Escrevo, logo existo

“Por que resolvi escrever? Temia a noite, o esquecimento; o que eu vira, sentira, amara, era-me desesperante entregá-lo ao silêncio. Comovida com o luar, aspirava logo a uma caneta, a um pedaço de papel e a saber utilizá-los. Escrevendo uma obra tirada da minha história, eu me criaria a mim mesma de novo e justificaria a minha existência”.

Comecei a escrever os posts desse blog logo após de ter lido o parágrafo acima, assinado pela escritora francesa Simone de Beauvoir*. Dentre todos os meus vícios, a escrita tornou-se o mais secreto e saudável deles. Foi a melhor forma que encontrei para passar o tempo, aprimorar a minha‘habilidade’, progredir pessoal e profissionalmente, extravasar meus pensamentos.

A procrastinação mais sadia que já tive!

Escrever não é um dom, uma iluminação; é um ofício, uma habilidade que se desenvolve. Quanto mais  familiarizado se é com a escrita, melhor se escreve. Escrever bem é uma prática e uma vocação.

Toda vez que leio meus textos, faço algum tipo de alteração: “Será que o leitor vai entender o que eu estou tentando dizer?”, “Será que eu estou me entendendo?”, “Se usar outra palavra em vez dessa, serei mais clara?”, “Como posso deixar esse texto mais ‘rico’, atrativo?, “Será que os leitores irão se identificar com esse assunto?”. Sempre acho que (o texto) ainda precisa de um ajuste.

Ana Holanda diz: “Achava tudo incrível num primeiro momento, mas bastava me distanciar um pouco daquelas palavras que tudo aquilo me parecia uma tremenda bobagem. E pensava ‘quem sou eu para achar que posso escrever um livro?, ‘quem vai se interessar por isso?'”.

Tudo o que eu escrevo nunca tem fim! É uma evolução contínua da minha ‘aptidão’ e de mim mesma. E por que eu faço isso? Para atualizar o conteúdo, torná-lo melhor, mais rico, atrativo e beneficiar as pessoas que o leem.

Acredito que, por meio da escrita, eu possa encontrar o significado da minha existência, assim como Simone de Beauvoir encontrou a sua. Escrever é uma escavação! “É como conversar com o psiquiatra”, diz Sir Paul McCartney. 

Eu escrevo o que eu quero ler, e espero que os outros queiram ler também. Sinto, elaboro e coloco na tela meu diário de vida.  Toda crônica é uma espécie de papo.

Para ser um escritor, respeite a sua essência

Sempre fui muito insegura com a minha escrita. Demorei para criar coragem e divulgar as minhas palavras para o mundo.

Fico me questionando se tudo o que eu escrevo é péssimo, bobo, sem valor.

Entendi que é possível escrever bem e de maneira simples.

Nesse momento, abraço a simplicidade de coração aberto. É isso que norteia a minha escrita.

Isso não significa que não possa sempre aprimorar a minha escrita e ouvir conselhos de grandes mestres.

“Tive que reaprender a admirar a minha própria escrita e aceitar que sempre terei como evoluir. Sempre poderei aprender mais e aprimorar o que não está tão bom. No entanto, jamais devo perder a minha essência”, escreve Bruna Cosenza, produtora de conteúdo e escritora.

“Até por que se deixar de escrever como e sobre o que gosto, essa atividade irá perder o significado em minha vida”, continua.

Nenhum escritor deve, de maneira alguma, perder aquilo que tem de mais singular.

“Por mais que a atividade de um escritor seja muito solitária, para se ter ideias e fazer boas reflexões é preciso viver”.

Ruth Manus diz: “Gostaria de ser mais segura, confesso. Mas não. Eu só funciono aos trancos. Sou aquela que precisa de um empurrão para cair na piscina gelada, a que precisa de mil confirmações para acreditar que está no caminho certo e que, ainda assim, tem um “Será?” persistente, alojado no alto do ombro, sussurrando dúvidas toda hora no ouvido.

Resolvi ouvir a minha intuição e agir!

A arte de escrever nos coloca a frente de muitos desafios. Primeiro que temos que acreditar que aquela história vai fisgar a atenção do leitor e que o que você tem a dizer, que o mundo que você criou, tem valor e vai habitar a mente de milhares de leitores.

Você, escritor, escritora, tem que acreditar na sua história antes de qualquer outra pessoa, pois é você quem faz um pacto com o tempo e fica horas e horas diante de uma tela de notebook, diante de um caderno ou qualquer outro meio que traga da sua mente para mundo visível, perceptível, a obra que você criou.

Comecei achando que ia conseguir reservar um tempo todo dia, com calma, em que sentaria plena na minha escrivaninha e conseguiria fazer tudo. Mas a vida não é bem assim. O tempo foi passando e eu percebi que tinha que escrever onde desse.

* “Não se nasce mulher, torna-se”. Simone de Beauvoir escreveu uma obra filosófica sobre a condição feminina em 1949, obviamente foi atacada, geralmente o que acontece com todas as mulheres que desafiam seu tempo.

Em “A força da idade”, Beauvoir revelou que, além da ânsia pela liberdade, tinha uma “obstinação esquizofrênica pela felicidade”.

“Em toda a minha existência, não encontrei ninguém que fosse tão dotada para a felicidade quanto eu, ninguém tampouco que se prendesse a isso com tamanha obstinação. Logo que a toquei, tornou-se minha única preocupação”.

Mais uma curiosidade…

“Todo ano, um milhão de mulheres fazem aborto na França. Eu sou uma dessas mulheres. Eu abortei”. O manifesto foi assinado por 434 mulheres e publicado no Nouvel Observateur, em 1971. 

A redatora do manifesto era ninguém menos que Simone de Beauvoir.

 

 

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