Mulheres, me desculpem

Desculpe-me quando eu falei da sua roupa. Porque eu falei. Eu julguei. Eu ri. Eu achei feia, brega, vulgar. Não devia ter falado, mas falei.

Desculpe-me quando eu falei do seu cabelo. Porque eu falei. Falei que estava sem corte, feio, mal-tratado, armado, sem volume, opaco, desbotado, mal-pintado.

Desculpe-me quando eu falei do seu namorado. Porque eu falei. Falei que ele era feio, gordo, chato.

Desculpe-me quando eu falei do seu corpo (da sua bunda, do seu peito, da sua barriga, da sua perna, do seu umbigo). Porque eu falei. Falei que você estava gorda demais, flácida demais, magra demais e forte demais.

Falei da sua pele, do seu nariz, da sua profissão, da sua família, da sua voz, do seu cachorro, da sua religião, do seu carro, da sua casa e até da sua comida (!). Falei da sua vida todinha, de cabo a rabo.

Mesmo sem intenção, eu julguei e falei tanto mal de vocês, mulheres. E, o pior: sem vocês saberem.

Eu senti inveja, eu desejei o pior, eu torci pra dar errado, eu vibrei quando foi tudo por água abaixo.

Desculpem-me, mulheres. Não foi engraçado, não foi apropriado, não foi necessário, não foi nem um pouco empático da minha parte.

Levei um tempo para descobrir que não somos inimigas, e que, em vez de maltratá-las com as minhas palavras, deveria apoiá-las, não somente com palavras, mas também com ações.

Levei um tempo para deixar de apontar os seus defeitos e começar a olhar as suas qualidades, as quais hão de existir sempre!

Levei um tempo para elogiá-las, exaltá-las.

Levei um tempo para crescer, amadurecer, me tornar uma pessoa melhor e, enfim, me arrepender!

Nunca falei tanto sobre negros – Parte 2

Nunca falei tanto sobre pessoas negras. Depois de 35 anos, aboli do meu vocabulário – sem nenhum sacrifício – palavras como mulata (o), neguinho (a), denegrir, e expressões como humor negro, cabelo ruim, a coisa tá preta. Se incomodam, ofendem e magoam boa parte da comunidade negra, vou continuar falando a troco de quê? 

No BBB 19, o participante Danrley opinou sobre a postura de (até então) outro integrante, Maycon. Segundo o brother, o vendedor de queijos faz umas piadas que afetam ele e outras pessoas fora do confinamento.  “O Brasil está mudando com questões como racismo, homofobia e machismo, isso tudo está caindo e estamos aqui para derrubar”, declarou o carioca.

“Estamos aqui em rede nacional e temos a oportunidade de mudar isso. Não é que a gente vai ficar militando, é que nós temos a oportunidade de discutir esses assuntos aqui”, completou o vendedor de picolés. Logo, Danrley falou sobre o comportamento do mineiro: “Ele faz piadas com esses temas que reforçam estereótipos e preconceitos. Eu já falei para ele tomar cuidado porque isso pode prejudicá-lo, ele disse que não iria mudar, pois é o jeito dele e eu falei que tudo bem. Só que, ao mesmo tempo, ele tá me ferindo e ferindo muita gente que está na luta lá fora”.

Nota: Não posso deixar de citar esse post incrível da Nina Lemos sobre a falta de sensibilidade galopante no mundo da moda: https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/

Nunca falei tanto sobre negros – Parte 1

Nunca falei tanto sobre pessoas negras e hierarquia de raças como nos últimos meses. Durante 35 anos, me calei diante desse assunto. Agora, aos 35 e alguns meses, comecei a falar, ouvir, pensar e a me interessar sobre esse tema.

Primeiramente, questiono a mim e às pessoas com as quais convivo: “Onde estão os negros?”. Na escola dos meus sobrinhos, não. No clube em que frequento, não. Nas festinhas dos meus sobrinhos, também não.

Nos restaurantes, teatros, cinemas nos quais costumo ir, não. Nos lugares em que trabalhei, não. No futebol e na aula de balé dos meus sobrinhos, adivinhem? Não.

Na verdade, eles estão lá sim. Não como clientes, alunos, associados, jogadores, bailarinos. Quase invisíveis, eles estão do outro lado do balcão, atuando em funções as quais, muitas vezes, são consideradas inferiores pela sociedade.

Acabo de ler no LinkedIn: “Pessoas negras e pardas não ocupam espaços que correspondam à sua porcentagem na população brasileira. Basta conferir o organograma de qualquer empresa ou o elenco de qualquer novela”. Continuo achando que pessoas negras ocupam, sim, os mesmo espaços que nós, pessoas brancas, mas com a única e exclusiva função de nos servir.

Será que estou sendo radical demais? Será que estou exagerando?

Leio, na Folha de S. Paulo, Djamila Ribeiro, escritora e ativista: “Somos a maior nação negra fora do continente africano, com dividas históricas para as quais ainda se fecham os olhos. O Brasil é desigual porque não enfrenta da maneira certa as desigualdades causadas pelo racismo. Quando não criamos mecanismos de inclusão, acontece isso, de pessoas não entendendo a gravidade do nosso holocausto”.

Sigo lendo, num perfil do Instagram (infelizmente não me lembro qual), a atriz Elisa Lucinda: “Então você entra num restaurante onde só tem branco e não repara isso. E você é gente boa… Conheço um monte de gente de esquerda que entra num restaurante, só tem branco, e não percebe isso, que alguma coisa está errada. Se tem territorialidade, tem apartheid”.

Holocausto, apartheid! Não, não estou sendo radical demais. Estou sendo de menos. Nós estamos. A desigualdade se naturalizou de tal forma que as pessoas se acostumaram a entrar em certos ambientes e não encontrar um pessoa negra.

Hoje, quando vou a um restaurante é a primeira coisa em que eu penso: “tem negros aqui?”.

“Não existe racismo no Brasil. O machismo acabou. Homofobia não é mais um problema”. Essas declarações partem, invariavelmente, do opressor – daquele que tem tudo para ser tachado de racista, machista e homofóbico. Difícil ver um negro dizer que nunca sofreu racismo, ou que tem saudades do politicamente  incorreto, da época em que faziam “piada de crioulo” na televisão.

Faço parte dessa minoria privilegiada que não é revistada, achacada.

Termino o texto com uma reflexão proposta pela cantora Anelis Assumpção, que li aqui: “Se observo um grupo reunido numa piscina e digo: ‘quanta gente branca’ (que carrega todo o privilégio que estamos todos cansados de saber quais são), quero, na verdade, dizer: ‘onde então estão se divertindo os pretos?’, ‘onde está o grupo de negros e negras reunidos numa piscina por merecimento construído?’”.

Nota: Acabo de ler , na coluna da Mônica Bergamo, sobre o desfile da Mangueira (campeã 2019), no Rio. A escola homenageou Marielle Franco e recontou a história do Brasil, desta vez com o protagonismo de negros e índios, o que atraiu para a Sapucaí boa parte de militantes de esquerda.

A atriz Georgiana Góes disse ter a consciência de que estava “num ambiente burguês, onde quase todos os negros são empregados”. “É difícil isso, a gente quer que eles sejam os protagonistas, não queremos só aplaudir o gari negro que samba. Queremos ele entre a gente”.

Nota 2: No livro “Homem Invisível”, o escritor norte-americano Ralph Ellison conta a história de um homem negro que se muda para uma grande cidade onde os brancos não o enxergam. A colunista Brenda Fucuta diz que, ainda hoje, os invisíveis estão entre nós, limpando o chão da empresa, retirando os pratos do jantar, servindo café em uma reunião de trabalho.

Nota 3: Vera Iaconelli, doutora do Instituto Gerar, diz que ser tido como “branco no Brasil” funciona como um passaporte para ser bem recebido em shoppings, restaurantes, clubes, universidades, aeroportos. “Vale perguntar com quantos psicanalistas negros convivemos e quantos estão em nossas bibliografias?”.

Ainda assim, o brasileiro continua negando a existência de um racismo estrutural, insistindo na ideia do acontecimento isolado.

Nota 4: Dia 20/11 é o Dia da Consciência Negra. Enquanto não houver consciência da desigualdade que as pessoas negras sofrem em nossa sociedade ainda será necessário haver um dia e um mês para nos lembrar de olharmos para isso.

Semana passada estive na Chapada Diamantina, na Bahia. No hotel onde fiquei todos os funcionários eram negros. Não vi nenhum hóspede negro. Isso é algo para se estranhar, num país onde mais de 50% são negros ou pardos e especialmente na Bahia, que é o único estado brasileiro onde há mais pretos autodeclarados do que brancos. Se não estranhamos é porque estamos tão acostumados com o racismo estrutural que permeia nossas vidas diárias, que não percebemos ou achamos normal que a maioria das pessoas em funções subalternas sejam negras enquanto quase não se vê negros em função de liderança ou destaque. Por Sandra Caselato.

O racismo no Brasil está cristalizado em nossa cultura de um modo tão normalizado que muitas vezes não o percebemos. Mas podemos identificá-lo facilmente se prestarmos um pouco de atenção. Não é difícil constatar que poucas pessoas negras ocupam cargos de chefia em grandes empresas e que a maioria dos estudantes nas melhores universidades é branca. Simplesmente ligando a TV podemos notar a baixa representatividade de pessoas negras, e ainda é possível escutar por aí expressões e piadas racistas.

O racismo não se manifesta apenas em forma de discriminação racial direta, mas também de maneira institucional, estrutural e cultural. Ele permeia a todos nós não porque queremos ou porque somos pessoas más, mas porque fomos criados numa sociedade racista e expostos a ele como algo normalizado. E assim, por ser a norma, ele se torna invisível. Invisível na estrutura como nossa sociedade se organiza e invisível quando ocorre dentro de cada um de nós e em atitudes que tomamos sem perceber. 

Pai escroto

Photo by Stock Photography on Unsplash

Estou sentada na biblioteca em frente a um pai escroto que está tentando (de um jeito bem escroto) ensinar uma equação matemática ao seu filho. “Que merda é essa?”, ele pergunta. “Burro, preguiçoso”, continua.

Quando ele falou alto com o filho pela primeira vez, pausei! Quando ele esmurrou a mão na mesa, pausei por mais tempo ainda! E, quando ele começou a bater – disfarçadamente – no braço do filho, pausei eternamente (sim, estou pausada até agora!).

Fiquei ali, estática, pensando se devia ou não intervir e como faria isso. “Devo chamar alguém, olhar feio ou simplesmente fechar o punho, esticar a mão e dar-lhe um murro no meio da cara?”.

Sem dizer uma palavra, olhei sutilmente para o colega ao lado e para a atendente; na verdade, meus olhos estavam gritando: “Me ajudem a chamar atenção desse pai escroto!”.

A atendente atendeu ao recado e, com muita sutileza, pediu ao pai que falasse mais baixinho. Adiantou, pois o pai calou-se.

A atendente, eu, o colega. Todos muito sutis diante de um pai escroto!

Quando é que você vai casar?

Toda vez que encontro X ela me faz essa mesma pergunta. Eu até evito encontrá-la por causa disso. Já respondi: “quando Deus quiser”, “quando meu companheiro quiser”, “não sei”, “vai demorar”, “acho que nunca”. Engraçado que nunca respondi: “quando eu quiser”.

O problema não está em X, na pergunta, nem no casamento. O problema está no quando.

Para ela, o casamento é um fato: ele vai acontecer, só lhe resta saber quando. Mesmo sem querer, essa sua certeza presunçosa me incomoda. Que tal, da próxima vez, perguntar se eu quero casar. Eu explano a minha opinião sobre a vida a dois, conta-conjunta e todo o resto e você contra-argumenta sobre a vida a dois e todo o resto. A conta-conjunta fica pra outra hora.

Não vou casar, amiguinha X. Não tenho dinheiro (hoje) suficiente para esse investimento e, mesmo se tivesse (hoje) verba sobrando, não é algo que almejo (hoje).

O vestido, a festa, os convidados, as músicas, a cerimônia, a aliança. Tudo muito lindo. Mas hoje não. Concordo com a atriz Rosi Campos: “Nunca quis casar, sempre achei cafona. Mas choro em todos os casamentos a que vou”. Só consigo pensar: que honra ter sido parte de um momento tão marcante para alguém que quero tão bem.

Perdão

Se meu último fim de semana pudesse ser descrito numa só palavra, seria perdão. Coincidentemente, sábado e domingo foram pautados por essa palavra, de escrita e pronúncia simples, mas com significado tão profundo que me fez refletir: perdoar é um ato de amor aos próximos ou a si mesmo?

A palavra perdoar deriva do latim perdonare e significa capacidade de doar sem reservas. Ou seja, traduz o desafio de decidir conscientemente que o outro não lhe deve mais nada e está livre para seguir o caminho.

Voltando ao fim de semana, no sábado, fui a uma palestra na Happy Science que abordou a relação entre o perdão e a felicidade. A monja Maya Fukuzawa falou sobre a importância do perdão para nos livrarmos de sentimentos ruins como mágoa, rancor e ira, os quais, segundo ela, emanam energia negativa e atraem espíritos que nos impedem de sermos tchan tchan tchan  felizes.

A monja fez questão de enaltecer, de forma bastante didática: “Devemos exercer a empatia, entender a situação do outro que nos feriu e não-de-se-jar-o-mal-ao-pró-xi-mo”.

Durante um bom tempo da palestra fiquei pensando se eu sou uma pessoa rancorosa, vitimada ou generosa, e se devo perdoar alguém. Depois, comecei a refletir sobre o conceito de Justiça e frases tão comuns, como: “Eu desejo que se faça Justiça!”; “Eu desejo que ele pague pelo erro que cometeu”; “Eu desejo que ele cumpra a sua pena!”; “Eu desejo que ele apodreça na prisão”.

Como perdoar alguém que nos fez tanto mal? E, como não querer que ele pague por isso?

No domingo, assisti ao filme de Van Sant “A pé ele não vai longe”, que narra a história do polêmico cartunista John Callahan, famoso nos anos 1970 por charges sarcásticas que, hoje, seriam inviáveis pelo politicamente correto.

Nele, Joaquin Phoenix está na pele do artista, que ficou tetraplégico em um desastre de carro após uma bebedeira. O personagem culpa várias pessoas pelo seu acidente: sua mãe, que o abandonou na maternidade e virou pó; o motorista, que, bêbado, causou o acidente ao confundir um poste com uma placa de saída; e, a si mesmo, por ter bebido naquela noite, por ter aceitado ir a uma festa com um total desconhecido e por ter entrado naquele carro.

No momento em que ele perdoa a mãe, o motorista e a si mesmo, os pesos da culpa, raiva e mágoa saem de seus ombros e lhe trazem, finalmente, serenidade, paz e um sorriso no rosto.

Leio a Carta da Roberta, na revista “Sorria”: “Perdoar é romper um ciclo de raiva e mágoas. Nesse difícil processo, todos saem ganhando, especialmente quem perdoa”.

“Absolver-se não significa se abster da responsabilidade, nem é uma carta branca para continuar fazendo besteira sem arrependimento. É só parar de se chicotear pelo que já está feito – até porque ficar se punindo não muda nem resolve nada, só leva a mais sofrimento e tensão. É um gesto de compaixão e empatia consigo mesmo. Vamos tentar entender: o que nos levou a essa situação? Por que reagimos assim?”.

“Perdoar-se é, sobretudo, se dar permissão para ir adiante, entendendo que os erros fazem parte do processo e deveriam servir para a gente aprender, não para nos paralisar”.

Escrevo, logo existo

“Por que resolvi escrever? Temia a noite, o esquecimento; o que eu vira, sentira, amara, era-me desesperante entregá-lo ao silêncio. Comovida com o luar, aspirava logo a uma caneta, a um pedaço de papel e a saber utilizá-los. Escrevendo uma obra tirada da minha história, eu me criaria a mim mesma de novo e justificaria a minha existência”.

Comecei a escrever os posts desse blog logo após de ter lido o parágrafo acima, assinado pela escritora francesa Simone de Beauvoir*. Dentre todos os meus vícios, a escrita tornou-se o mais secreto e saudável deles. Foi a melhor forma que encontrei para passar o tempo, aprimorar a minha‘habilidade’, progredir pessoal e profissionalmente, extravasar meus pensamentos.

A procrastinação mais sadia que já tive!

Escrever não é um dom, uma iluminação; é um ofício, uma habilidade que se desenvolve. Quanto mais  familiarizado se é com a escrita, melhor se escreve. Escrever bem é uma prática e uma vocação.

Toda vez que leio meus textos, faço algum tipo de alteração: “Será que o leitor vai entender o que eu estou tentando dizer?”, “Será que eu estou me entendendo?”, “Se usar outra palavra em vez dessa, serei mais clara?”, “Como posso deixar esse texto mais ‘rico’, atrativo?, “Será que os leitores irão se identificar com esse assunto?”. Sempre acho que (o texto) ainda precisa de um ajuste.

Ana Holanda diz: “Achava tudo incrível num primeiro momento, mas bastava me distanciar um pouco daquelas palavras que tudo aquilo me parecia uma tremenda bobagem. E pensava ‘quem sou eu para achar que posso escrever um livro?, ‘quem vai se interessar por isso?'”.

Tudo o que eu escrevo nunca tem fim! É uma evolução contínua da minha ‘aptidão’ e de mim mesma. E por que eu faço isso? Para atualizar o conteúdo, torná-lo melhor, mais rico, atrativo e beneficiar as pessoas que o leem.

Acredito que, por meio da escrita, eu possa encontrar o significado da minha existência, assim como Simone de Beauvoir encontrou a sua. Escrever é uma escavação! “É como conversar com o psiquiatra”, diz Sir Paul McCartney. 

Eu escrevo o que eu quero ler, e espero que os outros queiram ler também. Sinto, elaboro e coloco na tela meu diário de vida.  Toda crônica é uma espécie de papo.

Para ser um escritor, respeite a sua essência

Sempre fui muito insegura com a minha escrita. Demorei para criar coragem e divulgar as minhas palavras para o mundo.

Fico me questionando se tudo o que eu escrevo é péssimo, bobo, sem valor.

Entendi que é possível escrever bem e de maneira simples.

Nesse momento, abraço a simplicidade de coração aberto. É isso que norteia a minha escrita.

Isso não significa que não possa sempre aprimorar a minha escrita e ouvir conselhos de grandes mestres.

“Tive que reaprender a admirar a minha própria escrita e aceitar que sempre terei como evoluir. Sempre poderei aprender mais e aprimorar o que não está tão bom. No entanto, jamais devo perder a minha essência”, escreve Bruna Cosenza, produtora de conteúdo e escritora.

“Até por que se deixar de escrever como e sobre o que gosto, essa atividade irá perder o significado em minha vida”, continua.

Nenhum escritor deve, de maneira alguma, perder aquilo que tem de mais singular.

“Por mais que a atividade de um escritor seja muito solitária, para se ter ideias e fazer boas reflexões é preciso viver”.

Ruth Manus diz: “Gostaria de ser mais segura, confesso. Mas não. Eu só funciono aos trancos. Sou aquela que precisa de um empurrão para cair na piscina gelada, a que precisa de mil confirmações para acreditar que está no caminho certo e que, ainda assim, tem um “Será?” persistente, alojado no alto do ombro, sussurrando dúvidas toda hora no ouvido.

Resolvi ouvir a minha intuição e agir!

A arte de escrever nos coloca a frente de muitos desafios. Primeiro que temos que acreditar que aquela história vai fisgar a atenção do leitor e que o que você tem a dizer, que o mundo que você criou, tem valor e vai habitar a mente de milhares de leitores.

Você, escritor, escritora, tem que acreditar na sua história antes de qualquer outra pessoa, pois é você quem faz um pacto com o tempo e fica horas e horas diante de uma tela de notebook, diante de um caderno ou qualquer outro meio que traga da sua mente para mundo visível, perceptível, a obra que você criou.

Comecei achando que ia conseguir reservar um tempo todo dia, com calma, em que sentaria plena na minha escrivaninha e conseguiria fazer tudo. Mas a vida não é bem assim. O tempo foi passando e eu percebi que tinha que escrever onde desse.

O medo de cometer erros de português pode se tornar um grande empecilho na hora de produzir um texto. Em vez de se preocupar exageradamente com as normas gramaticais, é melhor investir na leitura e exercitar a escrita com regularidade, aconselha o redator Rodnei Silva:

“Você não precisa ser um membro da Academia Brasileira de Letras para escrever bem (…). O segredo para (…) escrever sem medo de tropeçar na língua portuguesa está na prática. Como? Escrevendo todos os dias”.

Escrever é materializar o que já existe no seu coração. Como em tudo na vida, a prática leva à perfeição.

Temas a serem debatidos:

Acolhimento, empatia, envelhecimento, morte, uso de tecnologias e passagem do tempo, tópicos importantes para a construção emocional e intelectual dos adultos.

* “Não se nasce mulher, torna-se”. Simone de Beauvoir escreveu uma obra filosófica sobre a condição feminina em 1949, obviamente foi atacada, geralmente o que acontece com todas as mulheres que desafiam seu tempo.

Em “A força da idade”, Beauvoir revelou que, além da ânsia pela liberdade, tinha uma “obstinação esquizofrênica pela felicidade”.

“Em toda a minha existência, não encontrei ninguém que fosse tão dotada para a felicidade quanto eu, ninguém tampouco que se prendesse a isso com tamanha obstinação. Logo que a toquei, tornou-se minha única preocupação”.

Mais uma curiosidade…

“Todo ano, um milhão de mulheres fazem aborto na França. Eu sou uma dessas mulheres. Eu abortei”. O manifesto foi assinado por 434 mulheres e publicado no Nouvel Observateur, em 1971. 

A redatora do manifesto era ninguém menos que Simone de Beauvoir.