Desapegue, por Zack Magiezi (poeta)

Desapegar.

Não é deixar ir.

Não é abrir as mãos.

Não é dar liberdade.

Para um passado, um sentimento, uma história.

Desapegar é deixar as coisas no lugar delas.

E aceitar o convite do Tempo.

Para seguir em frente.

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Soltar as rédeas, deixar a vida tomar a frente, pode ser muito bom mesmo. É saber tirar o esparadrapo do apego emocional com sabedoria. Dessa forma, ele se desprende sozinho, sem dor. Todo o sofrimento oferece-nos de bandeja uma maneira mais saudável de ser e de nos relacionar com o mundo. Aceite esse precioso produto.

A vida não é carrasca. Ela é sábia, generosa e criativa. Quando chegam essas experiências tristes, é porque temos de aprender algo com elas.

Sofrimento

Contardo Calligaris diz que é preciso sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso. “Eu acho um tremendo desastre esse ideal de felicidade que tenta nos poupar de tudo o que é ruim”.

“Somente a experiência de nossa própria escuridão nos dá a luz de que precisamos para ajudar os outros cuja jornada para os pontos escuros da vida está apenas começando”, escreveu a monja beneditina Joan Chttister no livro Between the Dark and the Daylight.

“É nesse momento que o pouco que experienciamos da escuridão nos qualifica para sermos algo capaz de iluminar a expedição humana. Sem isso, somos apenas palavras, apenas falsas testemunhas da verdade do que significa ser esmagado no chão e levantar-se outra vez”, diz ela.

O sofrimento que você passa não deve ficar restrito a você. Transformado, ele apenas fundamenta uma experiência que poderá servir para fortalecer outras pessoas. É isso. O sofrimento é só uma pequena parte. O florescimento dele na sua vida é o que mais importa.

O sonho da rotina corrida

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Cresci achando que era lindo ser ocupada.

Mesmo exausta, eu acreditava que havia uma beleza em viver na quinta marcha: era a forma mais fácil de me sentir importante – ou, pelo menos, o caminho mais curto para parecer importante aos outros. A rotina corrida era um jeito de alimentar meu ego, de me mostrar necessária, insubstituível.

Toda a minha vida, eu havia definido o meu valor pessoal apenas a partir da minha capacidade de ser produtiva. A forma como eu media o sucesso era pela quantidade de problemas que eu conseguia resolver.

“Entre o tédio e a ansiedade que afloraram em mim ao morar em uma sala de espera de hospital durante sete dias, aprendi uma lição: nosso verdadeiro valor e nossa maior força não estão na agilidade em que resolvemos pendências, mas em quanto estamos dispostos a redesenhar a nossa vida quando uma nova realidade se apresenta, exigindo que nos reinventemos – no meu caso, precisei descobrir uma versão de mim mesma mais leve, capaz de enxergar momentos de pausa sem medo nem culpa, com atenção plena e gratidão”, escreve Rafaela Carvalho, colaboradora da revista Sorria (idealizada e produzida pela Editora Mol, a revista é comercializada na Droga Raia) .

Lentidão

Lento não é sinônimo de menos efetivo ou menos produtivo. Ir mais devagar não significa não fazer as coisas, nem declarar guerra à modernidade ou à tecnologia. Viver devagar é viver em equilíbrio, ficar em silêncio, planejar, observar, refletir, cuidar de si e dos outros.

Sobre caminhar

Entendo o ato de caminhar como um deleite. Quando caminho, me conecto com o meu interior, relaxo.

Meditação

Meditação mindfulness consiste em prestar atenção ao que acontece no momento. A meditação me faz lembrar de respirar. Quando me sinto ansiosa, para por um momento e respiro, criando um instante calmo para a mente e para o corpo.

Detox digital

Não me culpo por não dar conta de todas as notícias. Tento ficar mais off-line e aproveitar esse tempo ganho para interagir com a família, ler, estudar, pensar, meditar, cuidar da casa, entre outras atividades.

Desconecte-se um pouco da internet e conecte-se mais às pessoas e a si mesmo.

Cuide das relações afetivas

Na sua escala de prioridades precisam estar as pessoas mais importantes da sua vida. Quando buscamos valorizar as relações humana e a convivência com família e amigos, tendemos a pensar mais no bem-estar e contemplar, conversar, trocar afeto, cuidar, brincar, desfrutar, praticar a escuta atenta.

Isso nada mais é do que desacelerar.

Quem são as pessoas mais importantes na sua vida hoje? Não deixe que a desculpa de “não ter tempo” tire de você o convívio com quem mais ama.

Respeitar o nosso tempo é um ato de amorosa coragem.

Combo do dia #09

Um texto + uma música + um prato

Autoconhecimento

Autoconhecimento é indispensável para o profissional do século 21.

De acordo com o relatório mais recente do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro, aptidões como criatividade, colaboração, flexibilidade, pensamento crítico, capacidade de trabalhar sob pressão e resolver problemas complexos serão obrigatórias para evoluir na carreira daqui para a frente.

E o autoconhecimento é o ponto de partida para o desenvolvimento dessa e outras soft skillls, como são chamadas as habilidades comportamentais.

As transformações pelas quais o mundo do trabalho vem passando e as demandas das novas gerações de profissionais – trabalho remoto, freelancer e sem carga horária fixa, por exemplo – cada vez mais vão exigir boa capacidade de gestão de si próprio.

Conhecer a si mesmo é uma investigação que tem início, mas nunca acaba.

A única pessoa que vai estar conosco a vida inteira somos nós, e desde cedo procuramos nos afastar de nós mesmos.

Somos os únicos responsáveis pela nossa própria alegria de viver. Sofia Esteves, presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos, afirma que precisamos parar de esperar que o mundo nos agrade, porque só assim podemos preservar nossa positividade:

“Ninguém pode ser dono da minha alegria. Ela me pertence e não importa se alguém foi rude ou me decepcionou. Eu sou a única responsável por me manter alerta e positiva”.

Criatividade e bem-estar

Podem inventar as mais mirabolantes formas de anabolizar a criatividade, mas nenhuma será mais eficiente do que o bem-estar. Pelo menos para a redatora de conteúdo Rafaela Kich, para quem produzir bem depende de um fator imutável: sentir-se bem.

“Uma vez que você entende que o seu cérebro e o seu corpo são seus principais instrumentos para fazer qualquer coisa (…) fica mais fácil perceber que cuidar de você mesmo é a melhor estratégia para ser produtivo”.

Música:

E o prato do dia foi:

  • Camarão na AirFryer

Combo do dia #07

Um texto + uma música + um prato

Meu sobrenome é procrastinação

Photo by Kate Stone Matheson on Unsplash

Movimento gera movimento. Deixar o corpo parado faz mal à saúde.

Eu tenho preguiça. Eu tenho preguiça de tudo. Até quando estou a fazer nada, eu tenho preguiça.

Descobri que, para combater a preguiça, precisamos agir. Simples assim. Tá com preguiça de ir? VÁ! Tá com preguiça de fazer? FAÇA!

Tá com preguiça de ler? LEIA. Tá com preguiça de escrever? ESCREVA! Tá com preguiça de trabalhar? TRABALHE!

O hábito de “transferir para outro dia” entra num círculo vicioso, do qual é difícil se libertar. Portanto, a procrastinação constante não está ligada à má gestão do tempo – ela nada mais é do que uma estratégia do cérebro para lidar com as emoções negativas. Sendo assim, é preciso aceitar o problema e entender o que está por trás dele para começar a superá-lo.

Depressão, outra mola propulsora do adiamento ou do atraso frequentes. Quem apresenta essa condição sofre com pensamentos negativos, sensação de inutilidade e sentimento de culpa. Qualquer tarefa se torna incômoda ou complicada. O depressivo não tem vontade nem energia para agir.

Ruth Manus diz: “Todos se sentem absolutamente devedores de si mesmos. Entramos numa lógica cruel que funciona mais ou menos assim: praticamente não importa o que a gente fez de bom, só importa aquilo que ficou faltando. Tudo o que ficou faltando grita dentro da nossa cabeça como se estivesse escrito em caixa-alta”.

“O que me parece necessário é pararmos de sentir tanta culpa. Não somos máquinas e nunca funcionaremos com perfeição”.

Música:

E o prato do dia foi…

  • Legumes recheados

Combo do dia #06

Um texto + uma música + um prato

Cozinhar me dá mindfulness

Photo by Alyson McPhee on Unsplash

“E se nesse momento específico em que você está cortando a cebola, não pensar em mais nada, só em cortar a cebola?”. Esse é um dos princípios do mindfulness (foco total no que está fazendo). Se você conseguir fazer isso, já quer dizer que está cuidando um pouquinho de si.

Mindfulness é um “treinamento da mente”, que envolve desenvolver e cultivar a atenção plena. Podemos dizer que é a “musculação da atenção”. Além disso, podemos dizer que a atenção plena envolve mais do que apenas treinar a atenção, e incluir também o desenvolvimento do que chamamos “atitude mindful” ou “olhar do principiante”. O “olhar do principiante” seria o contrário de prejulgar ou emitir juízo prévio de valor sobre as coisas, por exemplo, bom/ruim, gosto/não gosto.

Concentre-se no agora

Quando estamos tristes ou nos sentindo solitários, é comum levarmos os pensamentos para o passado ou para o futuro, sem prestarmos atenção no agora. Ter atenção no momento presente é uma ferramenta poderosa para quebrar os sentimentos negativos. Quando você presta atenção no que está fazendo, no lugar onde está, no seu redor, seu foco muda e seu humor também.

Uma pilha de louça suja na pia, por Dilson Branco

Mas o fato é que eu estava lá, mais uma vez, esfregando a esponja ensaboada nos pratos oleosos, e era inegável: sentia algo que podia muito bem ser chamado de satisfação. Entre enxágues e enxugos, fui filosofando sobre o porquê daquela minieuforia.

Um amontoado engordurado sobre a cuba traz uma certeza urgente: aquilo precisa ser resolvido. Adeus dúvidas, ansiedade, preocupação. Eis a coisa certa para já!

À beira da pia, sabemos exatamente como proceder. Não existem mistérios a ser desvendados, não há espaço para o imponderável, não tem erro. O embate entre o detergente e a sujeira sempre rende final feliz. Talvez seja preciso armar-se com uma esponja de aço. Às vezes, há baixas, uma taça que tomba. Mas, entre as tantas incertezas da vida, lavar louça é um refúgio garantido – vai dar certo.

Rumo ao destino glorioso, você pode seguir como for mais confortável: em silêncio, deixando o pensamento vagar; praticando uma espécie de meditação.

Os resíduos vão descendo pelo ralo, os utensílios vão para seus devidos lugares e parece que, dentro da gente, as peças também se purificam, se organizam. Não desvendamos os mistérios das galáxias, não foi um salto gigantesco para a humanidade, apenas um pequeno passo para um homem – um herói que soube se divertir com as pequenas incumbências de uma vida comum.

Caráter é alguma coisa que brota no silêncio de quem lava louça todo dia.

Música

E o prato do dia foi…

  • Saladona

Parabéns para mim

Fazer aniversário também é se lembrar de suas próprias escolhas – e de como elas devem, de fato, pertencer a você mesmo.

Quando eu tinha 34 anos, inventei que tinha 36. A intenção era fazer com que as pessoas me olhassem espantados: “Nossa! Não parece”. Agora, não preciso mais inventar. Eu cheguei aos 36.

O limbo dos 35

As pessoas fazem 30 e alguns anos e parecem começar a achar que estão automaticamente com a corda no pescoço. Acham que já deviam ter formado família, ficado ricos (ou pelo menos construído um bom patrimônio) e resolvido qualquer outro penduricalho da vida.

Parece que os 30 deixaram de ser a linha de largada para a vida e passaram a ser uma espécie de reta final, como se os 40 fossem o princípio do fim.

Os 40, definitivamente, não são o encontro com a morte, a beira do abismo. A vida não é para ser uma corrida contra o tempo. A gente tem que ir andando, dando umas reboladas, umas tropeçadas e tal. E vai rindo, vai pensando, vai vivendo. Vivendo. Porque enquanto o futuro está lá, a vida está rolando aqui.

O “limbo dos 35” é o nome de uma “teoria” explicada por uma jornalista, que fez muito sentido para mim.

A pessoa com 35 anos vive num limbo, não sabe se casa ou se compra uma bicicleta. Ela quer casamento, filho, segurança, estabilidade, emprego, casa própria e carro na garagem. A vida padrão que seus pais tiveram.

Mas, ao mesmo tempo, a pessoa com 35 anos sente um comichão interno que a faz ir em busca de liberdade, flexibilidade, vivências, experiências, viagens. Livre.

Conclusão: ela não fica nem lá nem cá. Ora fica de um lado, ora de outro.

Alguém me dá um propósito!

Uma vez eu li: se você não tiver meta na vida aos 40 anos você já tá acabado.

Eu sinto falta de ter um propósito, uma missão na vida.

Eu queria ter uma paixão estampada na testa, algo pelo qual valesse a pena lutar com unhas e dentes.

O psicanalista Contardo Calligaris defende que mais importante do que a felicidade é buscar ter uma vida interessante.

O que eu preciso fazer para ter uma vida interessante?

Eu preciso realizar um ato heroico? Eu preciso viver em constante bem-estar? Eu preciso ser mais altruísta?

Eu preciso me engajar mais? Eu preciso militar por alguma causa? Eu preciso ter um insight? Promover uma arte?

Criar uma obra? Ter uma vida ocupada?

Meu propósito talvez seja todos esses acima: buscar mais perguntas do que respostas!

Porque ultimamente tenho procurado, procurado, comprado receitas, seguido fórmulas, tomado um monte de decisões precipitadas, e nada aconteceu.

Admiro gente que encontrou seu propósito na vida, que trabalha como se não estivesse trabalhando, que vive um sonho todos os dias.

Vejo-me procurando meu propósito na vida, aquela parada que vai me fazer virar um ser iluminado extraterrestre.

Concluí que talvez o ato de se perguntar o tempo todo onde está esse tal de propósito na nossa própria vida e a abertura de experimentar um pouquinho aqui, um pouquinho ali, ajuda mais do que seguir uma receita de bolo pra vida.

Descoberta de propósito e momentos de felicidade não são coisas que se constroem a partir de receitas prontas.

São construções de longo prazo, onde a curiosidade e a ousadia abrem pista pra gente acelerar, desacelerar, quebrar a cara, corrigir a rota, fazer curva e retorno, até que depois de tanto procurar, a gente encontra um caminho que faça sentido na nossa existência.

Então, se for pra escutar alguém nessa vida, que tal escutar a si mesmo?

Que tal arriscar mais, sem se expor demais, e sem se preocupar demais com o que o coleguinha vai achar de você, sem achar que tem que estar tudo perfeito pra começar, sem perder o foco – fazer poucas coisas, muito bem feitas – e, principalmente, sem deixar que a vida te leve sem que você tenha sequer a chance de levar a vida que sempre quis?

A busca pelo propósito é um dos nortes das carreiras atualmente. Mais do que remuneração ou benefício, muitos viram os olhos para essa variável quando estudam a estruturação da própria vida profissional. Mas como descobrir o seu propósito? Para o palestrante João Torres, a resposta passa por um processo de autoconhecimento, através do qual deve-se perceber quais são as suas capacidades de destaque.

“O propósito pessoal é uma questão multifacetada e que está diretamente relacionada com seus dons e seus talentos, ou seja: com aquilo que você é bom. Com o que você veio fazer de diferente no mundo”.

Eu sou uma lifelong learner!

Na primeira vez que eu ouvi falar sobre esse termo, tive que recorrer ao tradutor. Depois de descobrir a sua tradução, Eterno Aprendiz, pude dizer que: eu sou uma lifelong learner e não sabia!

Olha aí o meu propósito, a minha definição, a minha meta de vida! Olha aí algo que eu quero ser pra sempre, me aprofundar.

Não quero mais dizer que sou uma jornalista. Quero gritar aos quatro cantos que, agora, eu sou uma lifelong learner.