Perdão

Se meu último fim de semana pudesse ser descrito numa só palavra, seria perdão. Coincidentemente, sábado e domingo foram pautados por essa palavra, de escrita e pronúncia simples, mas com significado tão profundo que me fez refletir: perdoar é um ato de amor aos próximos ou a si mesmo?

A palavra perdoar deriva do latim perdonare e significa capacidade de doar sem reservas. Ou seja, traduz o desafio de decidir conscientemente que o outro não lhe deve mais nada e está livre para seguir o caminho.

Voltando ao fim de semana, no sábado, fui a uma palestra na Happy Science que abordou a relação entre o perdão e a felicidade. A monja Maya Fukuzawa falou sobre a importância do perdão para nos livrarmos de sentimentos ruins como mágoa, rancor e ira, os quais, segundo ela, emanam energia negativa e atraem espíritos que nos impedem de sermos tchan tchan tchan  felizes.

A monja fez questão de enaltecer, de forma bastante didática: “Devemos exercer a empatia, entender a situação do outro que nos feriu e não-de-se-jar-o-mal-ao-pró-xi-mo”.

Durante um bom tempo da palestra fiquei pensando se eu sou uma pessoa rancorosa, vitimada ou generosa, e se devo perdoar alguém. Depois, comecei a refletir sobre o conceito de Justiça e frases tão comuns, como: “Eu desejo que se faça Justiça!”; “Eu desejo que ele pague pelo erro que cometeu”; “Eu desejo que ele cumpra a sua pena!”; “Eu desejo que ele apodreça na prisão”.

Como perdoar alguém que nos fez tanto mal? E, como não querer que ele pague por isso?

No domingo, assisti ao filme de Van Sant “A pé ele não vai longe”, que narra a história do polêmico cartunista John Callahan, famoso nos anos 1970 por charges sarcásticas que, hoje, seriam inviáveis pelo politicamente correto.

Nele, Joaquin Phoenix está na pele do artista, que ficou tetraplégico em um desastre de carro após uma bebedeira. O personagem culpa várias pessoas pelo seu acidente: sua mãe, que o abandonou na maternidade e virou pó; o motorista, que, bêbado, causou o acidente ao confundir um poste com uma placa de saída; e, a si mesmo, por ter bebido naquela noite, por ter aceitado ir a uma festa com um total desconhecido e por ter entrado naquele carro.

No momento em que ele perdoa a mãe, o motorista e a si mesmo, os pesos da culpa, raiva e mágoa saem de seus ombros e lhe trazem, finalmente, serenidade, paz e um sorriso no rosto.

Leio a Carta da Roberta, na revista “Sorria”: “Perdoar é romper um ciclo de raiva e mágoas. Nesse difícil processo, todos saem ganhando, especialmente quem perdoa”.

“Absolver-se não significa se abster da responsabilidade, nem é uma carta branca para continuar fazendo besteira sem arrependimento. É só parar de se chicotear pelo que já está feito – até porque ficar se punindo não muda nem resolve nada, só leva a mais sofrimento e tensão. É um gesto de compaixão e empatia consigo mesmo. Vamos tentar entender: o que nos levou a essa situação? Por que reagimos assim?”.

“Perdoar-se é, sobretudo, se dar permissão para ir adiante, entendendo que os erros fazem parte do processo e deveriam servir para a gente aprender, não para nos paralisar”.

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