Alguém me dá um propósito!

Eu sinto falta de ter um propósito, uma missão na vida.

Eu queria ter uma paixão estampada na testa, algo pelo qual valesse a pena lutar com unhas e dentes.

O psicanalista Contardo Calligaris defende que mais importante do que a felicidade é buscar ter uma vida interessante.

O que eu preciso fazer para ter uma vida interessante?

Eu preciso realizar um ato heroico? Eu preciso viver em constante bem-estar? Eu preciso ser mais altruísta?

Eu preciso me engajar mais? Eu preciso militar por alguma causa? Eu preciso ter um insight? Promover uma arte?

Criar uma obra?

Meu propósito talvez seja todos esses acima: buscar mais perguntas do que respostas!

Porque ultimamente tenho procurado, procurado, comprado receitas, seguido fórmulas, tomado um monte de decisões precipitadas, e nada aconteceu.

Admiro gente que encontrou seu propósito na vida, que trabalha como se não estivesse trabalhando, que vive um sonho todos os dias.

Vejo-me procurando meu propósito na vida, aquela parada que vai me fazer virar um ser iluminado extraterrestre.

Concluí que talvez o ato de se perguntar o tempo todo onde está esse tal de propósito na nossa própria vida e a abertura de experimentar um pouquinho aqui, um pouquinho ali, ajuda mais do que seguir uma receita de bolo pra vida.

Descoberta de propósito e momentos de felicidade não são coisas que se constroem a partir de receitas prontas.

São construções de longo prazo, onde a curiosidade e a ousadia abrem pista pra gente acelerar, desacelerar, quebrar a cara, corrigir a rota, fazer curva e retorno, até que depois de tanto procurar, a gente encontra um caminho que faça sentido na nossa existência.

Então, se for pra escutar alguém nessa vida, que tal escutar a si mesmo?

Que tal arriscar mais, sem se expor demais, e sem se preocupar demais com o que o coleguinha vai achar de você, sem achar que tem que estar tudo perfeito pra começar, sem perder o foco – fazer poucas coisas, muito bem feitas – e, principalmente, sem deixar que a vida te leve sem que você tenha sequer a chance de levar a vida que sempre quis?

A busca pelo propósito é um dos nortes das carreiras atualmente. Mais do que remuneração ou benefício, muitos viram os olhos para essa variável quando estudam a estruturação da própria vida profissional. Mas como descobrir o seu propósito? Para o palestrante João Torres, a resposta passa por um processo de autoconhecimento, através do qual deve-se perceber quais são as suas capacidades de destaque.

“O propósito pessoal é uma questão multifacetada e que está diretamente relacionada com seus dons e seus talentos, ou seja: com aquilo que você é bom. Com o que você veio fazer de diferente no mundo”.

Eu sou uma lifelong learner!

A primeira vez que eu ouvi falar sobre esse termo, tive que recorrer ao tradutor. Depois de descobrir a sua tradução, Eterno Aprendiz, pude dizer que: eu sou uma lifelong learner e não sabia!

Olha aí o meu propósito, a minha definição, a minha meta de vida! Olha aí algo que eu quero ser pra sempre, me aprofundar.

Não quero mais dizer que sou uma jornalista. Quero gritar aos quatro cantos que, agora, eu sou uma lifelong learner.

Combo do dia #08

Um texto + uma música + 1 prato

O que eu aprendi lendo Gregorio Duvivier

  • Saia à francesa. A despedida não é um momento bom para ninguém. Pule essa parte. A única escapada decente de uma festa é aquela que ninguém percebe.
  • Dê uma desculpa só. Duas desculpas são menos fortes que uma, três são menos fortes que duas e por aí vai.
  • Para saber se o espaguete está pronto, jogue um fio na parede. Se grudar, está pronto.
  • Se quando venho, venho da, quando vou, craseio o a. Se quando venho, venho de, quando vou, crase pra quê?
  • Angule o iPhone ou o iPad do seu amigo numa posição em que você consiga ver as impressões digitais. As quatro marcas de dedo mais visíveis pousarão sobre os números que compõem a senha.
  • Não se amplia a voz dos imbecis. Responder a uma crítica é amplificá-la.
  • Preguiçoso trabalha dobrado. Vai devagar que eu tô com pressa.
  • Right to tight, left to loose. Para a direita a torneira fecha, para a esquerda abre. O mesmo vale para parafusos.
  • Lave as louças assim que acabar de comer. O tempo que passou desde que você comeu é proporcional ao quanto é insuportável pensar em lavá-las.

Música: Sei Lá

A vida é uma coleção de saudades e o que eu posso dizer?
Mexendo na minha coleção hoje eu lembrei de você, yeah

E o prato do dia foi…

  • Salada + arroz integral + feijão + farofa de dendê + peixe grelhado

O dia em que o Wagner Montes me ligou

Photo by Quino Al on Unsplash

O dia em que o Wagner Montes ligou na minha casa; o dia em que eu liguei para o celular da Patrícia Poeta; o dia em que eu falei – e gaguejei – com a Ivete Sangalo ao telefone; o dia em que o Luan Santana respondeu ao meu e-mail; o dia em que eu fui à casa do escritor Marcelo Coelho e conheci a sua mulher e o seu filho; o dia em que eu fiquei com o cara do “Acorrentados” na balada; o dia em que eu dei carona ao Felipe Dylon; o dia em que eu vi o Supla no aeroporto; o dia em que o filho da Diana Bouth  dormiu no meu colo; o dia em que eu dei um colar havaiano ao Lulu Santos; o dia em que eu reparei – bem de perto – na cútis do Paulo Ricardo; o dia em que eu tirei uma foto com o Thiaguinho; o dia em que eu jantei ao lado do Amaury Júnior; o dia em que eu  vi o Moacir Franco e seus filhos no hotel em que estava hospedada; o dia em que eu vi a atriz Tilda Swinton “dormindo” em uma caixa de vidro em um museu, em Nova York; o dia em que eu dividi o camarote com o Rafael Cortez; o dia em que a Mari – vocalista do Babado Novo – falou o meu nome no palco e dedicou uma música para mim; o dia em que eu tomei café com a Deborah Blando; o dia em que eu pisei – sem querer – no filho do Zetti, que estava dormindo na praia e era apenas um bebê; o dia em que o Oscar me deu um autógrafo; o dia em que eu falei para a Hortência que faço aniversário no mesmo dia que ela; o dia em que a Maria Beltrão curtiu meu comentário no Instagram; o dia em quem o ator Raphael Viana entrou no meu carro; o dia em que eu vi as Sheilas do Tchan! no Programa Livre; o dia em que eu vi o Serginho Groisman apresentando o Programa Livre; o dia em que eu vi o Bruno Gagliasso no palco; o dia em que o Pedro Scooby passou por mim na praia do Diabo; o dia em que eu assisti a palestra da Ana Paula Padrão; o dia em quem eu acompanhei a Isabella Fiorentino numa gravação; o dia em que eu acompanhei a Ellen Jabour numa sessão de fotos;  o dia em que eu conhecei a casa da Frida Kahlo; o dia em que eu vi o Tremendão numa praia do Guarujá; o dia em que eu vi o Netinho de Paulo cantando numa feijoada.

2018

Ela vem sem avisar. Ano a ano. Eu a odeio por causa disso. Poxa, nem um sinalzinho distante? Nada. Ela simplesmente vem.

Eu nunca a convido. Nunca a chamo. Nunca a desejo. E, mesmo com toda essa rejeição, ela cisma em aparecer sem hora marcada. Quando tudo parece estar under control, ela vem para me dar o seguinte recado:

– não, meu bem, não está tudo sob controle;

– eu ainda existo, viu. Por mais que você queira, eu não sumi;

– supere isso! Aprenda a conviver com essa minha visita inesperada;

– da mesma maneira que eu cheguei, eu também vou embora repentinamente. Sem avisar o dia e a hora. Eu simplesmente vou. Aguarde e confie;

– não é e primeira vez que isso acontece. Você já sabe como eu sou! Não se espante tanto;

– eu sei que você tem as suas armas para me expulsar. Continue usando-as com parcimônia.

Neste ano, ela apareceu no terceiro dia de janeiro, causando um grande estrago. Mas eu a superei! Reapareceu a três dias de o ano terminar. E, com todo o medo dentro de mim, medo do estrago que ela possa vir a causar, eu sigo em frente, enfrentando-a!

Sinto orgulho de ter ultrapassado tudo isso. Todo mundo consegue ir adiante.

-Eu dirigi um monte

– Eu trabalhei um monte

 -Eu fiz unha um monte

– Eu fiquei na sala um monte

– Eu fiquei na cozinha um monte

– Eu me olhei no espelho um monte

– Eu viajei de ônibus um monte

– Eu fiquei na casa de praia um monte

– Eu fique sozinha um monte

– Eu fui ao Sesc

– Eu fui pra Alphaville

– Eu fui ao cinema

– Eu fui na vó

– Eu fui na Bárbara

– Eu fiquei no meu quarto

– Eu fiquei na minha cama

– E vi filmes na minha cama

– Eu fiz séries de ginástica

– Eu fiz a mala

– Eu comi no balcão

– Eu lavei a louça

– Eu li jornais

– Eu fiz comidas

– Eu fui à psicóloga

– Eu fui ao shopping

– Eu fiz tratamentos estéticos

– Eu fiz aulas de ginástica

– Eu fui cortar o cabelo tantas vezes…

– Eu caminhei tantas vezes…

– Eu dancei tantas vezes…

– Eu escutei música tantas vezes…

Eu fiquei bem, mas tão bem, que cheguei a pedir para o dia não acabar! Não quero dormir… O dia tá tão bom, a vida tá tão boa. Não quero que esse dia acabe! Estou fazendo um grande esforço para não dormir… Estou morrendo de sono, mas eu não quero dormir, quero aproveitar mais esse diazzz.

Eu me orgulho tanto por ter feito tudo isso, porque, sim, houve uma época em que tudo isso acima era pura tortura. Comemore os pequenos hábitos. São pequenas vitórias! Não solte a mão de Deus. Você não está sozinha. E, se precisar, peça ajuda! As pessoas que te amam vão te ajudar.

Esta sou eu

Eu fiz essa aliança. Eu ganhei esse suporte para celular. Eu roubei esse escapulário da minha irmã.

Básica, dos pés à cabeça. Visto Hering e Zara; gosto de jeans, azul-marinho e cinza. Meu sorriso é fácil; meu olhar, melancólico. Meu vício é um espelho. Reparo em dentes e em cílios. Não uso (quase) nada de maquiagem; sou adepta de tratamentos faciais e viciada em rotina de skincare .

Sou uma pessoa falsa alta (1,68), falsa magra (58), falsa cabeluda e falsa rica (o meu cartão de crédito é uma navalha).

Eu nasci em 1983. Ano em que três ladrões levaram embora a taça Jules Rimet da sede da CBF, no Rio; perdemos Garrincha e Clara Nunes; assistimos perplexos à maxidesvalorização do cruzeiro; e, nas rádios, enfrentávamos Rádio Taxi, Ritchie e Balão Mágico. O ano não foi dos mais fáceis. Passaram-se, então, 35 anos e chegamos a 2018.

Gosto de ler jornais e revistas; conteúdo de qualidade e que acrescenta. Sou apaixonada pela revista Vida Simples e, desde que a conheci, minha vida se tornou mais feliz e simples. Meu trabalho está totalmente concatenado com a sua filosofia.

Sofro de logorreia, necessidade patológica de falar; embora, durante boa parte do meu tempo, cultive o silêncio (quantos gritos cabem dentro de um silêncio?).

Dou bom-dia e boa-noite para qualquer um.

Onde eu trabalho?

Biblioteca do SESC Jundiaí

Larguei a segurança de um emprego fixo para ser a minha própria chefe. Deixei a vida de CLT de lado e criei coragem para entrar nesse mar de incertezas, mas ao mesmo tempo um oceano de liberdade, autonomia e flexibilidade.

Combo do dia #05

Um texto + uma música + 1 prato

Felicidade

Photo by Barbara Alçada on Unsplash

Os habitantes da Finlândia, um dos países mais frios do mundo, são felizes no longo prazo. “Os finlandeses são especiais em coisas mais profundas e duradouras, felizes com as suas vidas como um todo”, diz John Helliwell, um dos editores do relatório Word Happiness Report.

Um dos motivos para o bem-estar longevo dos finlandeses é que eles “não se orgulham”, “não falam de si mesmos” e “não ostentam”. “Ter hábitos de consumo chamativos é visto como falta de educação no país. Exibir uma Lamborguini pode gerar ciúmes e ressentimento em outras pessoas”, continua Helliwell.

A depender dos primeiros colocados deste ano, o segredo da felicidade não está em objetos de desejo, e sim em conectar-se com os outros, tanto no nível mais próximos (familiares e amigos) quanto em uma escala estendida (estranhos, comunidade em geral e governo).

Em outras palavras, a alegria de viver está diretamente vinculada a quão confiáveis são as pessoas que compõem a sociedade do país em que se mora.

Os americanos estão cada vez mais infelizes, pelo fato de viverem numa epidemia de vícios: em junk food, em opioide e no uso excessivo de telas.

Quem está satisfeito com a própria vida tende a ter maior engajamento político. É mais provável que quem se sente frustrado eleja líderes populistas.

“A Finlândia tem laços comunitários amplos. A confiança nos vizinhos, no governo e em qualquer pessoa é muito mais alta na Escandinávia do que na América Latina. As pessoas gostam de viver em lugar assim”, conclui.

Felicidade é transitória

A noção moderna de felicidade dá conta de sua limitação. Quando estamos felizes, sabemos que o sentimento é passageiro e que, em breve, isso pode mudar – e até ficamos esperando por essa mudança. Para o filósofo Mário Sergio Cortella, essa ideia de felicidade como direito parcial ocorre justamente porque há uma busca irreal pela felicidade constante e permanente, que inexiste.

“Felicidade é transitória. Se eu entender a felicidade como um estado permanente, como um moto-perpétuo, é óbvio que ele sofrerá interrupções em vários momentos, porque a vida real é mesclada por perturbações, por turbulências”.

Deixa (feat. Ana Gabriela) – Lagum

Acorda, e nunca mais se vá
Se for de qualquer jeito, antes me dá um beijo
Eu tô aqui por ti, por mim, por nós
Cê não sabe o quanto é importante
Acordar ouvindo a sua voz

Letra e canção aqui.

E o prato do dia foi…

  • Batata assada recheada