Combo do dia #03

Um texto + uma música + um prato

É preciso ser feminista

Photo by Becca Tapert on Unsplash

Em “Todas as mulheres do mundo”, Rita Lee diz que “Toda mulher é meio Leila Diniz”. Recapitulando, Leila se tornou um símbolo do feminismo nos anos 70. Livre, inteligente, bonita, sexy e polêmica.

Competição feminina é algo que já passou. Estamos no momento de conexão e compartilhamento entre mulheres, de uma alavancar a outra.

Meninas, amigas, manas, mulheres: parem! Parem de fala mal uma das outras. Parem de julgar o corpo alheio, a roupa alheia.

Parem de desapreciar outras mulheres. Parem de apontar o dedo para os seus defeitos.

Mulheres: apoiem-se, elogiem-se, deem-se as mãos. Mulheres: vocês são seres únicos, poderosos, resilientes, fortes, encantadores.

É preciso ser feminista, como diria a escritora Tati Bernardi. Devemos ser feministas.

Uma mulher é desfigurada, espancada por quatro horas pelo desgraçado psicopata que conheceu na internet. Jamais leia os comentários abaixo de tal notícia. O numero de gente que culpa a vítima e não o agressor é maior do que um estomago digno poderia suportar.

No estado de São Paulo, uma mulher é vítima de feminicídio a cada 60 horas.

Eu gosto que segurem a porta para eu passar.

Eu gosto quando meu marido me leva para jantar e paga a conta.

Tudo bem, podemos discutir isso. Podemos ter preguiça de algumas coisas. Ponderar pode ser um importante movimento de complexar e formentar o discurso.

Mas é preciso, apesar de tudo – e mais que tudo –, com paixão e intensidade, ser feminista.

Feminino é equidade dos sexos. Não é combate ou inveja do masculino.

Sobre o livro “Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie

Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica  entre os sexos.

Feminista é o homem ou a mulher que diz: “Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar”. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar.

Não falar sobre feminismo seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é ser humano, mas especificamente um ser humano do sexo feminino. Por séculos, os seres humanos eram divididos em dois grupos, um dos quais excluía e oprimia o outro. É no mínimo justo que a solução para esse problema esteja no reconhecimento desse fato.

Alguns homens se sentem ameaçados pela ideia de feminismo. Acredito que essa ameaça tenha origem na insegurança que eles sentem.

Os homens não pensam na questão do gênero, nem notam que ela existe.

Há questões particulares que acontecem comigo no mundo porque sou mulher.

Tem gente que diz que a mulher é subordinada ao homem porque isso faz parte da nossa cultura. Mas a cultura está sempre em transformação.

Para que serve a cultura? A cultura funciona, afinal, para preservar e dar continuidade a um povo. A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura.

De uma forma literal, os homens governam o mundo. Isso fazia sentido há mil anos. Os seres humanos viviam num mundo onde a força física era o atributo mais importante para a sobrevivência; quanto mais forte a pessoa, mais chances ela tinha de liderar.  E os homens, de maneira geral, são fisicamente mais fortes.

Hoje, vivemos num mundo completamente diferente. A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte, é a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos. Tanto um homem como uma mulher podem ser inteligentes, inovadores, criativos. Nós evoluímos. Mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar.

Feministas querem direitos iguais aos dos homens, e qual mulher com amor próprio aceitaria menos que isso?

Masculinidade tóxica

Em 2108, a palavra do ano foi masculinidade tóxica.

Ser homem não é tóxico, ser masculino não é tóxico. Mas ser Jair Bolsonaro é ser 100% masculinidade tóxica.

Agressivo, com excesso de competitividade, tendência à violência e ao uso desmedido da força.

O bolsonarismo é também uma reação à nova geração de meninas feministas, o que é inédito no Brasil.

A misoginia é o começo do problema que, no limite, leva ao feminicídio.

Leia uma pouco sobre feminismo antes de odiar o feminismo.

Pelas ruas

As ruas carregam nomes de pessoas que foram consideradas importantes em alguma medida. “No Brasil há pouquíssima participação feminina no Legislativo ou no Executivo. Os homens durante muito tempo eram vistos como as pessoas que faziam a história, a historiografia estudava personagens masculinos, que estavam em cargos de poder. E essas pessoas viraram nomes das ruas”, diz Heloisa Buarque de Almeida, professora da Universidade de São Paulo.

“Nascer mulher não é uma maldição, é uma riqueza”, diz Denis Mukwege

Lutar pela igualdade de gêneros passa longe de ser uma ideologia contemporânea: é um passo fundamental para estruturar o mundo que está nascendo. No palco do Fronteiras, o Nobel da Paz Denis Mukwege explica o papel das mulheres no futuro de todos e faz apelo aos homens para que se unam a elas. Vídeo aqui.

Não basta dizer feminista, falar do feminismo, ser feminista, expor uma compreensão de mundo feminista. Você tem que fazer alguma coisa. Ir para a ação.

Música: How Do You Sleep?, de Sam Smith

Baby

How do you sleep when you lie to me?

All that shame and all that danger

I’m hoping that my love will keep you up tonight

Baby

How do you sleep when you lie to me?

All that fear and all that pressure

I’m hoping that my love will keep you up tonight

Letra e canção aqui.

E o prato do dia foi…

  • Bolo salgado de pão de forma
  • Iscas de peixe empanado
  • Sopa cremosa de legumes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s