudo estava certo. Não havia uma notícia ruim, um evento trágico.

Ele simplesmente sentiu tristeza porque lembrou-se de um momento belíssimo da sua vida, da sua família e da infância dos seus filhos.

Como escrevi, não é uma tristeza fruto de um evento trágico. Ela advém no momento em que temos noção da passagem do tempo, do ciclo da vida seguindo o seu curso, das coisas que se vão.

E por que eu a chamo de crepuscular?

Quando chega o crepúsculo, começa a haver transformações rápidas no céu. Rapidamente, as cores vão se alterando, o azul fica verde, o verde fica amarelo, o amarelo fica abóbora, tudo fica roxo e logo o céu está mergulhado na escuridão. A percepção é que a hora de partir está chegando.

O crepúsculo é essa consciência de que o tempo passa rapidamente, a vida passa rapidamente.

De alguma forma o tempo leva tudo embora.

Por outro lado, o tempo nos traz paciência (para lidar com aquilo que não temos controle) e contemplação da vida, como menciona o trecho abaixo do livro bíblico Eclesiastes:

Para tudo há um tempo determinado;
Há um tempo para toda atividade debaixo dos céus:
Tempo para nascer e tempo para morrer;
Tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou;
Tempo para matar e tempo para curar;
Tempo para derrubar e tempo para construir;
Tempo para chorar e tempo para rir;
Tempo para lamentar e tempo para dançar;
Tempo para jogar fora pedras e tempo para ajuntar pedras;
Tempo para abraçar e tempo para evitar os abraços;
Tempo para procurar e tempo para dar por perdido;
Tempo para guardar e tempo para jogar fora;
Tempo para rasgar e tempo para costurar;
Tempo para ficar calado e tempo para falar;
Tempo para amar e tempo para odiar;
Tempo para guerra e tempo para paz.

Para tudo tem seu tempo, e o tempo não é o nosso, e, sim, do Pai.

As coisas acontecem no tempo certo, tudo tem o seu tempo e há coisas que levam tempo.

Deixa a vida fluir e vá desfrutando do presente.

Vivendo numa bolha branca

Acabo de ler:

“Ei, branco, você é mesmo antirracista?”. 

Continuo lendo:

“Não basta gostar do Mano Brown, achar a Naomi Campbell e a Michelle Obama ‘incríveis’, repetir frases da Angela Davis e outros tantos pensadores e pensadoras negras porque é cool se você fica em silêncio diante de uma demonstração de racismo”.

GLUMP!!!

Dizer que não existe racismo no Brasil é querer tapar o sol com a peneira.

Peggy McIntosh, acadêmia feminista e antirracista define a branquitude como um “pacote invisível e indébito de ativos que podem ser descontados diariamente”, mas cuja existência não se reconhece.

“Como uma pessoa branca, eu tinha aprendido que o racismo é algo que coloca os outros em desvantagem, mas não fui ensinada a enxergar um de seus corolários no privilégio branco, que me coloca em vantagem”, explica.

Ter a consciência de que brancos usufruem de privilégios simbólicos e materiais em relação aos negros é passo fundamental para que se possa combater o racismo no Brasil.

Sim, é fundamental que nós, brancos, atentemos para nossas percepções, concepções e práticas e, em autocrítica, tenhamos a lucidez necessária sobre essa questão tão presente.

Mas, afinal, o que é privilégio?

Gostei muito da explicação de um amigo que trabalha com TI (Tecnologia da Informação). Ele disse que em sua área profissional, privilégio é o nome dado à permissão que apenas alguns usuários têm, num sistema de computador, para executar determinadas ações ou acessar determinadas áreas.

Se todos têm acesso ou controle sobre algo, então não há privilégio. Privilégio existe somente em relação a outros não terem as mesmas possibilidades ou vantagens.

De acordo com as condições nas quais a pessoa nasceu, ela terá mais ou menos acesso a certas coisas como até mesmo ter ou não suas necessidades básicas na infância atendidas e acesso à escola, por exemplo.

Se as mortes negras parecem distantes do mundo onde você vive, saiba que as instituições que negam justiça a estas mortes moram ao seu lado. São as corregedorias de polícia, os governos estaduais, as promotorias. O que nos falta não são notas de pesar; falta usar o privilégio que nos faz viver longe destas mortes para que elas, ao menos, recebam a justiça que merecem – Thiago Amparo, professor.

Djamila Ribeiro lança Pequeno Manual Antirracista - Marlos Bakker
A filósofa feminista negra Djamila Ribeiro

Em Pequeno Manual Antirracista, a filósofa feminista negra Djamila Ribeiro busca levar ao grande público, com uma linguagem didática, uma discussão que costuma ficar restrita a círculos acadêmicos e de militância.

“Hoje tem pessoas que até reconhecem o racismo, sabem que o Brasil é racista, mas não pensam quanto que é importante tomar atitudes em relação a isso”, explica.

A prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas.

COMO?

  • informar-se sobre racismo
  • ler mais autores negros
  • reconhecer os privilégios de ter nascido branco
  • apoiar ações que promovam a igualdade racial nos diferentes âmbitos da sociedade.

Segundo Djamila, as ações acima podem ajudar a reverter o quadro atual.

“No Brasil, há a ideia de que a escravidão aqui foi mais branda do que em outros lugares, o que nos impede de entender como o sistema escravocrata ainda impacta a forma como a sociedade se organiza”, diz em um dos capítulos do livro.

A questão é: “O que você está fazendo ativamente para combater o racismo?”.

“Não se trata de se sentir culpado por ser branco: a questão é se responsabilizar. Diferente da culpa, que leva à inércia, a responsabilidade leva à ação. Dessa forma, se o primeiro passo é desnaturalizar o olhar condicionado pelo racismo, o segundo é criar espaços, sobretudo em lugares que pessoas negras não costumam acessar”, acrescenta.

Agora, me diga, quais autores negros você já leu?

Como cada indivíduo deve agir para combater o racismo?

“Se você é dona de uma empresa ou de uma loja, invista na diversidade, contratando funcionários negros. Ofereça treinamento a seus empregados para combater os estereótipos. Isso é um problema muito grande: assumir que uma pessoa é de um determinado jeito só pela cor da pele, sem ao menos conversar com ela. Nós, como consumidores, temos que parar de comprar produtos de marcas que não apoiam a comunidade negra. As marcas precisam assumir seu papel. Não adianta grandes empresas doarem dinheiro para campanhas de diversidade, se dentro dessas mesmas empresas só a tia do cafezinho e o cara da limpeza forem negros. É importante ter diversidade no andar de cima também. É preciso dar oportunidades para que os negros ocupem esses espaços. Se você tem amigos negros e sabe que eles são capacitados, use o seu lugar de fala e indique essas pessoas para essas vagas. Questione a falta de diversidade no seu ambiente de trabalho” – Ingrid Silva, bailarina engajada em promover a diversidade no mundo do balé e o empoderamento das mulheres.

Termino esse texto lendo a frase do ex-jogador norte-americano de basquete profissional Michael Jordan:

“Algumas pessoas querem que algo aconteça; outras desejam que aconteça alguma coisa e existem as pessoas que fazem acontecer”.

Você é Deus?

(escrevi esse texto no começo deste ano)

Pergunto isso porque o senhor brota, do nada, nos lugares em que estou.

Pergunto isso porque te ver me acarreta uma sensação boa, de paz.

Pergunto isso porque eu admiro-o, mesmo sem te conhecer.

Você está sempre sozinho, mas bastante atuante.

Ora o senhor está lendo jornal na biblioteca do Complexo Argos, ora perambulando com mochila nas costas pelas ruas do centro.

Já o vi comendo maçã na calçada perto de casa; de calça e camisa jeans no shopping da Nove. Já o vi, inclusive, na Oficina de Costura e na aula de Recorte e Colagens, ambas no Sesc.

Parece que o senhor tem uma vida produtiva, rica em conhecimento. O senhor deve ser um pessoa culta, do bem, moderna, apesar dos fios brancos em sua cabeça.

Não o vejo como um senhor solitário, pois está sempre bem acompanhado: seja pelos livros, jornal, maçã, mochila ou tesoura.

Hoje o senhor esta sentado à minha frente: de camisa polo azul, chuteira vermelha Adidas e calça de capoeira; cabelo bem penteado; mochila ao lado na cadeira; celular carregando na tomada.

Tenho a sensação de que o senhor está rejuvenescendo a cada dia que passa. Gostaria de saber por que razão tanto vê o celular. Será que faz parte de um grupo? Turma da Leitura, Amigos do Sesc, Grupo da Argos, Colegas da Melhor Idade, Galera da Ginástica. Será que o senhor lê artigos de educação, culturais, notícias sobre política, economia?

NOTA: O que o senhor tem feito nesta quarentena? Tem lido jornais, como? Tem conversado com os colegas pelo whats? Aliás, o senhor tem Instagram?

(Foto: Umplash)

10 fragmentos de Nova York

Resolvi escrever sobre um dos #tbts que mais mexe comigo: a minha viagem para Nova York. Eu me vejo engolida por uma onda de sentimentos cada vez que o Facebook relembra as fotos e publicações postadas em abril de 2013, data em que visitei Manhattan. Tenho a sensação de que essa trip aconteceu em outra época, vivida por uma outra Renata.

(E não foi?)

Por muito tempo fiquei sem olhar as fotografias de lá. Se não fossem o Facebook e as lembranças que veem à tona por parte da minha querida prima, quem me acompanhou e me aturou nessa aventura, essa viagem estaria guardada num cantinho secreto escondido bem lá no fundo de minha memória.

(E não está?)

Hoje tomei coragem e revi algumas fotos. Ao fazer isso, resgatei do meu HD particular 10 fragmentos curiosos, os quais quero dividir com vocês:

1- Na época, eu estava fascinada pela cantora Alicia Keys e por “Empire State of Mind”, canção que gravou com Jay Z em homenagem à cidade de Nova York. Eu imprimi a letra e levei-a comigo, mas tive que deixar as folhas na gaveta do quarto do hotel ao vir embora, pois minha mala estava abarrotada de panfletos, mapas e guias. Trouxe tudo quanto era papel de cada lugar por onde eu passei. Depois de alguns anos, foram todos para o reciclável. A música continua sendo uma das minhas preferidas.

Pianista de formação clássica, a cantora Alicia Keys 

2- Eu queria muito conhecer a catedral de St. Patrick, a histórica igreja da Quinta Avenida. Mas bem naquele ano o local estava em reforma e o que eu vi foi um monte de andaime. Mesmo assim, entrei e agradeci. Agradeci muito a Deus por estar realizando um grande sonho, após vários perrengues vividos no ano anterior.

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A histórica e charmosa St. Patrick’s Cathedral 

3- A primeira compra que fiz em NY foi a de um Iphone 5 branco, no cubo de vidro da Apple Store. Demoramos umas duas horas na loja SÓ para conseguir cadastrar a senha, mas valeu a pena cada segundo. Vale lembrar que o dólar custava R$ 2. Por um bom tempo, fui feliz com ele. Depois, só dor de cabeça! Perdi as contas de quantos carregadores precisei comprar para essa belezinha.

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Juro que não me reconheço nessa foto!

4- Claro que eu visitei a FAO Schwarz, a icônica loja de brinquedos do filme “Quero Ser Grande”, e claro que eu pulei no famoso piano gigante usado por Tom Hanks no filme. A coordenação não foi a mesma, mas eu tentei.

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A loja de brinquedos do filme “Quero Ser Grande”

5- Assistir ao musical Mamma Mia! na Broadway era uma das certezas que eu tinha. Sou fã desde o dia em que meu pai comprou o CD ABBA Gold: Greatest Hits, uma coletânea de músicas do grupo. Só que eu não consigo lembrar nadinha do espetáculo daquela noite, apenas que fui e me realizei. Devo ter ficado tão fascinada, que uma parte de mim permanece sentada na poltrona do teatro até hoje. Também me recordo do casacão off white, o qual emprestei de uma amiga com a intenção de usá-lo no dia reservado para Mamma Mia! Dito e feito.

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Mamma miahere I go again / My my, how can I resist you 

6- A primeira vez que comprei uma calça Diesel foi em NY. Aliás, a primeira vez que tive acesso a marcas como Diesel, Calvin Klein, Tommy Hilfiger, Kipling, Smashbox e tantas outras foi lá. Ao longo dos anos, as roupas made in big apple foram perdendo a graça, o uso e o brilho de tê-las no meu armário. A bolsa da foto, por exemplo, deixou de ser objeto de desejo no dia em que a minha cunhada falou: “Você sabia que essa bolsa é de maternidade, né?”.

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Reconhecem essa paisagem?

7- Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, eu estava indo para a faculdade. Cursava o primeiro semestre de jornalismo. Quase todos os meus trabalhos tiveram como tema os ataques às Torres Gêmeas. Visitar o 9/11 Memorial & Museum foi bastante tenso. Eu não conseguia tirar fotos (achava desrespeitoso), mas queria documentar tudo que estava vendo: os objetos resgatados, os depoimentos dos sobreviventes, os painéis com os nomes das vítimas. Olhar para aquele local me fez lembrar das centenas de matérias que li e assisti. Foi o dia mais estranho da viagem, porque não era um passeio turístico. Lembro-me de termos saído de lá mudas.

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As “piscinas” com cascatas simbolizam as lágrimas pelos que se foram

8- O melhor domingo da minha vida foi no Central Park! Passei uma manhã inteira caminhando e tirando fotos do cenário que tanto tinha visto (e continuo vendo) nos filmes e nas séries. Sem destino, sem mapa. Apenas andei, sentei na grama e nas pedras, vi e vivi.

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Tranquilidade e um belo cenário 

9- Um dos arrependimentos que eu tenho foi não ter conhecido de perto a ponte do Brooklin. “É só uma ponte!”. Não, não é! Também não visitamos o parque Luna Park em Coney Island, no Brooklyn (uma das atrações mais tradicionais da cidade, pelo menos entre os americanos); o bondinho que vai para Roosevelt Island; o ginásio Madison Square Garden; e os bairros Soho, TriBeCa e Greenwich. Fica para a próxima!

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Quero atravessar a Brooklyn Bridge apreciando a vista para linha do horizonte de Nova York

10- Eu adoro contar esse episódio porque ele sempre me faz rir. Estávamos perambulando pela região de Lower Manhattan, quando avistei bem grande “National Museum of the Indian”.

– Ah! Eu quero ir! Vamos, prima?

– Renata, é índio americano, tá?

OPS!

Eu desisti de vistar o museu. Acreditava piamente que fosse ver cocares e zarabatanas tupiniquins. Na verdade, eu topava qualquer coisa. Mas viajar demanda tempo, planejamento, money, disposição e muita organização.

NY cansou meus pés, me fez gastar tudo e mais um pouco, mas não me tirou a certeza de que voltarei um dia para:

  • Caminhar pelo Central Park e visitar alguns dos pontos mais icônicos, como o memorial “Strawberry Fields”, a fonte Cherry Hill, o Bethesda Terrace e a estátua de “Alice no País das Maravilhas”.
  • Apreciar Manhattan do alto do Empire State Building. Observar a Big Apple do alto do mais famoso de seus arranha-céus é um programa imperdível!
  • Visitar o Metropolitan Museum of Art (ou Met, para os íntimos) e caminhar pelo “Great Hall” (a entrada principal do prédio), pelo “Charles Engelhard Court” (com suas inúmeras esculturas) e pelo “Templo de Dendur” (paraíso de amantes da história do Egito Antigo), entre outros. 

Boa parte dessas atrações pode ser encontrada no site Virtual NYC, criado pelo NYC & Company, órgão de promoção turística da cidade, especialmente para esse período de quarentena e restrições de viagem. 

Em nota:

Assisti recentemente ao último filme de Woody Allen, “Um Dia de Chuva em Nova York”, uma verdadeira carta de amor do cineasta à cidade de Nova York.

Rodado quase inteiramente em Manhattan, o filme retrata dois namorados, Ashleigh (Elle Fanning), uma atrapalhada estudante de jornalismo, e Gatsby (Timothée Chalamet), um jovem bon vivant e pedante.

Duvido muito você não ter vontade de conhecer NY depois de ver esse longa.

Conserve seus sonhos. Nunca se sabe quando irão fazer falta.