Diário de um confinamento

(Foto: Ana Tavares/ Unsplash)

Dia #1

Estamos vivendo dias turbulentos, porque o mundo todo está sofrendo com os impactos causados pelo COVID-19, o coronavírus. O que, no começo, parecia distante da gente, agora nos faz perceber que não existe aqui e nós e eles. Estamos todos conectados, interligados, juntos. Somos um só. 

Não é tempo de pânico. Pelo contrário, é tempo de reflexão e responsabilidade coletivas. O isolamento é difícil, a incerteza é assustadora, mas nós superaremos mais essa. Sempre, importante lembrar, juntos.

Vamos aproveitar essa pausa forçada para cuidar da gente. Para alimentar nossa alma, recuperar forças, encontrar sentido. 

Hoje é quinta-feira, 19 de março de 2020. Desde segunda, estou trancafiada em casa, seguindo as orientações dos especialistas em saúde pública para evitar o contágio do vírus.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit e fui caminhar na avenida.

Eu precisava sair, ouvir podcast, ver rua, ver gente. Afinal, “o escapismo é o que mantém em nós algum entusiasmo”. Foi uma experiência estranha, confesso.

Eu me senti mal por estar fazendo um exercício físico ao ar livre. Vias as pessoas me encarando: “olha essa daí, desrespeitando a lei”. Na verdade, era a minha consciência gritando: “você é uma irresponsável!”.

Havia pouquíssima gente caminhando. Quando avistava algum idoso perambulando suavemente pela rua, tinha vontade de mandá-lo embora correndo (XÔ!). O shopping e alguns comércios estavam fechados, mas os ônibus circulando.

Fui à farmácia e sai de lá com uma sacolinha, o que me fez sentir melhor: “pronto, gente! Eu não vim andar a esmo, vim à farmácia”, pensava.

Dia #2

Hoje é sexta-feira, 20 de março de 2020. Desde segunda, estou confinada em minha residência.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

TUDO SEMPRE PASSA!

Dia #3

Hoje é sábado, 21 de março de 2020.

Acordei às 8h30. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Acabei de ler: “a pandemia vai passar, até lá, tente não se desequilibrar”.

O que eu estou fazendo? Estudando e investindo tempo em conhecimento.

Criei uma rotina de estudos para manter a MENTE em movimento:

Além da rotina de exercícios físicos e ioga para manter o CORPO em movimento.

Em tempos de confinamento contra o novo coronavírus, especialistas lembram que é preciso se exercitar dentro de casa para evitar outros problemas de saúde. 

Quarentena não é o momento de ficar parado, é apenas para ficar em casa. O exercício auxilia no relaxamento do corpo, na liberação de toxinas produzidas nos momentos de estresse. 

Offline

A overdose de informações pode ser sufocante para muita gente. Então, por que não fazer coisas que não envolvam a internet?

Dá para passar o tempo lendo, colorindo um livro de desenhos.

Escreva, cante, pinte, grave vídeos. Perceba como ao invés de passar seu tempo de forma passiva consumindo conteúdos, você pode ser um produtor deles.

“Esta quarentena será o que fizermos dela. Ela será uma para quem fica matando o tempo e outra se você não matar e sim nascer com o tempo”, Nizan Guanaes.

Dia #4

Hoje é domingo, 22 de março de 2020.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit e fui caminhar pelo entorno do quarteirão.

O bairro, mudo e deserto, fantasmagórico.

O cenário todo está uma coisa meio distópica, de ficção científica.

Mas, como disse uma amiga: tudo isso serve muito pra aprendemos a desacelerar. Estamos sempre no futuro. Como ele não existe, o lance é aproveitar ao máximo cada dia.

Dia #5

Hoje é segunda, 23 de março de 2020.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Dia #6

Hoje é terça, 24 de março de 2020.

Acordei às 10h. Fiz aula de ioga.

O historiador Leandro Karnal reflete sobre a solidão sempre ser vista com desconfiança, lembrando que “o pior castigo da penitenciária é a solitária”⁣.

Por outro lado, na dose certa, a solitude, nome que Karnal dá ao lado bom da solidão, é produtiva e essencial.

O historiador cita a Bíblia, em que Deus teria dito: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e corresponda”.⁣

Mesmo que considere que somos seres sociáveis e de bando, Karnal reforça que a solitude é de suma importância para o autoconhecimento e essencial para a existência.⁣

Dia #7

Hoje é quarta, 25 de março de 2020.

Acordei às 10h. Fiz aula de body balance.

“A pandemia deixa claro que não estamos todos no mesmo barco. Ou estamos, mas tem gente remando e tem gente tomando sol na proa”, Gregorio Duvivier.

Dia #8

Hoje é quinta, 26 de março de 2020.

Fui ao supermercado usando luvas cirúrgicas, as quais me incomodaram um pouco.

Um ambiente aparentemente normal. Poucas pessoas usando máscaras.

Dia #9

Hoje é sexta, 27 de março de 2020. Tive uma pequena crise de ansiedade durante a manhã.

Dia #10

Hoje é sábado, 28 de março de 2020.

Dei 3 voltas pelo quarteirão ouvindo podcast.

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