Tudo bem

Photo by freestocks.org on Unsplash

Tudo bem deitar na rede. Tudo bem assistir TV. Tudo bem dormir à tarde. Tudo bem não ler todos os jornais, não limpar a caixa de e-mail, não deletar as fotos da galeria do celular. Tudo bem comer um chocolate, um pedaço de pão. Tudo bem pedir um pastel, de catupiry com milho. Tudo bem terminar o dia sem fazer abdominais. Tudo bem tomar remédio para embalar o sono. Tudo bem sentir ódio, inveja, raiva. Tudo bem fazer uma tempestade num copo d’água. Tudo bem não querer sair de casa por conta de uma espinha. Tudo bem não escovar os dentes, nem passar o fio dental direito. Tudo bem se sentir solitária, a última das criaturas. Tudo bem ter medo do futuro. Tudo bem chorar pelo passado. Tudo bem estar desempregada.

É natural sentir angústia diante das adversidades da vida — e a pior maneira de lidar com esse sentimento é negá-lo e sufocá-lo diante da suposta obrigatoriedade de ser feliz o tempo todo. “Só conseguimos nos reerguer quando aceitamos e experimentamos a fundo nossas frustrações”, diz a consultora em carreira Taís Targa.

“Comece com a aceitação. (…) Você é um ser humano e tem permissão para experimentar todos os tipos de sentimento. (…) Só depois que aceitei a minha vulnerabilidade (…) consegui viver uma vida melhor”.

Ivan Martins fala que o sentimento de abandono e desamparo está conosco desde o instante em que chegamos ao mundo, e deve nos seguir até o fim. De certa forma, ele nos torna humanos.

Ao acordar nesta manhã

Photo by David Mao on Unsplash

Ao acordar nesta manhã, eu sorrio.

24h completamente novas estão diante de mim.

Eu me comprometo a viver cada momento plenamente e a olhar para todos os seres com olhos compassivos.

Nós temos 24h completamente novas à nossa frente.

A vida bate à nossa porta. Este é um presente imenso e muito precioso. Um novo dia.

Não vou desperdiçar esse dia. Não vou estragá-lo. Eu saberei fazer bom uso dele.

Sentado pacificamente, sorrio.

O novo dia começa.

Eu me comprometo a viver com plena consciência.

Vestindo o robe de monge, o meu coração está em paz.

Eu levo uma vida de liberdade, trazendo alegria para o mundo.

Paz, amor, gratidão, comprometimento, atenção, liberdade.

“Nada, mas nada mesmo é em vão. Por maior que seja o número de sacrifícios em sua vida, vale a pena tentar novamente até conseguir a vitória de forma correta. Isso é viver respeitosamente.

Nós somos reconhecidos pelos que fazemos durante a nossa trajetória, céu e inferno são aqui mesmo, aqui pagamos nossos débitos, mentiras e trapaças. É preciso sempre ser correto e verdadeiro”.

Vida Simples

Photo by Bench Accounting on Unsplash

Para Aline Midlej, jornalista e apresentadora:

“Ter uma vida simples é ter propósito, morar em uma casa que reflete você, suas escolhas e valores, longe dos falsos status e rotulagens. É viver perto de quem te ama pelo que você é, de quem faz questão de estar perto de você também. E vale lembrar: isso tudo pode exigir algum esforço. É buscar um ofício que te realiza, que te faz sorrir, acordar com vontade. Um trabalho que te faz crescer de dentro para fora. É entender que o conforto está no que acolhe, encaixa. Vida simples é buscar fazer de você uma boa companhia para si mesmo, o que demanda uma conversa intensa e diária”.

Minha vida simples

Sem cobranças, expectativas, estereótipos, padrões de beleza, maquiagem, exigências, roupas novas, horários, regras, despertador, disputas, fofocas, comparações. Sem dinheiro. Sem vaidade. Com amor e sexo de sobra, investindo em saúde e qualidade de vida.

Eu tive um professor de teatro que falava: “não confunda o simples com o fácil. Você precisa ir ao céu e ao inferno para conseguir chegar no simples. A simplicidade é uma coisa muito rara. E quando ela acontece, quando você identifica ela seja numa pessoa, seja numa situação, é sublime. O fácil é fake, ele é descartável”.

(…) Nos desconectar um pouco, valorizar os pequenos momentos do dia a dia para ficar com a gente mesmo (como, por exemplo, ao lavar a louça), e com isso termos mais qualidade de vida.

Mandaram eu cultivar a coragem

Photo by Sammie Vasquez on Unsplash

Sabe o que a vida quer da gente? Coragem, uma das maiores virtudes para Aristóteles.

“Cultive a coragem”, me disseram.

O convite dizia:

Entenda como dar os próximos passos para finalmente realizar aquilo que seu coração deseja. 

Saulo Velasco, psicólogo e professor na The School of Life, e Débora Zanelato, editora do Portal Vida Simples, falam sobre como podemos desenvolver a coragem, dar as mãos para o medo e buscar uma vida mais alinhada aos nossos desejos. 

“Vai melhorar. O começo é difícil. Nunca se esqueça”, disse a atriz Selma Blair, que luta com a esclerose múltipla.

“Quando peço para aprender a ser mais corajoso, a vida não me torna corajoso de repente. Ela me coloca em uma situação na qual a coragem vai ser exigida. E aí eu posso aprender a usar essa virtude, ou posso permanecer no mesmo lugar fazendo do mesmo jeito”, menciona Gu Tanaka.

Não espere pela coragem; ela nos encontra caminhando.

Esse é o preço a pagar por sermos mais corajosos, não termos medo de enfrentar o terrível ócio, de passar tempo sozinhos, conosco próprios.

Nós sabemos que a companhia mais terrível é a nossa.

Medo

O medo é uma das maiores travas que enfrento na vida.

Tinha pavor de não sobreviver economicamente fora do casamento, mas o medo foi menor do que o sofrimento. A vida pressionou sem dó, até ela ir além dos seus limites. E Meiry tornou-se corajosa.

Não adianta empurrar para baixo do tapete os medos e inseguranças achando que vão deixar de existir. É preciso acolher, entender e seguir. Sentir medo e insegurança não tem problema algum.

“Quando sentir medo, é aí que você deve ir pra cima e se expor. (…) Quanto mais você enfrenta, mais forte fica. (…) Curta o friozinho na barriga, transforme-o no seu melhor amigo e impulsionador”, aconselha Laíze Damasceno, professora da Digital House Brasil.

Uma vez me disseram que todo ATO DE CORAGEM requer pelo menos uma PITADA DE LOUCURA.