2018

Ela vem sem avisar. Ano a ano. Eu a odeio por causa disso. Poxa, nem um sinalzinho distante? Nada. Ela simplesmente vem.

Eu nunca a convido. Nunca a chamo. Nunca a desejo. E, mesmo com toda essa rejeição, ela cisma em aparecer sem hora marcada.

Quando tudo parece estar under control, ela vem para me dar os seguintes recados:

  • não, meu bem, não está tudo sob controle;
  • eu ainda existo, viu. Por mais que você queira, eu não sumi;
  • supere isso! Aprenda a conviver com essas minhas visitas inesperadas;
  • do mesmo jeito que cheguei, também vou embora repentinamente. Sem avisar o dia e a hora. Aguarde e confie;
  • não é e primeira vez que isso acontece. Você já sabe como eu sou. Não se espante tanto;
  • eu sei que você tem as suas armas para me expulsar. Continue usando-as com parcimônia.

Neste ano, ela apareceu no terceiro dia de janeiro, causando um grande estrago. Mas eu a superei!

Reapareceu a três dias de o ano terminar. E, com todo o medo dentro de mim, medo do estrago que ela possa vir a causar, eu sigo em frente, enfrentando-a!

Sinto orgulho de ter ultrapassado tudo isso. Todo mundo consegue ir adiante.

  • Eu dirigi um monte
  • Eu trabalhei um monte
  • Eu fiz unha um monte
  • Eu fiquei na sala um monte
  • Eu fiquei na cozinha um monte
  • Eu me olhei no espelho um monte
  • Eu viajei de ônibus um monte
  • Eu fiquei na casa de praia um monte
  • Eu fiquei sozinha um monte
  • Eu fui ao Sesc
  • Eu fui para Alphaville
  • Eu fui ao cinema
  • Eu fui na vó
  • Eu fui na Bárbara
  • Eu fiquei no meu quarto
  • Eu fiquei na minha cama
  • Eu vi filmes na minha cama
  • Eu fiz séries de ginástica
  • Eu fiz a mala
  • Eu comi no balcão
  • Eu lavei louça
  • Eu li jornais
  • Eu fiz comidas
  • Eu fui à psicóloga
  • Eu fui ao shopping
  • Eu fiz tratamentos estéticos
  • Eu fiz aulas de ginástica
  • Eu fui cortar o cabelo tantas vezes…
  • Eu caminhei tantas vezes…
  • Eu dancei tantas vezes…
  • Eu escutei músicas tantas vezes…

Eu fiquei bem, mas tão bem, que cheguei a pedir a Deus para não deixar o dia acabar!

Eu me orgulho tanto de ter feito tudo isso, porque, sim, houve uma época em que tudo isso acima era pura tortura. Comemore os pequenos hábitos. São pequenas vitórias! Não solte a mão de Deus. Você não está sozinha. E, se precisar, peça ajuda! As pessoas que te amam vão te ajudar.

Sobre crises de ansiedade

Acho que todos enfrentamos uma luta diária que só nós mesmos sabemos.

As crises não são desencadeadas por um motivo específico. É preciso buscar ajuda para tratá-las.

O QUE FAZER?

Ocupar ao máximo a minha cabeça. Focar mais em mim, no meu trabalho, fortalecendo a minha , procurando ficar com as pessoas que me fazem bem e tentando resolver tudo o que me incomoda.

O melhor texto que eu li sobre esse assunto aqui. Quem tem ansiedade entende.

“Se você não está se sentindo bem, não está sozinho e as pessoas que você pensa que nunca teriam um problema, na verdade, têm”, escreveu a cantora Lady Gaga.

Quando o corpo simplesmente não obedece a mente. Parar é sinal de sabedoria.

No Twitter, a cantora Sia, conhecida por esconder o rosto com grandes perucas, abriu o coração para seus seguidores e falou que está sofrendo com uma doença neurológica. Ela possui Síndrome de Ehlers-Danlos, que deixa as articulações flexíveis. A diva escreveu: “Eu estou sofrendo com uma dor crônica e queria falar com os que estão sofrendo com dor, seja física ou emocional. A vida é difícil para c***o. A dor é desmoralizante e você não está sozinho“.

“A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse”.

Entre tantas frases marcantes, essa com certeza é uma da qual não me esquecerei. O filme “Coringa” é capaz de nos fazer refletir sobre aquilo que, a maior parte do tempo, temos medo de encarar.

Transtornos mentais sempre foram polêmicos. Por muito tempo, as pessoas chamaram de “loucos” aqueles que sofriam de algum distúrbio psicológico.

Tal comportamento não tem sentido, visto que relatórios da Organização Mundial da Saúde apontam que, mundialmente, o número de casos de depressão aumentou 18% entre 2005 e 2015. De certa forma, não sabemos lidar com um dos maiores problemas que afeta a própria sociedade.

Não é vergonhoso admitir que precisamos de ajuda. Todos passam por momentos em que se veem sem rumo e sem forças para lutar. Há pessoas que nos amam e que podem nos ajudar a passar por essa fase difícil.

1 em cada 3 trabalhadores tem problema de saúde mental

Um estudo da consultoria Kantar com 18 mil pessoas no Brasil e em outros 13 países mostra que um terço dos profissionais sofre com questões psíquicas — desde problemas recorrentes, como o estresse, até distúrbios diagnosticados.

Quase um terço afirma sofrer de “fadiga avassaladora” ou “perda de energia”. Ainda segundo o levantamento, obtido pelo jornal “Valor Econômico”, 38% dos profissionais com questões mentais se sentem discriminados. Embora seis em cada 10 entrevistados digam confiar em seus empregadores para conversar sobre saúde mental, mais da metade afirmou que o apoio oferecido pelas empresas é insuficiente.

Hoje, sinto-me apta a superar qualquer dragão que a vida me apresente; ganhei força e confiança.

Sobre depressão

(o melhor texto que li sobre assunto aqui)

Quem tem depressão vê a vida na cor cinza, ou seja, quase sem cor. É uma visão distorcida da realidade. Com o tratamento adequado, é possível retomar o interesse pelas coisas e notar cores mais alegres.

Considerada o “mal do século”, depressão é transtorno traiçoeiro que transforma a vida num fardo difícil de suportar.

Sou eu

Eu fiz essa aliança. Eu ganhei esse suporte para celular. Eu roubei esse escapulário da minha irmã.

“Cometi muitos erros, e sem dúvidas cometerei muitos outros antes de morrer (…) Aprendi a aceitar minha responsabilidade e a me perdoar primeiro”.

Esse é um dos trechos do livro “Carta a Minha Filha”, de Maya Angelou. E essa sou eu: básica, dos pés à cabeça.

Visto Hering e Zara; gosto de jeans, azul-marinho e cinza; meu sorriso é fácil; meu olhar, melancólico. Essa sou: vaidosa, charmosa e desastrada.

Meu vício é um espelho. Reparo em dentes, cílios e unhas pintadas. Não uso (quase) nada de maquiagem; sou fã de tratamentos faciais e viciada em rotina de skincare .

Pareço ser mais alta, magra, cabeluda, descolada, inteligente e “bem de vida” do que realmente sou.

Eu nasci em 1983. Ano em que três ladrões levaram embora a taça Jules Rimet da sede da CBF, no Rio; perdemos Garrincha e Clara Nunes; assistimos perplexos à maxidesvalorização do cruzeiro; e, nas rádios, escutávamos Rádio Taxi, Ritchie e Balão Mágico. O ano não foi dos mais fáceis. Passaram-se, então, 35 anos e chegamos a 2018.

Gosto de ler jornais e revistas; conteúdo de qualidade e que acrescenta. Não só os leio, como também faço grifos e anotações. É a minha terapia, minha meditação diária.

Sou apaixonada pelas revistas Sorria e Vida Simples, sempre com matérias otimistas, leves e atemporais. Desde que as conheci, minha vida se tornou mais feliz e simples. Meu trabalho está totalmente concatenado com as suas filosofias. Publicações que fazem a gente parar e respirar. Terapia em páginas. Minha coleção de revistas permanece sob a minha cômoda para ler a qualquer tempo e necessidade, e sempre encontro algum conteúdo que encaixa no meu estado de espírito daquele momento.

Sofro de logorreia, necessidade patológica de falar, e misofonia, sensibilidade excessiva a determinados sons do cotidiano, como mastigação e batidas de lápis.

Durante boa parte do meu tempo cultivo o silêncio. Às vezes meu silêncio diz mais do que as minhas palavras. Aliás, quantos gritos cabem dentro de um silêncio? Cultivar o silêncio permite que eu vá, aos poucos, encontrando as respostas que procuro. A prática diária é capaz de aquietar meus pensamentos e treinar meu poder de auto-observação para que comece a perceber o que me impede de ser feliz e o que já dou conta de transformar.

Dou bom dia e boa noite para qualquer um.

Acumulo pequenos sucessos.

Possuo algumas amarras invisíveis.

Sou refém do amanhã e do ontem.

Sou uma pessoa de bom coração.

 Sou o desastre da culinária em pessoa.

Sou compulsiva, tenho baixa tolerância à frustração, fui mimada como a mais mimada das filhas caçulas, sempre fui poupada nos escorregões que dei. Mas não sou criminosa nem mau-caráter.

Sou reducetariana. Nos últimos anos, venho reduzindo o consumo de carnes, pelos animais, pelo meio ambiente e por minha saúde. Tirar carne do prato não precisa ser uma questão de tudo ou nada. Pessoas reduzindo seu consumo de produtos animal estão fazendo uma grande diferença no mundo.

Sou libriana, detesto conflitos e tenho dificuldade em tomar decisões. Librianos não gostam de ficar só. O libriano veio ao mundo para caminhar ao lado de alguém e não abre mão disso.

Sou pela paz e pelo amor.

Librianos são conhecidos por serem confusos, indecisos, e promíscuos no sexo.

Sou fitness, mas enfio o pé na jaca constantemente.

Dedico boa parte do meu tempo à leitura.

A música sempre está presente em minha vida.

Sou discípula de Buda.

Sou minha melhor amiga e minha pior inimiga. Eu me protejo e me perdoo. Eu me auto-saboto.

Sou sociável até a página dois. Eu ajudo enquanto a bateria durar. Lavo louça quando quero. Sou comunicativa nas horas certas. Não é sempre que eu estou afim. Quando não estou, fico quieta, muda em meu próprio mundo. Tenho uma vida social diminuta. Meu carisma tem prazo de validade.

Vivo numa jornada diária de tentar entender cada vez mais o que me faz bem e mal. E sinto que faz muita diferença quando consigo respeitar minhas necessidades.

Não me orgulho disso, mas me atraso. Quando cobrada, repito: o atraso é o preço da qualidade.

Criança e adolescente nos anos 1990 (ainda sem internet), pertenço ao grupo dos millennials (geração Y) , condenados por serem supostamente narcisistas, hedonistas e imediatistas.

Onde eu trabalho?

Biblioteca do SESC Jundiaí

Trabalho é terapia. É bom. Escritora e produtora de conteúdo freelancer. Dona dos meus horários, sem chefes permanentes e apaixonada pelas palavras.

Eu preciso do trabalho para me manter sã.

Mas ter meus horários definidos por uma empresa?

Precisar pedir permissão para sair 30 minutos mais cedo para ir ao médico?

O que eu quero? Por enquanto é viver de freela, mas pode ser que daqui a cinco anos isso mude e tome um novo rumo.

Larguei a segurança de um emprego fixo para ser a minha própria chefe. Deixei a vida de CLT de lado e criei coragem para entrar nesse mar de incertezas, mas ao mesmo tempo um oceano de liberdade, autonomia e flexibilidade.

Dá para ter trabalho remoto sem perder produtividade.

O trabalho molda o caráter, mesmo que seja aquele pequeno trabalho quase invisível do dia a dia.

A ocupação e o cansaço evitam que você pense em bobagem e sonhe com o impossível.

Flexibilidade, trabalho remoto, horário flexível. A escolha de assumir o controle do seu equilíbrio entre trabalho e vida.

Estar em casa sem um emprego não significa tempo livre e sim ainda mais esforço por parte do desempregado em encontrar um bom emprego.

O que fazer?

  • Manter-me ocupada, para que não desenvolva uma doença.
  • Fazer atividades que não estejam na rotina, para não ficar em ócio.

Deus

Eu estou em sintonia com Deus quando leio, estudo, trabalho, concluo uma tarefa e me foco em algo. Essa é a minha paz.

Teclar, escrever, ler, grifar. Esse é o meu barato, minha dopamina.

Estar em paz comigo mesma é reunir em uma única mesa: fone de ouvido, óculos de grau, computador conectado à internet, mouse, garrafinha de água, jornal e celular.

Fases

Tenho fases, como a lua,

Fases de andar escondida,

fases de vir para rua…

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha. 

Impossível não me identificar com pelo menos um trecho do poema “Lua Adversa”, de Cecília Meireles. 

Combo do dia #05 – Felicidade

Um texto + uma música + um prato

Felicidade

Photo by Barbara Alçada on Unsplash

Os habitantes da Finlândia, um dos países mais frios do mundo, são felizes no longo prazo. “Os finlandeses são especiais em coisas mais profundas e duradouras, felizes com as suas vidas como um todo”, diz John Helliwell, um dos editores do relatório Word Happiness Report.

Um dos motivos para o bem-estar longevo dos finlandeses é que eles “não se orgulham”, “não falam de si mesmos” e “não ostentam”. “Ter hábitos de consumo chamativos é visto como falta de educação no país. Exibir uma Lamborguini pode gerar ciúmes e ressentimento em outras pessoas”, continua Helliwell.

A depender dos primeiros colocados deste ano, o segredo da felicidade não está em objetos de desejo, e sim em conectar-se com os outros, tanto no nível mais próximos (familiares e amigos) quanto em uma escala estendida (estranhos, comunidade em geral e governo).

Em outras palavras, a alegria de viver está diretamente vinculada a quão confiáveis são as pessoas que compõem a sociedade do país em que se mora.

Os americanos estão cada vez mais infelizes, pelo fato de viverem numa epidemia de vícios: em junk food, em opioide e no uso excessivo de telas.

Quem está satisfeito com a própria vida tende a ter maior engajamento político. É mais provável que quem se sente frustrado eleja líderes populistas.

“A Finlândia tem laços comunitários amplos. A confiança nos vizinhos, no governo e em qualquer pessoa é muito mais alta na Escandinávia do que na América Latina. As pessoas gostam de viver em lugar assim”, conclui.

Felicidade é transitória

A noção moderna de felicidade dá conta de sua limitação. Quando estamos felizes, sabemos que o sentimento é passageiro e que, em breve, isso pode mudar – e até ficamos esperando por essa mudança. Para o filósofo Mário Sergio Cortella, essa ideia de felicidade como direito parcial ocorre justamente porque há uma busca irreal pela felicidade constante e permanente, que inexiste.

“Felicidade é transitória. Se eu entender a felicidade como um estado permanente, como um moto-perpétuo, é óbvio que ele sofrerá interrupções em vários momentos, porque a vida real é mesclada por perturbações, por turbulências”.

Felicidade alheia

Desejar a felicidade alheia é fundamental para ter uma vida mais plena. De acordo com Kaio Serrate, fundador da LabFazedores, o estilo de vida contemporâneo faz com que passemos tempo demais focados nas demandas do “eu” — e sair desse ciclo vicioso é essencial para ter momentos de paz:

“Desejar genuinamente que alguém seja feliz (…) ajuda a sair da armadilha que é focar apenas nos meus próprios problemas. (…) Será um poderoso gatilho para desencadear outras ações altruístas e para aumentar sua felicidade”.

As pessoas mais felizes são aquelas que têm certeza de que a felicidade individual sempre caminha junto com a felicidade alheia.

A caridade é a coisa mais importante.

É simplesmente impossível atingir o ápice da felicidade quando se vive para si mesmo. A felicidade nasceu para ser compartilhada.

Pequenos atos de bondade têm um efeito enorme no seu dia a dia, no seu humor e, é claro, na sua felicidade como um todo.

Felicidade é momentânea ou duradora?

Será mesmo que tudo, toda a vida, todo o trabalho, toda a morte, se resumem a momentos de felicidade? Só momentos?

O que é felicidade? O que te traz felicidade?

Algumas definições retiradas do livro Felicidade (editora Viseu), de Dani Oliveira:

  • “Felicidade é acordar todos os dias, cheia de opções”. Isabel Martins.
  • “Felicidade depende apenas de você mesmo, você escolhe quando, como, onde e porque ser feliz”.
  • “Ser feliz sem motivo é o melhor jeito de ser feliz”.
  • “A felicidade só dá as caras quando deixamos de ter medo da vida”.
  • “Felicidade é viver sem regras, ser o que quiser sem se preocupar com o que os outros vão dizer”. Geovana de Oliveira.
  • “É o momento em que não desejamos nada diferente do que já é”.
  • “Felicidade é contentarmo-nos e satisfazermos-nos com o que temos e com a vida que levamos. Tudo o que de mais vir, será lucro”. Doroti Campos.

Existem alguns alimentos essenciais para sermos felizes e que, curiosamente, não têm relação com o material. Um dos mais importantes é a gratidão.

Toda noite, antes de dormir, pergunte-se: “Pelo que eu me sinto grato ou pelo que eu me sinto feliz agora?”.

Deixa (feat. Ana Gabriela) – Lagum

Acorda, e nunca mais se vá
Se for de qualquer jeito, antes me dá um beijo
Eu tô aqui por ti, por mim, por nós
Cê não sabe o quanto é importante
Acordar ouvindo a sua voz

Letra e canção aqui.

E o prato do dia foi…

  • Batata assada recheada

Por acaso a vida tem que acabar aos 40?

Em seu discurso no prêmio de melhor artista da Billboard, em 2016, ela disse: “Não ouse envelhecer. Envelhecer é um pecado. Você vai ser humilhada”. (Photo by Rob Latour/Shutterstock)

Envelhecer tem assombrado Madonna há décadas. Quando o tema apareceu, logo aos 30 e poucos anos, ela questionou: “Por acaso a vida tem que acabar aos 40?”.

Essa mulher afiada abriu o caminho para as outras. Fez dos 40 os novos 30, dos 50 os novos 40. “O negócio nunca foi seguir regras, mas quebrar!”.

Madonna diz que ninguém comentaria da idade dela se ela fosse homem. “Para mulheres, existe um comportamento esperado, e se você ainda tiver apetite sexual, se divertir e se sentir viva, você vai ser desprezada, discriminada e perseguida”.

Madonna vai seguir cantando, dançando e chocando o mundo. Talvez ajude a fazer com que esse papo de idade fique velho.

“Nunca ouse envelhecer. Isso é considerado um pecado”, disse a cantora certa vez em um discurso brilhante.

Por falar nisso…

Envelhecer é bem mais cruel para as mulheres. Parece que o tempo vem correndo atrás de nós com uma foice.

A antropóloga e escritora Mirian Goldenberg afirma: “Homens são avaliados pelo poder e pelo dinheiro. Mulheres, pela beleza e comportamento. Quando envelhecem, se sentem invisíveis. Já os homens, se sentem mais poderosos”.

Aos 50 anos, com uma vida diante das câmeras, a jornalista Mariana Godoy admite ser exceção e que a TV é, de fato, mais cruel com as mulheres.

“A TV brasileira trata muito mal as mulheres que envelhecem na frente das câmeras, vai tirando devagarzinho. A gente teve o Sérgio Chapelin grisalho à frente do Jornal Nacional, o Cid Moreira com cabelo completamente branco. Agora você não viu a Lilian Witte Fibe envelhecer no ar, nem a Ana Paula Padrão no jornalismo. É impressionante”.

Por falar (mais) nisso…

Viver até os 90 ou mais é uma realidade cada vez mais frequente entre os que, além de favorecidos por boa genética, cuidam da saúde.

Uma vida sedentária leva a uma velhice ruim. É que sem movimento, o corpo deteriora-se. Da mesma forma que quem exercita a mente tende a ser um velhinho mais lúcido, quem mexe o corpo tende a ter uma terceira idade com menos dor, mais energia e mais força física.

“Você não acorda um dia e envelheceu. Isso vai acontecendo aos poucos. E, surpresa, você continua sendo a mesma pessoa! Sim, o seu gosto musical permanece o mesmo, assim como seus ídolos, escritores e amigos”. Nina Lemos

As rugas vão aparecer. Mas já amadurecemos o suficiente para saber que o contrário do envelhecimento é a morte, certo?

Dor do envelhecimento

Meus sobrinhos têm a dor de crescimento. Dia sim, dia não, eles reclamam de alguma dor no corpo: nas pernas, nos joelhos, nas costas.

Eu, aos 36, comecei a desenvolver a dor do envelhecimento: nosso destino e nosso grande inimigo.

As pessoas envelhecem prematuramente e mal. Há pessoas com 45, 50, 55 anos que já estão velhas.

Mudanças no estilo de vida não devem ser feitas somente ao chegar na velhice, elas envolvem cuidados que devem ser iniciados ainda durante a juventude, como alimentação equilibrada, exercícios regulares e visitas ao médico.

“Quanto mais cedo os cuidados tiverem início, mais fácil é prevenir o desenvolvimento de condições crônicas de saúde”, recomenda Dr. Drauzio Varella.

Atividade física, alimentação saudável, controle do estresse, autoconhecimento, espiritualidade, amor e voluntariado. Para mim, são sete pilares para manter a vida em equilíbrio.

Sempre tenho muitas coisas para fazer no dia e escolho algumas. Na verdade, eu busco problemas do cotidiano, pois eu vejo o mundo de uma forma e começo a questionar. Isso forma uma cadeia de ideias, faz minha cabeça girar. Procuro desenvolver respostas e caminhos desta forma, pois entendo que o remédio da longevidade é o trabalho. Dona Lila, 93 anos.

Dizem que o idoso é sempre o outro.

Na verdade, todo mundo é velho. As crianças e os jovens são os velhos de amanhã.

O que você está fazendo para combater a velhofobia?

Quem decide quem tem idade para o que?

Pessoas de mais e 60 anos continuam sendo… pessoas! E, como indivíduos, têm gostos diferentes, como acontece com qualquer idade. É simples assim.

Combo do dia #04 – Morte

Um texto + uma música + um prato

Não sei falar sobre a morte

Photo by Samuel Zeller on Unsplash

Ninguém fala sobre a morte. Ninguém quer falar sobre a morte. Mas é a única certeza que a gente tem.

Não tem nada mais inconveniente, mais inoportuno, mais indelicado, mais desagradável, mais sinistro, mais sombrio que ela: a morte.

A morte é desconsolada, é fria, é dura, é solitária, é malvada.

Um dia você estará morto. A maioria de nós prefere ignorar este básico fato de nossa existência, mas pensar a respeito do nosso fim inevitável é uma maneira de colocar tudo em perspectiva.

“Não tema tanto a morte, mas a vida inadequada”, escreveu o poeta alemão Bertolt Brecht.

“Sei que cada dia é um dia roubado da morte”, disse a escritora Clarice Lispector.

O livro “Tibetano do Viver e do Morrer”, de Sogyal Rinpoche, traz a proposta de pensar na morte todo dia, em vez de fugir e deixar para fazer isso só prestes a morrer. Essa prática serve não apenas para se preparar, mas para entender que a ideia da morte traz consigo a valorização da vida.

Fundador do Doutores da Alegria, o ator e palhaço Wellington Nogueira já presenciou a morte muitas vezes e de diversas formas. Essas experiências despertaram nele a necessidade de ser mais consciente sobre a existência da mortalidade e se aproximar mais dessa inevitável fase da vida, sem tons fúnebres ou excesso de romantismo. Ele acredita que, assim, aprende-se a valorizar mais tudo o que temos em vida.

Temos a morte física dos corpos, mas vivemos várias mortes ao longo de nossa vida.

Há partidas que não deveriam acontecer.

Há pessoas que deveriam ser imortais.

A morte de alguém próximo dói para sempre e você não será a mesma pessoa nunca, por isso é preciso chegar a um acordo com a morte própria e as dos seres queridos. Porque, mesmo nos momentos de dor mais aguda, vivem-se coisas boas.

Se a gente não morresse, aliás, a vida não teria a menor graça – o que nos faz andar é saber que um dia vamos desparecer.

O medo de morrer é um dos três medos que alicerçam a vida, segundo o pesquisador em neurociência e psicoterapeuta americano Stanley Keleman. Nós nos apegamos a um objeto, a uma situação ou a uma pessoa, porque temos medo de não sobreviver sem sua presença.

O medo de morrer também é um dos três ingredientes que compõem a cola do apego emocional. Como os outros dois temores, o medo de enlouquecer e o medo de não pertencer, ele pode se transformar num pântano de areia movediça que nos asfixia e nos impede de mudar.

Qualquer dia desses, embarco eu também… não é assim que é?

“Vai ter que encarar (a morte) um dia. Quando ele convocar, não tem escapatória. Por isso tem que fazer coisas boas aqui, pra dizer: ‘Foi legal'”, lembrou o músico Caçulinha.

“Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulhos, medo de passar vergonha ou falhar – simplesmente some diante da face da morte, deixando apenas o que é verdadeiramente importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu”, reforçou o fundador da Apple, Steve Jobs (1955-2011).

O autor George Saunder, sobre a própria experiência de estar próximo da morte, falou: “E se você puder andar por aí assim o tempo todo, realmente ter a consciência de que em algum momento chega ao fim? Esse é o truque“.

Não quero me aproximar da morte. Quero permanecer segura e o mais longe da morte que puder. Não quero atrair a morte, nem trazê-la para mais perto do que precisa estar. No entanto, de alguma maneira quero ter em mente que ela chegará para mim.

Ler a respeito de pessoas que morreram e que fizeram coisas interessantes durante a vida me dá vontade de levantar e fazer algo decente com a minha. “Pensar na morte todas as manhãs me faz querer viver”, lembrou o escritor Austin Kleon.

“Nunca tive medo de morrer. Eu entendo que cada um de nós está aqui por alguma missão e a única certeza é a morte. Então eu tenho muito mais medo de não fazer o melhor enquanto estou viva”, Ho Yeh Li, médica do HC-SP, vítima de Covid.

Aprendi que ninguém morre quando fica no coração de alguém.

“A morte é uma quimera: porque enquanto eu existo, ela não existe; e quando ela existe, eu já não existo” – Epicuro

Música: Times Like These, do Foo Fighters

I, I am a new day rising

I’m a brand new sky

To hang the stars upon tonight

I, I’m a little divided

Do I stay or run away

And leave it all behind?

It’s times like these you learn to live again

It’s times like these you give and give again

It’s times like these you learn to love again

It’s times like these time and time again

Letra e canção aqui.

E o prato do dia foi…

  • Bolo Bem Casado

Combo do dia #03 – Feminismo

Um texto + uma música + um prato

É preciso ser feminista

Photo by Becca Tapert on Unsplash

Em “Todas as mulheres do mundo”, a cantora Rita Lee diz que “Toda mulher é meio Leila Diniz”. Recapitulando, Leila se tornou um símbolo do feminismo nos anos 70: livre, inteligente, bonita, sexy e polêmica.

Competição feminina é algo que já passou. Estamos no momento de conexão e compartilhamento entre mulheres, de uma alavancar a outra.

Meninas, amigas, manas, mulheres: parem! Parem de fala mal uma das outras. Parem de julgar o corpo alheio, a roupa alheia.

Parem de desapreciar outras mulheres. Parem de apontar o dedo para os seus defeitos.

Mulheres: apoiem-se, elogiem-se, deem-se as mãos. Mulheres: vocês são seres únicos, poderosos, resilientes, fortes, encantadores.

É preciso ser feminista, como diria a escritora Tati Bernardi. Devemos ser feministas.

Uma mulher é desfigurada, espancada por quatro horas pelo desgraçado psicopata que conheceu na internet. Jamais leia os comentários abaixo de tal notícia. O numero de gente que culpa a vítima e não o agressor é maior do que um estomago digno poderia suportar.

No estado de São Paulo, uma mulher é vítima de feminicídio a cada 60 horas.

Eu gosto que segurem a porta para eu passar.

Eu gosto quando meu marido me leva para jantar e paga a conta.

Tudo bem, podemos discutir isso. Podemos ter preguiça de algumas coisas. Ponderar pode ser um importante movimento de fomentar o discurso.

Mas é preciso, apesar de tudo – e mais que tudo –, com paixão e intensidade, ser feminista.

Feminino é equidade dos sexos. Não é combate ou inveja do masculino.

Sobre o livro “Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie

Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica  entre os sexos.

Feminista é o homem ou a mulher que diz: “Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar”. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar.

Não falar sobre feminismo seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é ser humano, mas especificamente um ser humano do sexo feminino. Por séculos, os seres humanos eram divididos em dois grupos, um dos quais excluía e oprimia o outro. É no mínimo justo que a solução para esse problema esteja no reconhecimento desse fato.

Alguns homens se sentem ameaçados pela ideia de feminismo. Acredito que essa ameaça tenha origem na insegurança que eles sentem.

Os homens não pensam na questão do gênero, nem notam que ela existe.

Há questões particulares que acontecem comigo no mundo porque sou mulher.

Tem gente que diz que a mulher é subordinada ao homem porque isso faz parte da nossa cultura. Mas a cultura está sempre em transformação.

Para que serve a cultura? A cultura funciona, afinal, para preservar e dar continuidade a um povo. A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura.

De uma forma literal, os homens governam o mundo. Isso fazia sentido há mil anos. Os seres humanos viviam num mundo onde a força física era o atributo mais importante para a sobrevivência; quanto mais forte a pessoa, mais chances ela tinha de liderar.  E os homens, de maneira geral, são fisicamente mais fortes.

Hoje, vivemos num mundo completamente diferente. A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte, é a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos. Tanto um homem como uma mulher podem ser inteligentes, inovadores, criativos. Nós evoluímos. Mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar.

Feministas querem direitos iguais aos dos homens, e qual mulher com amor próprio aceitaria menos que isso?

Masculinidade tóxica

Em 2108, a palavra do ano foi masculinidade tóxica.

Ser homem não é tóxico, ser masculino não é tóxico. Mas ser Jair Bolsonaro é ser 100% masculinidade tóxica.

Agressivo, com excesso de competitividade, tendência à violência e ao uso desmedido da força.

O bolsonarismo é também uma reação à nova geração de meninas feministas, o que é inédito no Brasil.

A misoginia é o começo do problema que, no limite, leva ao feminicídio.

Leia uma pouco sobre feminismo antes de odiar o feminismo.

Pelas ruas

As ruas carregam nomes de pessoas que foram consideradas importantes em alguma medida. “No Brasil há pouquíssima participação feminina no Legislativo ou no Executivo. Os homens durante muito tempo eram vistos como as pessoas que faziam a história, a historiografia estudava personagens masculinos, que estavam em cargos de poder. E essas pessoas viraram nomes das ruas”, diz Heloisa Buarque de Almeida, professora da Universidade de São Paulo.

“Nascer mulher não é uma maldição, é uma riqueza”, diz Denis Mukwege

Lutar pela igualdade de gêneros passa longe de ser uma ideologia contemporânea: é um passo fundamental para estruturar o mundo que está nascendo. No palco do Fronteiras, o Nobel da Paz Denis Mukwege explica o papel das mulheres no futuro de todos e faz apelo aos homens para que se unam a elas. Vídeo aqui.

Não basta dizer feminista, falar do feminismo, ser feminista, expor uma compreensão de mundo feminista. Você tem que fazer alguma coisa. Ir para a ação.

Música: How Do You Sleep?, de Sam Smith

Baby

How do you sleep when you lie to me?

All that shame and all that danger

I’m hoping that my love will keep you up tonight

Baby

How do you sleep when you lie to me?

All that fear and all that pressure

I’m hoping that my love will keep you up tonight

Letra e canção aqui.

E o prato do dia foi…

  • Bolo salgado de pão de forma
  • Iscas de peixe empanado
  • Sopa cremosa de legumes

Filmes que quero ver

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Livros que quero ler

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  • Bonecas Russas, de Eliana Cardoso (Companhia das Letras)
  • A trégua, de Mario Benedetti (Alfaguara)
  • No jardim do Ogro, de Leïla Slimani (Tusquets)
  • Todo Dia, de David Levithan (Alfred A. Knopf)
  • A ridícula ideia de nunca mais te ver, de Rosa Montero (Todavia)
  • A Vida Sexual da Mulher Feia, de Claudia Tajes
  • Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie
  • A Gorda, de Isabela Figureiredo
  • A Menina da Montanha, de Tara Westover
  • Trilogia Suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez
  • O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir
  • Dando um tempo, de Marian Keyes
  • Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra
  • A Saideira: Uma dose de esperança depois de anos lutando contra a dependência, de Barbara Gancia (tô lendo)
  • A vegetariana, de Han Kang
  • Estar Vivo Aleija, de Ricardo Araújo Pereira
  • O Livro do Bem – Gratidão, de Ariane Freitas e Jessica Grecco
  • O que eu faço com a saudade?, de Bruno Fontes
  • O Inferno Somos Nós. Do Ódio à Cultura de Paz, de Leandro Karnal e Monja Coen
  • Pode não ser o que parece, de Samy Dana e Sergio Almeida
  • Quem diria que viver ia dar nisso, de Martha Medeiros
  • A Elegância do Agora, de Costanza Pascolato
  • Como se encontrar na escrita, de Ana Holanda
  • #Girlboss, de Sophia Amoruso
  • Mulheres na Luta – 150 Anos em Busca de Liberdade, Igualdade e Sororidade, de Jenny Jordahl e Marta Breen
  • Minha irmã, a serial killer, de Oyinkan Braithwait
  • 32 – Um homem para cada ano que passei com você, de Isabel Dias
  • Maternidade, de Sheila Heti 
  • Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro (Companhia das Letras)
  • 21 lições para o século 21, de Yuval Noah Harari 
  • Mulher, solteira e feliz, de Gunda Windmüller
  • Se deus me chamar não vou, de Mariana Salomão Carrara
  • Os veranistas, de Emma Straub
  • Trinta e Poucos, de Antonio Prata
  • Meus começos e meu fim, de Nirlando Beirão
  • Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl
  • Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago
  • Silêncio: Na era do ruído, de Erling Kagg

Assumo meus vícios. O prazer interminável de não terminar um livro chato. A cara de pau de mentir que já li aquilo que nunca lerei, mas que já era pra ter lido. A delicia que é pensar que ainda há tanto a ser lido. E tanto que jamais lerei.

O gosto pela leitura é um seguro de vida que dura todo a vida.

A literatura abre janelas.

Combo do dia #02 – Maternidade

Um texto + uma música + um prato

Procriar ou não procriar, eis a questão!

A maternidade não é um destino.

“Uma mulher precisa ter filhos porque ela precisa estar ocupada”, cogita a escritora canadense Sheila Heti, de 42 anos, autora do romance “Maternidade” (Companhia das Letras). “Há algo de ameaçador em uma mulher que não está ocupada com os filhos! Que tipo de problema ela vai arrumar?”, continua.

Eu não tenho filhos e tenho problemas. Poucos. Mas tenho.

By the way: Mark Manson, autor de “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se”, argumenta que o homem precisa de conflitos em sua vida. “Se as coisas ficam mais confortáveis, inventam-se novos problemas”. A cantora Luísa Sonza, ex-mulher do youtuber Whindersson, falou sobre a saúde mental e concluiu que são poucos os dias em que acorda feliz. “Tenho tudo isso e são raros os dias que acordo feliz, concluo que nossa felicidade não depende de nada externo e sim interno… Nossa mente é nosso pior inimigo”, disse ela no Twitter.

Voltando, até que ponto ter ou não filhos pode ser determinante para a nossa felicidade?

Quando me perguntam se quero ser mãe, respondo: que não: “Não quero abrir mão de coisas que me dão prazer (meus hobbies, minha identidade, meu tempo, minhas escolhas, minhas prioridades) em função dos filhos. A vida não é fácil economicamente e educar é muito difícil”.

Ao mesmo tempo em que alguém nasce, alguém morre – e essa pessoa é a antiga você. Você nunca mais será aquela mulher sem preocupações, que se sente livre para fazer o que bem quiser e decidir algo com espontaneidade.

Tem mais…

Passada a infância e adolescência, os filhos não vão corresponder à intensidade do amor das mães.

O amor entre mães e filhos não só muda com o passar do tempo como também dessincroniza. Filhos que saem de casa, que se casam, que vão construir outros amores – eles não vão amar suas mães do mesmo jeito que amavam. Podem adorar, reverenciar até – brasileiros gostam de tratar mães como santas. Mas o amor da infância, simbiótico, incondicional, este passa e é bom que seja assim.

Sabemos que isso é doloroso, mas natural, porque temos consciência de que nossos filhos precisam criar a sua própria identidade. É também um comando biológico para coibir relacionamentos incestuosos, ruins para a espécie. Para evoluir, precisamos de genes novos.

Queria ver mais mães que planejassem, assim como planejam sua aposentadoria, outras fontes de amor para o dia em que o ninho ficar vazio.

Para terminar…

Nunca tive filhos. Passei esse tempo todo ocupada, fazendo sexo (autor desconhecido).

“Motivos para preferir pets: duram e custam menos, amam mais facilmente”, citou Luiz Felipe Pondé.

Decidi não ter filhos por uma série de motivos, por Mariliz Pereira Jorge.

Todo nascimento é também uma morte.

No livro Maternidade (Ed. Companhia das Letras), Sheila Heti discute o tempo todo se a personagem (que, ela confessa, tem alta dose autobiográfica) deve ou não ter filho aos 37 anos. Em dado momento, a protagonista conclui que o melhor jeito de combater um tabu – que para ela era a gravidez – era falar sobre isso. Ela fala muito de tudo que perderia se de fato engravidasse.

Música: Take me to church (Hozier)

Take me to church

I’ll worship like a dog at the shrine of your lies

I’ll tell you my sins

So you can sharpen your knife

Offer me that deathless death

Good God, let me give you my life

Link para o clipe + letra: https://bit.ly/2lwcd44

E o prato do dia foi…

  • Legumes assados no forno
  • Chips de mandioquinha
  • Gringo integral (tortillas recheadas com legumes e queijo) 

“Não te rendas”, o lindo poema de Mario Benedetti

Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.

Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua, e teu é também o desejo,
porque o quiseste e eu te amo,
porque existe o vinho e o amor,
porque não existem feridas que o tempo não cure.

Abrir as portas,
tirar os ferrolhos,
abandonar as muralhas que te protegeram,
viver a vida e aceitar o desafio,
recuperar o riso,
ensaiar um canto,
baixar a guarda e estender as mãos,
abrir as asas
e tentar de novo
celebrar a vida e relançar-se no infinito.

Não te rendas, por favor, não cedas:
mesmo que o frio queime,
mesmo que o medo morda,
mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
ainda há fogo na tua alma,
ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque cada dia é um novo início,
porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, por eu te amo.

Quem foi Mario Benedetti?

Consagrado poeta uruguaio, Mario Benedetti (1920-2009) era um escritor que evitava as “grandes questões” e abordava as pessoas comuns com delicadeza e ternura.