Diário de um confinamento

Sim, estamos vivendo uma crise mundial! O maior desafio de saúde do século. Parecem inacreditáveis as notícias com as quais nos deparamos por todos os lados.

O mundo todo está sofrendo com os impactos causados pelo COVID-19, o coronavírus, que pode durar semanas, ou mesmo meses, não sabemos.

O que, no começo, parecia distante da gente, agora nos faz perceber que não existe aqui e nós e eles. Estamos todos conectados, interligados, juntos.

Existem correlações entre todos nós. Não importa de que países provimos, que língua falamos e qual é a cor da nossa pele. Todos, igualmente, contraímos doenças, sentimos o mesmo medo e morremos do mesmo jeito.

Uma frase de Buda já dizia, há 2.600 anos: “Não há nada seguro neste mundo”. Não precisamos entrar em pânico, a vida sempre foi assim. É tempo de reflexão e responsabilidade coletivas.

O isolamento é difícil. Para mim, estar em casa é sinônimo de desemprego, doença ou férias. A incerteza é assustadora, mas nós superaremos mais essa. Sempre, importante lembrar, juntos.

Vamos aproveitar essa pausa forçada para cuidar da gente. Para alimentar nossa alma, recuperar forças, encontrar sentido. 

“Estar em casa é a oportunidade de voltar para dentro de você, um autoconhecimento que é libertador”, filosofou Monja Coen.

#Dia 1

Hoje é quinta-feira, 19 de março de 2020. Desde segunda, estou trancafiada em casa, seguindo as orientações dos especialistas em saúde pública para evitar o contágio do vírus.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit e fui caminhar na avenida.

Eu precisava sair, ouvir podcast, ver rua, ver gente. Afinal, “o escapismo é o que mantém em nós algum entusiasmo”. Foi uma experiência estranha, confesso.

Não havia quase ninguém na rua.

Eu me senti mal por estar fazendo um exercício físico ao ar livre. Vias as pessoas me encarando e apontando: “Olha essa daí, desrespeitando a lei”. Na verdade, era a minha consciência gritando: “Você é uma irresponsável!”.

Havia poucas pessoas caminhando. Quando avistava algum idoso perambulando pela rua, tinha vontade de mandá-lo embora para casa. O shopping e alguns comércios estavam fechados, mas os ônibus circulando.

Fui à farmácia e saí de lá com uma sacolinha, o que me fez sentir melhor: “Pronto, gente! Eu não vim andar a esmo, vim à farmácia”, tentei enganar a mim mesma.

Não há restrições específicas sobre atividades físicas ao ar livre, mas a recomendação básica é para sair de casa apenas quando necessário.

Dia #2

Hoje é sexta-feira, 20 de março de 2020. Desde segunda, estou confinada em minha residência.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Acredito que TUDO SEMPRE PASSA! Seja qual for a crise ou o problema, não irá durar para sempre.

Sim, vai passar, mas vai deixar rastros.

Dia #3

Hoje é sábado, 21 de março de 2020.

Acordei às 8h30. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Acabei de ler: “A pandemia vai passar, até lá, tente não se desequilibrar”.

O que eu estou fazendo para não me desequilibrar?

Estudando e investindo tempo em conhecimento.

Shakyamuni Buda ensinava que quando você investe no seu aprendizado e desenvolvimento isso se torna amor para as pessoas ao redor. Num primeiro momento, o estudo árduo pode parecer egoísmo, porém o aprendizado pode ser compartilhado com outras pessoas e isso se torna um ato de amor.

Criei uma rotina de estudos para manter a MENTE em movimento:

Além da rotina de exercícios físicos e ioga para manter o CORPO em movimento.

Em tempos de confinamento contra o novo coronavírus, especialistas lembram que é preciso se exercitar dentro de casa para evitar outros problemas de saúde. 

Quarentena não é o momento de ficar parado, é apenas para ficar em casa. O exercício auxilia no relaxamento do corpo, na liberação de toxinas produzidas nos momentos de estresse. 

Sobre ficar offline

A overdose de informações pode ser sufocante para muita gente. Então, por que não fazer coisas que não envolvam a internet?

Dá para passar o tempo lendo, colorindo um livro de desenhos. Eu resolvi montar um quebra-cabeça.

Escreva, cante, pinte, grave vídeos. Perceba como ao invés de passar seu tempo de forma passiva consumindo conteúdos, você pode ser um produtor deles.

“Esta quarentena será o que fizermos dela. Ela será uma para quem fica matando o tempo e outra se você não matar e sim nascer com o tempo”, escreveu o publicitário Nizan Guanaes.

Dia #4

Hoje é domingo, 22 de março de 2020.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit e fui caminhar pelo quarteirão.

O bairro? Mudo, deserto, fantasmagórico.

O cenário todo está uma coisa meio distópica, de ficção científica.

Mas, como disse uma amiga: “Tudo isso serve para aprendemos a desacelerar. Estamos sempre no futuro. Como ele não existe, o lance é aproveitar ao máximo cada dia”.

Foque os dias.

O dia é a única unidade de tempo em que tenho que fixar minha cabeça. O dia tem um ritmo. O sol nasce. O sol se põe. Eu consigo lidar com um dia.

“Um dia de cada vez. Parece tão simples. Na verdade é simples, mas não é fácil: requer uma enorme persistência e uma estrutura cuidadosa”, apontou o ator Russell Brand.

Por aqui, um passo de cada vez.

Dia #5

Hoje é segunda, 23 de março de 2020.

Acordei às 9h. Fiz a minha rotina habitual de skincare, tomei o meu café da manhã, li um pouco de jornal, vesti uma roupa fit.

Sem mais.

Dia #6

Hoje é terça, 24 de março de 2020.

Acordei às 10h. Fiz aula de ioga online.

O historiador Leandro Karnal reflete sobre a solidão sempre ser vista com desconfiança, lembrando que “o pior castigo da penitenciária é a solitária”⁣.

Por outro lado, na dose certa, a solitude, nome que Karnal dá ao lado bom da solidão, é produtiva e essencial.

O historiador cita a Bíblia, em que Deus teria dito: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e corresponda”.⁣

Mesmo que considere que somos seres sociáveis e de bando, Karnal reforça que a solitude é de suma importância para o autoconhecimento e essencial para a existência.⁣

Para mim, solidão é bom quando tem hora para acabar.

Isolamento é uma coisa, solidão é outra.

“A solidão é uma das nossas características existenciais, sentida de diferentes maneiras por cada um. Aceitar isso talvez seja o vprimeiro passo para relacionamentos amorosos mais ricos, longe da expectativa de que o outro nos livre da condição de seres solitários”, mencionou a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins.

Dia #7

Hoje é quarta, 25 de março de 2020.

Acordei às 10h. Fiz aula de body balance.

“A pandemia deixa claro que não estamos todos no mesmo barco. Ou estamos, mas tem gente remando e tem gente tomando sol na proa”, registou o escritor Gregorio Duvivier.

Dia #8

Hoje é quinta, 26 de março de 2020.

Fui ao supermercado usando luvas de látex, as quais me incomodaram um pouco.

Um clima de normalidade estranha pairava no ar. Pouquíssima gente usando máscaras. Confesso que a máscara me dá angústia com o bafo quente circulando.

Dia #9

Hoje é sexta, 27 de março de 2020. Tive uma pequena crise de ansiedade durante a manhã.

Precisei tomar um remédio (receitado por um médico) e repetir várias vezes para mim mesma que estava “apenas” ansiosa.

Dia #10

Hoje é sábado, 28 de março de 2020.

Dei três voltas pelo quarteirão ouvindo podcast.

Dia #11

Hoje é domingo, 29 de março de 2020.

Ninguém viveu, ou nem sequer imaginou viver, época como esta. É tudo novo. Inusitado. Absurdo.

A covid-19 nos mostra que “um por todos e todos por um” não é clichê – é só sobrevivência.

Dia #12

Hoje é segunda, 30 de março de 2020.

Mais um dia confinada em casa, como parte dos cuidados contra o coronavírus.

Às vezes, eu me desligo da realidade. Sem pensar em mais nada.

Dia #13

Hoje é terça, 31 de março de 2020.

Estamos vivendo tempos estranhos. Nunca estivemos tão conectados, mas ao mesmo tempo nunca nos sentimos tão solitários.

Dia #14

Hoje é quarta, 1º de abril de 2020.

“Sinta prazer em sua sua própria companhia”, elaborou Monja Coen.

Ficar em casa é um ato de amor pelo outro.

Dia #15

Hoje é quinta, 02 de abril de 2020.

O tempo marcha num passo estranho. Todos os dias parecem iguais.

A quarentena lembra o roteiro de “Feitiço do Tempo”, filme em que o personagem de Bill Murray fica preso em um detestável dia de inverno.

Dia #16

Hoje é sexta, 03 de abril de 2020.

Estou isolada em casa fazendo muito pouco.

Dia #17

Hoje é sábado, 04 de abril de 2020.

É praticamente o mesmo dia após dia.

Dia #18

Hoje é domingo, 05 de abril de 2020.

Tenho vivido dias de pouca vontade e de pouca esperança. Estou cada vez mais conectada e dependente das redes sociais.

Dia #19

Hoje é segunda, 06 de abril de 2020.

Leio (mais uma vez) Leandro Karnal, historiador e um dos maiores pensadores contemporâneos no Brasil:

“Quando você não fala e o mundo ao seu redor não fala, você escuta coisas novas sobre você mesmo. Muda um pouco nossa percepção do mundo, de nós e assim por diante”.

Para a psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP, Carmita Abdo, “estamos tendo oportunidade de ouro para aprendermos sobre nós no isolamento”.

Dia #20

Hoje é terça, 07 de abril de 2020.

Há um mês meu sobrinho nasceu. Raul é nosso bebê “coroner”.

Dia #21

Hoje é quarta, 08 de abril de 2020.

“Infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer”. Lá nos anos 80 o Guilherme Arantes cantou isso aí e ele estava tão certo que a gente repete até hoje.

Dia #22

Hoje é quinta, 09 de abril de 2020.

Tenho passado os dias quieta. Não sei quem vai surgir da porta para fora quando tudo isso passar.

“A melhor maneira de se esquecer do tempo é usá-lo”, disse o poeta francês Charles Baudelaire.

Dia #23

Hoje é sexta, 10 de abril de 2020.

É preciso manter a mente e o corpo sãos.

“Agora em casa, a gente está tendo tempo e silêncio para ouvir a nossa voz de dentro. Ouvir nossos desejos, questionar nossas decisões e as decisões das pessoas a nossa volta. E muita gente está sentindo que a voz interior delas está falando o oposto do que a vozes exteriores querem dela. Seja no trabalho, nos relacionamentos, em qualquer esfera da vida”, escreveu o roteirista M.M. Izidoro.

Dia #24

Hoje é sábado, 11 de abril de 2020.

Esta semana estive sem nenhuma ideia do que escrever. O medo do incerto é real.

Dia #25

Hoje é domingo de Páscoa, 12 de abril de 2020.

A Páscoa mais estranha das nossas vidas. Da minha vida, pelo menos.

O momento nos exige sacrifício.

O cenário é incerto. Não tem como voltarmos a sermos como éramos antes (enquanto não for desenvolvida uma vacina).

Dia #26

Hoje é segunda, 13 abril de 2020.

Estamos assim: um dia de cada vez.

Participei do Café Online “Manual Prático de Autocuidado”, com a professora Desirée Cassado, da The School Of Life. Foi muito bom! Clap-clap-clap!

Dia #27

Hoje é terça, 14 de abril de 2020.

Niver da minha sobrinha Isabella. A Shirley, a Jéssica, a Jennifer. A Tchu, a Tchuca, a Twelves.

Niver do meu primo Murilo.

Dia #28

Hoje é quarta, 15 de abril de 2020.

Niver da minha amiga Juby, a Juca.

Vim para Boiçucanga, um mix de retiro espiritual com spa. Um lugar seguro para viver esses dias assustadores.

Em um de seus últimos contatos com a editora Nova Fronteira, sua atual casa editorial, o escritor Rubem Fonseca confirmou que continuava ativo.

“Todo dia eu leio, todo dia eu escrevo”, disse à editora num dos últimos contatos.

Dia #29

Hoje é quinta, 16 de abril de 2020.

Niver do meu primo Diego.

Essas citações me deram um nó na garganta:

“Sim, pode ser somente uma gripe para alguns. Mas para outros custa a vida. Quando é só estatística, a gente só observa … Mas quando falamos de um familiar, no caso uma prima minha, dói na alma. Uma jovem com todo futuro pela frente… Que Deus nos console (…) Acreditem, esse vírus mata”, publicou a parente de Kamylle Ribeiro, de 17 anos – vítima mais nova de Covid-19 no Rio de Janeiro.

Sou um ser humano, sinto as dores do outro, jamais poderia me sentir plena enquanto o mundo trava uma guerra contra um vírus.

O medo da morte se mistura, então, ao medo do futuro. “O que vai ser quando a grana acabar? Quando vou conseguir um novo trabalho? Quem contrata em tempos de recessão? Difícil não entrar em pânico”, escreveu a jornalista Lia Bock.

Livro “Walden”, ou “A vida nos bosques”

Henry David Thoreau, autor do livro “A Vida nos Bosques” – uma das inspirações do filme Na Natureza Selvagem” (2007) – defende que o homem moderno deve diminuir suas necessidades materiais, que o afasta da conexão com a essência.

Em 1854, buscando distanciar-se de uma sociedade cada vez mais complexa, H. D. Thoreau retira-se para a propriedade de um amigo às margens do lago Walden, por dois anos e dois meses. Na pequena cabana na floresta, adapta as suas habitações e constrói seus móveis, planta os alimentos que consome e os prepara, faz descobertas espirituais. Por meio de uma vida simples e autossuficiente, cria sua utopia.

Ainda que seja uma crítica à vida urbana do século 19, Walden ainda é capaz de suscitar importantes reflexões sobre nosso modo de vida. Em mais de um século de existência, tornou-se uma referência para movimentos libertários, ecologistas e todos os que buscam uma vida mais harmônica.

Essa obra traz ensinamentos úteis a quem enfrenta uma quarentena. Thoreau decidiu viver deliberadamente, confrontando os fatos essenciais da vida e criticando a forma mesquinha como vivemos, com desejos que serão sempre impossíveis de saciar.

Simplifiquem

Há tantas inutilidades que fomos acumulando sem propósito que só servem para acumular pó em excesso.

O filósofo Mario Sergio Cortella diz que “muita gente tem muita coisa e isso agora de nada serve (…) A noção de riqueza terá de ser alterada. É o velho dilema que muitas vezes a gente conversa na filosofia: você, atravessando o deserto, precisa de um gole de água. De nada adianta que você tenha muitos diamantes em sua bolsa, que você tenha muito ouro pendurado no seu corpo. O que precisa é de água. Portanto, a noção de riqueza terá de ser alterada”.

Thoreau ensina: NÓS SOMOS A NOSSA PRIMEIRA COMPANHIA.

“Se não a suportarmos agora, se a tememos, se a desprezamos, dificilmente seremos boa companhia para alguém”, diz.

Se essa quarentena não servir para visitarmos o nosso reino abandonado, para abrir as janelas, para podar o jardim, servirá para quê?

Quando perdemos o temor da solidão, a própria solidão deixa de ser solidão. E o silêncio deixa de ser silêncio porque passaremos a escutar “tudo que o vento traz”.

“Dirige teu olhar para dentro de ti/ E mil razões encontrará ali/ Ainda ignotas (desconhecidas). Percorre tal via/ E mestre serás em tua cosmografia”, registrou Thoreau.

Temos que aprender a passar tempo com nós mesmos. Não devemos transferir a responsabilidade da nossa alegria para outras pessoas. Isso não significa se isolar ou ser antissocial, mas, como diria Jean-Paul Sartre, “se você se sente só quando está sozinho, é porque está em má companhia”.

Que utilizemos esses tempos difíceis para aprendermos a conviver com nós mesmos. Só assim conseguiremos desfrutar da nossa própria companhia e de outras pessoas quando tudo isso acabar.

Dia #30

Hoje é sexta, 17 de abril de 2020.

Niver do meu primo Biel.

Passados 30 dias em quarentena, já não lembro mais como é usar maquiagem e sapatos. 

Que problemão, hein, princesa? 

Leio Tati Bernardi: “Eu tenho motivos pra estar angustiada e louca e sofrendo? A maioria das vozes da minha cabeça dizem que não, porque sou privilegiada. Eu tenho que fazer doação e cuidar dos velhos da família”.

Obviamente, a vida continua, só que num ritmo completamente diferente.

“Permanecemos em casa lendo livros e assistindo a séries, mas na realidade nos preparamos para uma grande batalha pela nova realidade que nem sequer conseguimos imaginar, percebendo, aos poucos, que nada será como antes”, citou Olga Tokarczuk, polonesa que venceu o Nobel de literatura.

Dia #31

Hoje é sábado, 18 de abril de 2020.

Assisto ao noticiário monotemático, atualizo o número de mortos e infectados, acompanho a curva da pandemia e, temerosa, aguardo o pico e o porvir. Em tempos de pandemia, buscar informações de qualidade e bem acurada é imprescindível.

Desde que o vendaval da Covid-19 começou, a doença é o tema diário da imprensa.

Assisti também a Nada Ortodoxa, uma minissérie em quatro episódios, recém-lançada pela Netflix.

Dirigida pela alemã Maria Schrader, é baseada na história de Deborah Feldman, que em 2012 publicou um livro relatando a vida em uma comunidade de judeus ortodoxos em Nova York e a sua fuga e “renascimento” em Berlim.

Falada em iídiche e inglês, a minissérie descreve a situação da protagonista Esther “Esty” Shapiro (Shira Haas) dentro do grupo religioso. É um universo em que o rabino é um líder com amplos poderes sobre a comunidade, os casamentos são arranjados, os bons homens se dedicam ao estudo e as mulheres cuidam do lar.

Ainda que sobre um universo específico, “Nada Ortodoxa” reflete sobre temas bem atuais e universais, como mecanismos da opressão de gênero.

Dia #32

Hoje é domingo, 19 de abril de 2020.

Vida normal. Não são férias. Quando voltará ao normal? Ninguém sabe ao certo.

Não saber é uma das angústias desta peste. Não sabemos quantas pessoas morrerão. Se teremos parentes e amigos que morrerão. Se contrairemos a doença.

Dia #33

Hoje é segunda, 20 de abril de 2020.

Niver da vó Santina.

Acordei antes das 7h. Levei o dog para caminhar ouvindo podcast. Fiz um pouco de abdominais. Tentei montar quebra-cabeça. Não deu certo. Estou no computador desde então.

“A vida depois do coronavírus será diferente”, disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Dia #34

Hoje é terça, 21 de abril de 2020. Keep a routine.

Acordei antes das 8h. Fiz aula de body balance. Almocei muito bem: arroz integral, feijão carioca, iscas de peixe empanado e salada.

Estou trabalhando num ateliê de ideias.

Cheguei à conclusão de que Leandro Karnal é a melhor pessoa do mundo!

Dia #35

Hoje é quarta, 22 de abril de 2020.

Este momento, de crise e incertezas, em que estamos vivendo requer paciência e sabedoria — como tudo na vida.

Ninguém tá gostando de ficar em casa.

Dia #36

Hoje é quinta, 23 de abril de 2020.

Fiz uma prática de ioga com o aplicativo Down Dog. A dica veio da Bruna Cosenza, do blog Para Preencher. Gostei bastante!

Se a doença me assusta (e ela assusta!), é porque eu tenho amor a vida!

Dia #37

Hoje é sexta, 24 de abril de 2020.

Aparentemente o tédio dá fome. Nossas emoções estão à flor da pele; realmente, dá mais vontade de comer.

Li a receitinha abaixo e adorei:

* Quando bater a bad ou se pegar um pouco insegura, dá uma ligada para alguém que te faça sentir bem. *

Dia #38

Hoje é sábado, 25 de abril de 2020.

Estou aprendendo a viver um dia por vez, a olhar de forma amorosa e gentil para mim e, principalmente, acolhendo-me durante os processos.

Dia #39

Hoje é domingo, 26 de abril de 2020.

O que será de maio?

O que vai ser o novo normal?

O vírus vai continuar circulando.

Dia #40

Hoje é segunda, 27 de abril de 2020.

Tenho buscado me alimentar de equilíbrio e de coragem para não sucumbir ao pânico e à depressão. 

Querido, diário

Paro hoje de escrever sobre o meu dia a dia e as minhas aspirações durante a quarentena. Mas, antes de ir, deixo um recado para você, Renata:

Movimente-se, faça exercícios, dance, deixe as energias fluirem através de você e a seu favor.

Estimule também a sua mente. Leia um livro, se inteire sobre as notícias, participe de conversas interessantes.

Parar trará inquietação e acúmulo de energia, o que você deve evitar.

Torne-se interessante aos seus próprios olhos. Invista em suas habilidades, faça da sua luz interna uma tocha acesa.

Viver é um projeto de consciência e de conhecimento. Melhore!

Combinado?!

PS: A gente vai ter de inventar um jeito novo de fazer as coisas.

I keep a diary for many reasons, but the main one is: It helps me pay attention to my life. By sitting down and writing about my life, I pay attention to it, I honor it, and when I’ve written about it long enough, I have a record of my days, and I can then go back and pay attention to what I pay attention to, discover my own patterns, and know myself better. It helps me fall in love with my life.Austin Kleon 

Para a psicanalista e filósofa Viviane Mosé, autora de “Nietzsche hoje” (Vozes, 2018), a filosofia de viver o dia se encaixa perfeitamente no contexto de pandemia. “O vírus é parte da vida, da natureza. Estar isolado devido a uma doença é parte da vida. Viva o seu dia, viva o isolamento, viva o estar sozinho. Viva a angústia, o medo, o momento de euforia. Viva da melhor maneira possível. Viver o seu dia é a melhor referência que nos posiciona no tempo, no instante e no agora. Fugir do instante, planejando projetos e futuros que podem nunca se concretizar, é viver em uma bolha”, analisa.

Um comentário em “Diário de um confinamento

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