Combo do dia #02

Um texto + uma música + um prato

Procriar ou não procriar, eis a questão!

“Uma mulher precisa ter filhos porque ela precisa estar ocupada”, cogita a escritora canadense Sheila Heti, de 42 anos, autora do romance “Maternidade” (Companhia das Letras). “Há algo de ameaçador em uma mulher que não está ocupada com os filhos! Que tipo de problema ela vai arrumar?”, continua.

Eu não tenho filhos e tenho problemas. Poucos. Mas tenho.

By the way: Mark Manson, autor de “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se”, argumenta que o homem precisa de conflitos em sua vida. “Se as coisas ficam mais confortáveis, inventam-se novos problemas”. A cantora Luísa Sonza, mulher do youtuber Whindersson, falou sobre a saúde mental e concluiu que são poucos os dias em que acorda feliz. “Tenho tudo isso e são raros os dias que acordo feliz, concluo que nossa felicidade não depende de nada externo e sim interno… Nossa mente é nosso pior inimigo”, disse ela no Twitter.

Voltando, até que ponto ter ou não filhos pode ser determinante para a nossa felicidade?

Quando me perguntam se quero ser mãe, respondo: “Hoje não. Não quero abrir mão de coisas que me dão prazer (meus hobbies, minha identidade) em função dos filhos. A vida não é fácil economicamente e educar é muito difícil.

Ao mesmo tempo em que alguém nasce, alguém morre – e essa pessoa é a antiga você. Você nunca mais será aquela mulher sem preocupações, que se sente livre para fazer o que bem quiser e decidir algo com espontaneidade.

Tem mais…

Passada a infância e adolescência, os filhos não vão corresponder à intensidade do amor das mães.

O amor entre mães e filhos não só muda com o passar do tempo como também dessincroniza. Filhos que saem de casa, que se casam, que vão construir outros amores – eles não vão amar suas mães do mesmo jeito que amavam. Podem adorar, reverenciar até – brasileiros gostam de tratar mães como santas. Mas o amor da infância, simbiótico, incondicional, este passa e é bom que seja assim.

Sabemos que isso é doloroso, mas natural, porque temos consciência de que nossos filhos precisam criar a sua própria identidade. É também um comando biológico para coibir relacionamentos incestuosos, ruins para a espécie. Para evoluir, precisamos de genes novos.

Queria ver mais mães que planejassem, assim como planejam sua aposentadoria, outras fontes de amor para o dia em que o ninho ficar vazio.

Para terminar…

Nunca tive filhos. Passei esse tempo todo ocupada, fazendo sexo (autor desconhecido).

“Motivos para preferir pets: duram e custam menos, amam mais facilmente”, diz Luiz Felipe Pondé.

Decidi não ter filhos por uma série de motivos, por Mariliz Pereira Jorge.

Todo nascimento é também uma morte.

No livro Maternidade (Ed. Companhia das Letras), Sheila Heti discute o tempo todo se a personagem (que, ela confessa, tem alta dose autobiográfica) deve ou não ter filho aos 37 anos. Em dado momento, a protagonista conclui que o melhor jeito de combater um tabu – que para ela era a gravidez – era falar sobre isso. Ela fala muito de tudo que perderia se de fato engravidasse.

Música: Take me to church (Hozier)

Take me to church

I’ll worship like a dog at the shrine of your lies

I’ll tell you my sins

So you can sharpen your knife

Offer me that deathless death

Good God, let me give you my life

Link para o clipe + letra: https://bit.ly/2lwcd44

E o prato do dia foi…

  • Legumes assados no forno
  • Chips de mandioquinha
  • Gringo integral (tortillas recheadas com legumes e queijo) 

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