Vamos falar mais sobre feminismo

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Ser feminista é necessário. Ruth Manus escreveu:

A mulher que diz que nunca foi discriminada é apenas uma mulher muito distraída. Não precisamos ir até o Oriente Médio. Não precisamos visitar tribos africanas. Não precisamos ir ao sertão do Nordeste. Não precisamos ir até a periferia de São Paulo. Não precisamos sair dos nossos bairros. O machismo que limita, que agride, que marginaliza, que ofende, que diminui, mora ao lado, dorme por perto.

O feminismo não é de esquerda nem de direita.

Não é só para mulheres nem é só para homens.

Não é ameaça. Não é um estranho.

Mas entenda que quando você trata os feministas na terceira pessoa do plural, excluindo-se deste rol, você está afirmando não fazer parte do grupo que prega a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Pense bem de que lado você quer estar.

Ser feminista é bonito, é importante, é sinal de inteligência e da decência de qualquer ser humano.

Como diz o livrinho da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie: Sejamos todos feministas. E o mundo será melhor a cada dia.

Sucesso

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Não existe sucesso do dia para a noite. Qualquer evolução profissional ou pessoal acontece em pequenos e constantes progressos, diz o escritor e empreendedor Kaio Serrate:

“Faça uma análise das suas maiores realizações (…) Me arrisco a dizer que elas terão sido resultado (…) de uma ou duas décadas de repetição e aprimoramento”.

Passamos a aceitar desde pequenos que nossa principal meta de vida é alcançar o sucesso.

Sucesso é uma coisa e realização é outra, completamente diferente.

Sucesso é o que os outros pensam sobre uma pessoa e seus caminhos, enquanto a realização é o que a pessoa pensa sobre as escolhas que fez na própria vida.

Realização pessoal, realização profissional: alcançar a realização é encontrar a plenitude em determinadas esferas da vida, ter sucesso é simplesmente passar uma imagem de que tudo deu certo.

O sentimento de realização caminha realmente muito próximo da sensação de missão cumprida. Mas, para tanto, é preciso que haja uma missão. Metas não são missões. Sonhar com um cargo não é ter uma missão. Traçar uma carreira com GPS e executar o caminho no menor tempo possível pode até garantir sucesso, mas nunca garante que você se sente naquela cadeira sonhada e sinta-se minimamente realizada.

Então às vezes nós temos que parar e nos perguntar: para quem estamos construindo as nossas vidas? Para quais olhares estamos direcionando nossas imagens? Para os nossos ou para os dos outros? Será que não estamos dedicando tempo demais às aparências e será que um dia isso não vai nos custar muito caro? Porque, no fim das contas, os cargos se vão, o prestígio se vai e só o que resta é a opinião que nós mesmos temos sobre a estrada percorrida.

Minha vó perguntou se eu estava bem

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Eu estou bem, vó! Faço parte dos privilegiados no Brasil. Tenho saúde, família, namorado, almoço e janta. Tenho cama quentinha, 350 canais a cabo, jornais, internet. Tenho maçã, pera e banana na geladeira. Tenho visão, pernas e braços. Tenho Deus, irmãs e você, vó. Tenho cachorra, cadeiras, carro e roupas. Tenho legumes. Tenho tudo isso à vontade e, se por ventura faltar, peço mais.

Mas tenho algo internamente, que cresce e me assombra a cada dia. Não sei o nome que dou para isso. Seria insatisfação, incômodo, agonia, insegurança, ingratidão, desânimo, depressão, insegurança, angústia, azia, falta de Deus ou amor próprio.

O que havia na casa da minha avó

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Na casa da minha avó havia horta. Havia codornas e ovinhos de codorna. Havia rosas e roseira. Havia jabuticabas e pé de jabuticaba. Havia marimbondos. Havia ninho de marimbondo. Havia piso de caquinho vermelho. Havia balas, às vezes com formiga. Havia filtro de barro. Havia frango assado. Havia nhoque. Havia macarrão. Havia fogão e geladeiras azuis. Havia cortina com estampa de coqueiro. Havia colcha de chenille. Havia boneca Susi da Estrela. Havia penteadeira. Havia cristaleira. Havia jogos de ludo e pega-vareta. Havia mantas. Havia pernilongos. Havia rancho. Havia balancinha no rancho.

Vi casas maiores e mais caras, vi de tudo um pouco e nunca vi nenhuma casa que tivesse esse improvável aspecto de ser o melhor lugar do mundo. Mas a dela tinha.

A casa da minha avó tinha a sala impecável, arrumada, perfumada e sem pó, mesmo que a faxineira só a visitasse duas vezes por mês.

As flores nunca ficavam com sede, os vidros nunca ficavam embaçados, os quadros nunca ficavam tortos.

Aos domingos, a família inteira era presente. Na mesa de madeira eu me sentava e esperava. Não podia fazer nada que não fosse esperar. E então começava: experimenta um pedacinho desse bolo. E esse pão fresco. Com geleia. Tem de uva e de morango. Coloca requeijão também. Um suco de caju. Um Nescau quente. Manteiga Aviação. Queijo e presunto. Não importava se eram 9h15, 14h30 ou 19h em ponto. Não importava.

Tudo bem

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Tudo bem deitar na rede. Tudo bem assistir TV. Tudo bem dormir à tarde. Tudo bem não ler todos os jornais, não limpar a caixa de e-mail, não deletar as fotos da galeria do celular. Tudo bem comer um chocolate, um pedaço de pão. Tudo bem pedir um pastel, de catupiry com milho. Tudo bem terminar o dia sem fazer abdominais. Tudo bem tomar remédio para embalar o sono. Tudo bem sentir ódio, inveja, raiva. Tudo bem fazer uma tempestade num copo d’água. Tudo bem não querer sair de casa por conta de uma espinha. Tudo bem não escovar os dentes nem passar o fio dental direito. Tudo bem se sentir solitária, a última das criaturas. Tudo bem ter medo do futuro. Tudo bem chorar pelo passado. Tudo bem estar desempregada.

Ivan Martins diz que o sentimento de abandono e desamparo está conosco desde o instante em que chegamos ao mundo, e deve nos seguir até o fim. De certa forma, ele nos torna humanos.

Ao acordar nesta manhã

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Ao acordar nesta manhã, eu sorrio.

24h completamente novas estão diante de mim.

Eu me comprometo a viver cada momento plenamente e a olhar para todos os seres com olhos compassivos.

Nós temos 24h completamente novas à nossa frente.

A vida bate à nossa porta. Este é um presente imenso e muito precioso. Um novo dia.

Não vou desperdiçar esse dia. Não vou estragá-lo. Eu saberei fazer bom uso dele.

Sentado pacificamente, sorrio.

O novo dia começa.

Eu me comprometo a viver com plena consciência.

Vestindo o robe de monge, o meu coração está em paz.

Eu levo uma vida de liberdade, trazendo alegria para o mundo.

Paz, amor, gratidão, comprometimento, atenção, liberdade.

“Nada, mas nada mesmo é em vão. Por maior que seja o número de sacrifícios em sua vida, vale a pena tentar novamente até conseguir a vitória de forma correta. Isso é viver respeitosamente.

Nós somos reconhecidos pelos que fazemos durante a nossa trajetória, céu e inferno são aqui mesmo, aqui pagamos nossos débitos, mentiras e trapaças. É preciso sempre ser correto e verdadeiro”.

Vida Simples

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Para Aline Midlej, jornalista e apresentadora:

“Ter uma vida simples é ter propósito, morar em uma casa que reflete você, suas escolhas e valores, longe dos falsos status e rotulagens. É viver perto de quem te ama pelo que você é, de quem faz questão de estar perto de você também. E vale lembrar: isso tudo pode exigir algum esforço. É buscar um ofício que te realiza, que te faz sorrir, acordar com vontade. Um trabalho que te faz crescer de dentro para fora. É entender que o conforto está no que acolhe, encaixa. Vida simples é buscar fazer de você uma boa companhia para si mesmo, o que demanda uma conversa intensa e diária”.

Minha vida simples

Sem cobranças, expectativas, estereótipos, padrões de beleza, maquiagem, exigências, roupas novas, horários, regras, despertador, disputas, fofocas, comparações. Sem dinheiro. Sem vaidade. Com amor e sexo de sobra.