Shiu!

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O historiador Leandro Karnal diz que nós aprendemos a dizer o que pensamos, mas não aprendemos a ouvir.

Acho que às vezes não sou uma boa ouvinte.

Quando estou conversando com alguém, tenho o péssimo hábito de interrompê-lo. Mal dou chance de ele completar a frase, e já mando logo a minha opinião, os meus argumentos, a minha voz. Péssimo hábito!

Estou aprendendo a ser uma ouvinte melhor, a ter uma escuta ativa.

Primeiramente, escutar sem interromper e, se achar que devo, falar o essencial, sem julgar, sem criticar, sem desestimular. Se vou abrir a boca, que seja para somar, argumentar, questionar, incentivar, refletir, elogiar, enaltecer, engrandecer, enriquecer.

Ninguém gosta de ser interrompido! Só de ser uma boa ouvinte você já sairá ganhando. Se for uma boa ouvinte e ainda se mostrar interessada em saber mais sobre o outro, bingo.

Elogios sinceros

Elogios sinceros são um afago para a alma de qualquer ser humano. Até as pessoas que não lidam bem com elogios em público lá no fundo ficam agradecidas.

Quando elogiar, seja específica e honesta, e a pessoa vai captar.

Se não encontrar nada bom para dizer, não diga. Para que ser desagradável?

E, nada soa mais doce para alguém que ouvir o próprio nome. Pode ver: quando uma pessoa que você não espera que saiba quem você é se lembra de você e do seu nome, não é um pequeno deleite?

Nunca falei tanto sobre negros – Parte 3

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Notícia 1: “Jovem negro sai para praticar fotografia e é perseguido como suspeito por moradores”

Somos racistas e vivemos em um país racista, e alguns negam.

Notícia 2: “Mulheres negras sofrem mais com desemprego”

De acordo com levantamento feito pelo economista Cosmo Donato, com base na média dos últimos quatro trimestres da PNAD contínua do IBGE, a taxa de desemprego entre as mulheres negras é de 16,6% – o dobro da verificada entre homens brancos, de 8,3%.

O número também é maior do que entre as mulheres brancas (11%) e os homens negros (12,1%).

Além disso, mulheres negras têm um rendimento médio real de R$ 1.476, menos da metade da renda do homem branco – de R$ 3.364. Elas também recebem menos que os homens negros – que ganham R$ 1.849 – e as brancas, que recebem R$ 2.529.

Notícia 3: “Prática discriminatória adentra as grandes corporações”

Exemplo disso foi demonstrado num teste de imagem realizado com profissionais de recursos humanos feito no estado do Paraná.

Na fase um de análise foram apresentadas aos recrutadores seis fotos sem identificações de nome, idade ou origem, apenas tendo em comum a pele branca: 1 – um jovem correndo; 2 – uma moça segurando um casaco; 3 – um homem de terno; 4 – um rapaz cuidando do jardim; 5 – uma mulher limpando a pia; e 6 – uma garota segurando na mão uma tinta spray. Na segunda fase foi apresentado o mesmo conceito de fotos, mas com pessoas negras.

O procedimento e a pergunta realizada nas duas etapas foram de igual forma. As imagens eram mostradas individualmente e, em seguida, o entrevistador perguntava aos recrutadores o que viam na foto. Ao jovem branco correndo foi dito que ele estava atrasado, enquanto ao negro que ele era bandido. A moça segurando um casaco foi vista como designer de moda; já a negra, costureira. O homem branco de terno parecia um executivo; o negro foi apontado como segurança. Sobre o rapaz caucasiano cuidando do jardim, disseram ser o proprietário da casa; o negro, jardineiro. A mulher branca limpando a pia era proprietária, enquanto a negra, empregada. Por fim, a garota branca era apenas uma grafiteira; já a negra foi considerada uma pichadora.

É claro que o audiovisual e a publicidade contribuem violentamente para esse cenário, o que acaba por causar espanto quando alguém de depara com uma pessoa negra na condição de médico, engenheiro, juiz ou arquiteto. Não há dúvida de que essa normatividade é perversa, principalmente porque ao se debruçar sobre a temática é possível observar que não se trata de algo inofensivo, moderado e despretensioso, ao contrário. A ausência de um olhar crítico e antirracista sobre o tema tem efeito real na vida da população negra, já que em menor ou maior grau desaprova profissionais em entrevistas de emprego, fomenta as batidas policiais e cria obstáculos para a ascensão social dessa população.

Meu convite, diz Monique Rodrigues do Padro, advogada, integrante do corpo de advogados voluntários da Educafro, cofundadora do Afronta Coletivo, é para que você não naturalize o olhar. Seja crítico, observe, questione e acima de tudo participe desse processo de desmistificação do status quo.

Frases que eu gosto de ler

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  • Você é aquilo que você pensa o dia todo.
  • A crítica que funciona é a que incomoda.
  • Aqueles que não conseguem vencer na vida vingam-se falando mal delas.
  • A vida é tão frágil e efêmera.
  • O passado é uma roupa que não nos serve mais.
  • Notícia é quase sempre aquilo que alguém não gostaria de ver publicado.
  • A perfeição não existe, somente para “menininha tocadora de piano”.
  • A verdade tem três lados. O que um acha que aconteceu, o que o outro acha que aconteceu e o que aconteceu.
  • Ser outra pessoa depende mais de nós mesmos do que do ambiente em que estamos inseridos.
  • Faça a sua parte e você verá que a sorte sorrirá também, mas não confie nela.
  • Problemas nunca vão parar de acontecer.
  • Frustração faz parte da vida.
  • Deus ouve o nosso clamor.
  • Palavra de Deus: “Se eu tiver de andar por vale escuro não temereis mal nenhum, pois comigo estás”.
  • Ou você vai ou a vida te atropela.
  • Estar aberto para mudar é se colocar como agente da sua vida. Alguém que escolhe os caminhos e não sente que está sendo levado.
  • Segure isso pelo chifre.
  • Mostre para o cavalo quem é o cavaleiro aqui.
  • Mantenha só na sua mão a chave da sua felicidade.
  • Segure as rédeas da sua vida ou ela vai para onde quiser.
  • O que quer que seja, uma hora vai parar de doer.

Vamos falar mais sobre feminismo

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Ser feminista é necessário. Ruth Manus escreveu:

A mulher que diz que nunca foi discriminada é apenas uma mulher muito distraída. Não precisamos ir até o Oriente Médio. Não precisamos visitar tribos africanas. Não precisamos ir ao sertão do Nordeste. Não precisamos ir até a periferia de São Paulo. Não precisamos sair dos nossos bairros. O machismo que limita, que agride, que marginaliza, que ofende, que diminui, mora ao lado, dorme por perto.

O feminismo não é de esquerda nem de direita.

Não é só para mulheres nem é só para homens.

Não é ameaça. Não é um estranho.

Mas entenda que quando você trata os feministas na terceira pessoa do plural, excluindo-se deste rol, você está afirmando não fazer parte do grupo que prega a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Pense bem de que lado você quer estar.

Ser feminista é bonito, é importante, é sinal de inteligência e da decência de qualquer ser humano.

Como diz o livrinho da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie: Sejamos todos feministas. E o mundo será melhor a cada dia.

Sucesso

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Não existe sucesso do dia para a noite. Qualquer evolução profissional ou pessoal acontece em pequenos e constantes progressos, diz o escritor e empreendedor Kaio Serrate:

“Faça uma análise das suas maiores realizações (…) Me arrisco a dizer que elas terão sido resultado (…) de uma ou duas décadas de repetição e aprimoramento”.

Passamos a aceitar desde pequenos que nossa principal meta de vida é alcançar o sucesso.

Sucesso é uma coisa e realização é outra, completamente diferente.

Sucesso é o que os outros pensam sobre uma pessoa e seus caminhos, enquanto a realização é o que a pessoa pensa sobre as escolhas que fez na própria vida.

Realização pessoal, realização profissional: alcançar a realização é encontrar a plenitude em determinadas esferas da vida, ter sucesso é simplesmente passar uma imagem de que tudo deu certo.

O sentimento de realização caminha realmente muito próximo da sensação de missão cumprida. Mas, para tanto, é preciso que haja uma missão. Metas não são missões. Sonhar com um cargo não é ter uma missão. Traçar uma carreira com GPS e executar o caminho no menor tempo possível pode até garantir sucesso, mas nunca garante que você se sente naquela cadeira sonhada e sinta-se minimamente realizada.

Então às vezes nós temos que parar e nos perguntar: para quem estamos construindo as nossas vidas? Para quais olhares estamos direcionando nossas imagens? Para os nossos ou para os dos outros? Será que não estamos dedicando tempo demais às aparências e será que um dia isso não vai nos custar muito caro? Porque, no fim das contas, os cargos se vão, o prestígio se vai e só o que resta é a opinião que nós mesmos temos sobre a estrada percorrida.

Minha vó perguntou se eu estava bem

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Eu estou bem, vó! Faço parte dos privilegiados no Brasil. Tenho saúde, família, namorado, almoço e janta. Tenho cama quentinha, 350 canais a cabo, jornais, internet. Tenho maçã, pera e banana na geladeira. Tenho visão, pernas e braços. Tenho pais, irmãs, tios, primos e você, vó. Tenho cachorra, cadeiras, carro e roupas. Tenho legumes. Tenho tudo isso à vontade e, se por ventura faltar, peço mais.

Mas tenho algo internamente, que cresce e me assombra a cada dia. Não sei o nome que dou para isso. Seria insatisfação, incômodo, agonia, insegurança, ingratidão, desânimo, depressão, insegurança, angústia, azia, falta de Deus ou de amor próprio.

O que havia na casa da minha avó

Photo by Skiathos Greece on Unsplash

Na casa da minha avó havia horta. Havia codornas e ovinhos de codorna. Havia rosas e roseira. Havia jabuticabas e pé de jabuticaba. Havia marimbondos e ninho de marimbondo. Havia piso de caquinho vermelho. Havia balas, às vezes com formiga. Havia filtro de barro. Havia frango assado. Havia nhoque e macarrão. Havia fogão e geladeiras azuis. Havia cortina com estampa de coqueiro. Havia colcha de chenille. Havia boneca Susi da Estrela e miniaturas da garrafa de Coca-Cola . Havia penteadeira e cristaleira. Havia os jogos Ludo e pega-vareta. Havia mantas “Parahyba”. Havia pernilongos. Havia rancho. Havia balancinha de madeira.

A casa da minha avó tinha a sala impecável, arrumada, perfumada e sem pó, mesmo que a faxineira só a visitasse duas vezes por mês.

As flores nunca ficavam com sede, os vidros nunca ficavam embaçados, os quadros nunca ficavam tortos.

Aos domingos, a família inteira era presente. Na mesa de madeira eu me sentava e esperava. Não podia fazer nada que não fosse esperar. E então começava: experimenta um pedacinho desse bolo. E esse pão fresco. Com geleia. Tem de uva e de morango. Coloca requeijão também. Um suco de caju. Um Nescau quente. Manteiga Aviação. Queijo e presunto. Não importava qual hora fosse: 9h15, 14h30 ou 19h em ponto. Não importava.