Tudo bem

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Tudo bem deitar na rede. Tudo bem assistir TV. Tudo bem dormir à tarde. Tudo bem não ler todos os jornais, não limpar a caixa de e-mail, não deletar as fotos da galeria do celular. Tudo bem comer um chocolate, um pedaço de pão. Tudo bem pedir um pastel, de catupiry com milho. Tudo bem terminar o dia sem fazer abdominais. Tudo bem tomar remédio para embalar o sono. Tudo bem sentir ódio, inveja, raiva. Tudo bem fazer uma tempestade num copo d’água. Tudo bem não querer sair de casa por conta de uma espinha. Tudo bem não escovar os dentes, nem passar o fio dental direito. Tudo bem se sentir solitária, a última das criaturas. Tudo bem ter medo do futuro. Tudo bem chorar pelo passado. Tudo bem estar desempregada.

É natural sentir angústia diante das adversidades da vida — e a pior maneira de lidar com esse sentimento é negá-lo e sufocá-lo diante da suposta obrigatoriedade de ser feliz o tempo todo. “Só conseguimos nos reerguer quando aceitamos e experimentamos a fundo nossas frustrações”, diz a consultora em carreira Taís Targa.

“Comece com a aceitação. (…) Você é um ser humano e tem permissão para experimentar todos os tipos de sentimento. (…) Só depois que aceitei a minha vulnerabilidade (…) consegui viver uma vida melhor”.

Ivan Martins fala que o sentimento de abandono e desamparo está conosco desde o instante em que chegamos ao mundo, e deve nos seguir até o fim. De certa forma, ele nos torna humanos.

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